Os teólogos chamam esse ensinamento das Escrituras de
"Tradição Apostólica". Ela engloba o que os Apóstolos
viveram, viram, testemunharam e, mais tarde isso foi
registrado nos livros do Novo Testamento.
Os bispos e presbíteros, nomeados pelos Apóstolos como
seus sucessores, seguiram o seu ensino à risca. Aqueles que
se desviaram deste ensinamento apostólico foram cortados
da Igreja.
Esses tais que foram cortados da Igreja foram
considerados hereges e cismáticos, pois eles acreditavam
em algo diferente daquilo ensinado pelos Apóstolos e seus
sucessores, separando-se assim da Igreja.
Isso coloca em foco a Igreja como o centro da unidade de
todos os cristãos.
Esta é a característica eclesiástica ou eclesiológica da
Tradição.
A Igreja é a imagem e reflexo da Santíssima Trindade uma
vez que as três pessoas da Santíssima Trindade Vivificante,
habitam e agem na Igreja. O Pai oferece o Seu amor, o
Filho oferece Sua obediência, o Espírito Santo é o seu
conforto. Somente na Igreja histórica é que podemos ver,
sentir e viver a presença da Santíssima Trindade no
Mundo.
Ao descrever esta realidade São Paulo escreve:
“E, vindo, ele evangelizou a paz, a vós que estáveis longe, e
aos que estavam perto; Porque por ele ambos temos acesso
ao Pai em um mesmo Espírito”.
Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas
concidadãos dos santos, e da família de Deus; Edificados
sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que
Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; No qual todo o
edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no
Senhor. No qual também vós juntamente sois edificados
para morada de Deus em Espírito." (Efésios 2:17-22).
A unidade da Santíssima Trindade, sendo a realidade
fundamental da Igreja, também exige uma verdadeira
unidade entre todos os seus membros.
Todos os membros da Igreja vivem no vínculo do amor e
da unidade através da Santíssima Trindade.
Esta verdade é descrita por São Pedro:
“Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação
santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes
daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa
luz; Vós, que em outro tempo não éreis povo, mas agora
sois povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia,
mas agora alcançastes misericórdia.”. (1 Pedro 2: 9-10).
Esta Igreja foi estabelecida como uma realidade histórica
no dia de Pentecostes, com a descida do Espírito Santo
sobre os Apóstolos:“E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos
concordemente no mesmo lugar; E de repente veio do céu
um som, como de um vento veemente e impetuoso, e
encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram
vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as
quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios
do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas,
conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.”
(Atos 2: 1-4)
Somente nesta Igreja, onde a Santíssima Trindade vive e
age constantemente, pode se estabelecer o ensinamento de
Cristo, a revelação da verdade, que foi recebida e
transmitida pelos Apóstolos, é na Igreja em que esta
revelação é cumprida e sustentada.
Assim, a verdade em sua plenitude não existe fora da
Igreja, pois fora dela não haveria nem as Escrituras, nem a
Tradição.
É por isso que São Paulo admoesta os Gálatas que mesmo
que um anjo do céu pregue outro evangelho para eles, tal
deve ser condenado:
“Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já
recebestes (parelavete) seja anátema" (Gálatas 1:8-9).
E o mesmo São Paulo escrevendo ao seu discípulo
Timóteo, o insta a seguir rigorosamente os "preceitos da
nossa fé" e as "instruções” que recebeu dele e evitar "mitos
ímpios" (1 Tm 4: 4-7).Ele também adverte aos Colossenses para evitar a
"injunções e ensinamentos meramente
humanos" (Colossenses 2:22), e seguir a Cristo:
“Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim
também andai nele, Arraigados e edificados nele, e
confirmados na fé, assim como fostes ensinados, nela
abundando em ação de graças. Tende cuidado, para que
ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs
sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os
rudimentos do mundo, e não segundo Cristo”
(Colossenses 2:6-8).
E foi esta tradição, justamente Apostólica, que foi
transmitida pelos Apóstolos aos seus sucessores, os bispos
e os presbíteros.
São Clemente, Bispo de Roma (século II dC) e,
provavelmente, um discípulo dos próprios Apóstolos,
descreveu esta verdade histórica:
"Os apóstolos pregaram a nós o Evangelho recebido de
Jesus Cristo, e Jesus Cristo foi o embaixador de Deus.
Cristo, em outras palavras, vem com uma mensagem de
Deus, e os Apóstolos com uma mensagem do Cristo.
Ambas as medidas ordenadas, portanto, originam da
vontade de Deus. E assim, depois de receber suas
instruções e sendo plenamente asseguradas através da
Ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, bem como
confirmados na fé pela palavra de Deus, saíram equipados
com a plenitude do Espírito Santo para pregar a boa
notícia de que o Reino de Deus estava próximo, indo de
terra em terra, de cidade em cidade para pregar, e entre os
convertidos, nomear aqueles homens testados pelo
Espírito a agir como bispos e diáconos dos futuros
crentes" (Carta aos Coríntios, cap. 42).
Pode-se ver claramente como a mensagem da salvação
proveniente de Deus, o Pai, foi ensinado por Jesus Cristo,
pelo testemunho do Espírito Santo, pregado pelos
Apóstolos e foi transmitida por eles para a Igreja através
do clero, nomeados pelos próprios apóstolos. Assim se
tornou a "tradição infalível da pregação apostólica", como
foi expressa por Eusébio de Cesaréia, Bispo do século IV,
que é considerado o "pai" da História da Igreja (História da
Igreja, IV, 8).
Ensinamentos Básicos da Fé Ortodoxa, adaptados
do Catecismo do Arcebispo Metropolitano
Sotirios (Metrópole Ortodoxa Grega de Toronto,
Canadá).
Ensinamentos Básicos da Fé Ortodoxa, adaptados
do Catecismo do Arcebispo Metropolitano
Sotirios (Metrópole Ortodoxa Grega de Toronto,
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