terça-feira, 20 de março de 2018

A cruz de Cristo é fonte de todas as bênçãos e origem de todas as graças.


Primeira leitura
Da Carta aos Hebreus                 3,1-19

Jesus, apóstolo da fé que professamos
1Irmãos santos, participantes da vocação que vem do céu, fixai bem a mente em Jesus, o apóstolo e sumo sacerdote da fé que nós professamos. 2Ele foi fiel a Deus, que o constituiu neste cargo, assim como Moisés o foi em toda a casa de Deus. 3E ele merece glória muito maior do que Moisés, na medida em que o construtor da casa merece maior glória que a casa mesma. 4Pois toda casa é construída por alguém, e quem constrói tudo é Deus. 5Moisés foi fiel em tudo o que se refere à casa de Deus, como servidor, em testemunho das coisas que seriam ditas. 6Cristo, porém, foi fiel como filho, no que diz respeito à sua própria casa. E nós somos sua casa, se conservarmos até ao fim a firme confiança e altivez a respeito da nossa esperança.
7Portanto, escutai o que declara o Espírito Santo:
“Hoje, se ouvirdes a sua voz,
8não endureçais os vossos corações, como na rebelião,
no dia da tentação, no deserto,
9onde vossos pais me tentaram, colocando-me à prova,
10embora visem as minhas obras, durante quarenta anos.
Por isso me irritei com essa geração
e afirmei: sempre se enganam no coração
e desconhecem os meus caminhos.

11Assim jurei em minha ira:
não entrarão no meu repouso.”

12Cuidai, irmãos, que não se ache em algum de vós um coração transviado pela incredulidade, levando-o a afastar-se do Deus vivo. 13Antes, animai-vos uns aos outros, dia após dia, enquanto ainda se disser “hoje”, para que nenhum de vós se endureça pela sedução do pecado 14– pois tornamo-nos companheiros de Cristo, contanto que mantenhamos firme até ao fim a nossa confiança inicial. 15E isto, enquanto se diz:
“Hoje, se ouvirdes a sua voz,
não endureçais os vossos corações, como na rebelião”.

16Ora, quem são aqueles que se revoltaram, depois de ter ouvido a sua voz? Não foram todos aqueles que saíram do Egito pela mão de Moisés? 17E quais são aqueles com os quais Deus se irritou durante quarenta anos? Não foram aqueles que cometeram pecado, e cujos cadáveres caíram no deserto? 18E para quem foi que Deus jurou que não entrariam em seu repouso? Não foram aqueles que não quiseram crer? 19Assim vemos que eles não podiam entrar, por causa da sua falta de fé.

Segunda leitura

Dos Sermões de São Leão Magno, papa.

(Sermo 8, De passione Domini, 6-8: PL 54,340-342)
(Séc.V)

A cruz de Cristo é fonte de todas as bênçãos
e origem de todas as graças.

Que a nossa inteligência, iluminada pelo Espírito da Verdade, acolha com o coração puro e liberto, a glória da cruz que se irradia pelo céu e a terra; e perscrute, com o olhar interior, o sentido destas palavras do Senhor, ao falar da iminência de sua paixão: Chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado (Jo 12,23). E em seguida: Agora sinto-me angustiado. E que direi? “Pai, livra-me desta hora!”? Mas foi precisamente para esta hora que eu vim. Pai, glorifica o teu Filho! (Jo 12,27). E tendo vindo do céu a voz do Pai que dizia: Eu o glorifiquei e o glorificarei de novo! (Jo 12,28), Jesus continuou, dirigindo-se aos presentes: Esta voz que ouvistes não foi por causa de mim, mas por causa de vós. É agora o julgamento deste mundo. Agora o chefe deste mundo vai ser expulso, e eu, quando for elevado da terra, atrairei tudo a mim (Jo 12,30-32).

Ó admirável poder da cruz! Ó inefável glória da Paixão! Nela se encontra o tribunal do Senhor, o julgamento do mundo, o poder do Crucificado!

Atraístes tudo a vós, Senhor, para que o culto divino fosse celebrado, não mais em sombra e figura, mas num sacramento perfeito e solene, não mais no templo da Judéia, mas em toda parte e por todos os povos da terra.

Agora, com efeito, é mais ilustre a ordem dos levitas, maior a dignidade dos sacerdotes e mais santa a unção dos pontífices. Porque vossa cruz é fonte de todas as bênçãos e origem de todas as graças. Por ela, os que creem recebem na sua fraqueza a força, na humilhação, a glória, na morte, a vida. Agora, abolida a multiplicidade dos sacrifícios antigos, toda a variedade das vítimas carnais é consumada na oferenda única do vosso corpo e do vosso sangue, porque sois o verdadeiro Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo (Jo 1,29). E assim realizais em vós todos os mistérios, para que todos os povos formem um só reino, assim como todas as vítimas são substituídas por um só sacrifício
.
Proclamemos, portanto, amados filhos, o que o santo doutor das nações, o apóstolo Paulo, proclamou solenemente: Segura e digna de ser acolhida por todos é esta palavra: Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores (1Tm1,15).

E é ainda mais admirável a misericórdia de Deus para conosco porque Cristo não morreu pelos justos, nem pelos santos, mas pelos pecadores e pelos ímpios. E como a natureza divina não estava sujeita ao suplício da morte, ele assumiu, nascendo de nós, o que poderia oferecer por nós.

Outrora ele ameaçava nossa morte como poder de sua morte, dizendo pelo profeta Oséias: Ó morte, eu serei a tua morte; inferno, eu serei a tua ruína (cf. Os 13,14). Na verdade, morrendo, ele se submeteu às leis do túmulo, mas destruiu-as, ressuscitando. Rompeu a perpetuidade da morte, transformando-a de eterna em temporal. Pois, como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos reviverão (1Cor 15,2).

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