domingo, 11 de março de 2018

A Tradição Apostólica.



Os teólogos chamam esse ensinamento das Escrituras de 
"Tradição Apostólica". Ela engloba o que os Apóstolos 
viveram, viram, testemunharam e, mais tarde isso foi 
registrado nos livros do Novo Testamento.
Os bispos e presbíteros, nomeados pelos Apóstolos como 
seus sucessores, seguiram o seu ensino à risca. Aqueles que 
se desviaram deste ensinamento apostólico foram cortados 
da Igreja.
Esses tais que foram cortados da Igreja foram 
considerados hereges e cismáticos, pois eles acreditavam 
em algo diferente daquilo ensinado pelos Apóstolos e seus 
sucessores, separando-se assim da Igreja.
Isso coloca em foco a Igreja como o centro da unidade de 
todos os cristãos.
Esta é a característica eclesiástica ou eclesiológica da 
Tradição.
A Igreja é a imagem e reflexo da Santíssima Trindade uma 
vez que as três pessoas da Santíssima Trindade Vivificante, 
habitam e agem na Igreja. O Pai oferece o Seu amor, o 
Filho oferece Sua obediência, o Espírito Santo é o seu 
conforto. Somente na Igreja histórica é que podemos ver, 
sentir e viver a presença da Santíssima Trindade no 
Mundo.
Ao descrever esta realidade São Paulo escreve:
“E, vindo, ele evangelizou a paz, a vós que estáveis longe, e 
aos que estavam perto; Porque por ele ambos temos acesso 
ao Pai em um mesmo Espírito”.
Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas 
concidadãos dos santos, e da família de Deus; Edificados 
sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que 
Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; No qual todo o 
edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no 
Senhor. No qual também vós juntamente sois edificados 
para morada de Deus em Espírito." (Efésios 2:17-22).
A unidade da Santíssima Trindade, sendo a realidade 
fundamental da Igreja, também exige uma verdadeira 
unidade entre todos os seus membros.
Todos os membros da Igreja vivem no vínculo do amor e 
da unidade através da Santíssima Trindade.
Esta verdade é descrita por São Pedro:
“Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação 
santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes 
daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa 
luz; Vós, que em outro tempo não éreis povo, mas agora 
sois povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia, 
mas agora alcançastes misericórdia.”. (1 Pedro 2: 9-10).
Esta Igreja foi estabelecida como uma realidade histórica 
no dia de Pentecostes, com a descida do Espírito Santo 
sobre os Apóstolos:“E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos 
concordemente no mesmo lugar; E de repente veio do céu 
um som, como de um vento veemente e impetuoso, e 
encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram 
vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as 
quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios 
do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, 
conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.”
(Atos 2: 1-4)
Somente nesta Igreja, onde a Santíssima Trindade vive e 
age constantemente, pode se estabelecer o ensinamento de 
Cristo, a revelação da verdade, que foi recebida e 
transmitida pelos Apóstolos, é na Igreja em que esta 
revelação é cumprida e sustentada.
Assim, a verdade em sua plenitude não existe fora da 
Igreja, pois fora dela não haveria nem as Escrituras, nem a 
Tradição.
É por isso que São Paulo admoesta os Gálatas que mesmo 
que um anjo do céu pregue outro evangelho para eles, tal
deve ser condenado:
“Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já 
recebestes (parelavete) seja anátema" (Gálatas 1:8-9).
E o mesmo São Paulo escrevendo ao seu discípulo 
Timóteo, o insta a seguir rigorosamente os "preceitos da 
nossa fé" e as "instruções” que recebeu dele e evitar "mitos 
ímpios" (1 Tm 4: 4-7).Ele também adverte aos Colossenses para evitar a 
"injunções e ensinamentos meramente 
humanos" (Colossenses 2:22), e seguir a Cristo:
“Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim 
também andai nele, Arraigados e edificados nele, e 
confirmados na fé, assim como fostes ensinados, nela 
abundando em ação de graças. Tende cuidado, para que 
ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs 
sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os 
rudimentos do mundo, e não segundo Cristo”
(Colossenses 2:6-8).
E foi esta tradição, justamente Apostólica, que foi 
transmitida pelos Apóstolos aos seus sucessores, os bispos 
e os presbíteros.
São Clemente, Bispo de Roma (século II dC) e, 
provavelmente, um discípulo dos próprios Apóstolos,
descreveu esta verdade histórica:
"Os apóstolos pregaram a nós o Evangelho recebido de 
Jesus Cristo, e Jesus Cristo foi o embaixador de Deus. 
Cristo, em outras palavras, vem com uma mensagem de 
Deus, e os Apóstolos com uma mensagem do Cristo. 
Ambas as medidas ordenadas, portanto, originam da 
vontade de Deus. E assim, depois de receber suas 
instruções e sendo plenamente asseguradas através da 
Ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, bem como 
confirmados na fé pela palavra de Deus, saíram equipados 
com a plenitude do Espírito Santo para pregar a boa 
notícia de que o Reino de Deus estava próximo, indo de
terra em terra, de cidade em cidade para pregar, e entre os 
convertidos, nomear aqueles homens testados pelo 
Espírito a agir como bispos e diáconos dos futuros 
crentes" (Carta aos Coríntios, cap. 42). 
Pode-se ver claramente como a mensagem da salvação 
proveniente de Deus, o Pai, foi ensinado por Jesus Cristo, 
pelo testemunho do Espírito Santo, pregado pelos 
Apóstolos e foi transmitida por eles para a Igreja através 
do clero, nomeados pelos próprios apóstolos. Assim se 
tornou a "tradição infalível da pregação apostólica", como 
foi expressa por Eusébio de Cesaréia, Bispo do século IV, 
que é considerado o "pai" da História da Igreja (História da 
Igreja, IV, 8).

Ensinamentos Básicos da Fé Ortodoxa, adaptados
do Catecismo do Arcebispo Metropolitano
Sotirios (Metrópole Ortodoxa Grega de Toronto,
Canadá).

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