Domingo dedicado ao Padre autor da obra ''A escada da divina ascensão'', que testemunha os violentos esforços que o cristão deve realizar para conquistar o Reino de Deus. As lutas espirituais do cristão não são ''contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.'' [Ef. 6:12]
Sobre esta obra, segue trecho de uma homilia do Bem Aventurado São Filareto de Moscou.
"Quando jogamos uma pedra para cima, ela sobe até o momento em que a força propulsora deixa de fazer efeito. Enquanto aquela força agir, a pedra subirá cada vez mais alto, suplantando a força da gravidade da Terra. Mas quando aquela força se extingue e cessa sua ação, então, como vocês sabem, a pedra não permanece suspensa no ar. Imediatamente ela começa a cair, e quanto maior a altura, maior também a velocidade de sua queda. Isto segundo tão somente as leis físicas da gravidade terrestre.
Também é assim na vida espiritual. Na medida em que um cristão gradualmente ascende, a força dos esforços ascéticos e espirituais alça-o para o alto. Nosso Senhor Jesus Cristo disse: ''Lutem para entrar pelo portão estreito''. Isto é, o cristão deve ser um asceta. Não apenas os monges, mas todo cristão. Ele deve carregar as dores por sua alma e por sua vida. Deve dirigir sua vida no caminho cristão, e purgar sua alma de toda imundície e impureza.
Agora, se o cristão, que ascende nesta escada de perfeição espiritual por suas lutas e trabalhos ascéticos, cessa seu esforço e labuta, sua alma não vai permanecer em seu estado anterior; mas, como a pedra, ela cairá de volta à terra. Mais e mais rápido ela cairá, até que, por fim, se o homem não recuperar a sã consciência, acabará lançado nas profundezas do inferno.
É necessário lembrar disto. As pessoas esquecem que o caminho do cristianismo é de fato um trabalho ascético. No último domingo, ouvimos o Senhor dizer: ''Aquele que que quer vir após mim, tome sua cruz, negue a si mesmo, e siga-me''. O Senhor foi enfático nisso. Portanto, o cristão deve ser aquele que toma a sua cruz, e sua vida, do mesmo modo, deve ser o trabalho ascético de carregar aquela cruz. Seja quais forem as circunstâncias externas de sua vida, seja ele monge ou leigo, não importa: se ele não se forçar montanha acima, então, certamente, ele cairá cada vez mais e mais. [...]
Frequentemente cito as palavras de São Serafim [de Sarov], e mais uma vez vou fazê-lo. Certa vez, veio até ele uma mãe que estava preocupada sobre como arrumar o melhor marido possível para sua jovem filha. Quando ela veio a São Serafim buscando conselhos, ele lhe disse: ''Antes de qualquer coisa, esteja certa que ele, a quem sua filha escolheu como companheiro de vida, mantenha os jejuns. Se ele não o fizer, então não é um cristão, não importa o que ele pense a respeito.'' Veja como o grande santo da Igreja Russa, São Serafim de Sarov, um homem que melhor do que nós conhecia o que era a Ortodoxia, falava a respeito dos jejuns.
Lembremos disso. São João Clímaco descreveu a escada da divina ascensão: então nos esqueçamos que cada cristão deve subir por ela. Os grandes ascetas se elevam como águias velozes; nós subimos escassamente. No entanto, não esqueçamos que, a menos que empreguemos nossos esforços na correção de nós mesmos e de nossas vidas, iremos parar nossa ascensão, e, seguramente, começaremos a cair. Amém.''

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