segunda-feira, 26 de março de 2018

Gloriemo-nos também nós na Cruz do Senhor!

Primeira leitura:

Da Carta aos Hebreus                 10,19-39

Perseverança na fé. Expectativa do dia do julgamento.


19Irmãos, temos plena liberdade para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus. 20Ele nos abriu um caminho novo e vivo, através da cortina,quer dizer, através da sua humanidade. 21Temos um grande sacerdote constituído sobre a casa de Deus. 22Aproximemo-nos, portanto, de coração sincero e cheio de fé, com coração purificado de toda a má consciência e o corpo lavado com água pura. 23Sem desânimo, continuemos a afirmar a nossa esperança, porque é fiel quem fez a promessa. 24Sejamos atentos uns aos outros, para nos incentivar à caridade e às boas obras. 25Não abandonemos as nossas assembleias, como alguns costumam fazer. Antes, procuremos animar-nos mutuamente, e tanto mais quanto vedes o dia aproximar-se.

26De fato, se preferirmos continuar pecando, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não há sacrifícios que possam tirar os nossos pecados. 27Fica apenas a terrível expectativa do julgamento e o ardor de um fogo para devorar os rebeldes. 28Quem desobedece à Lei de Moisés, é condenado à morte, sem piedade, tendo como base o testemunho de duas ou três pessoas. 29Podeis então imaginar o castigo bem mais severo, que merecerá aquele que pisou o Filho de Deus, que profanou o sangue da Aliança, pelo qual foi santificado, e que insultou o Espírito da graça! 30Conhecemos aquele que disse: “A mim pertence a vingança, eu é que retribuirei”. E ainda: “O Senhor julgará o seu povo”. 31É terrível cair nas mãos do Deus vivo!

32Lembrai-vos dos primeiros dias, quando, apenas iluminados, suportastes longas e dolorosas lutas. 33Às vezes, éreis apresentados como espetáculo, debaixo de injúrias e tribulações; outras vezes vos tornáveis solidários dos que assim eram tratados. 34Com efeito, participastes dos sofrimentos dos prisioneiros e aceitastes com alegria o confisco dos vossos bens, na certeza de possuir uma riqueza melhor e mais durável. 35Não abandoneis, pois, a vossa coragem, que merece grande recompensa. 36De fato, precisais de perseverança para cumprir a vontade de Deus e alcançar o que ele prometeu.

37Porque ainda bem pouco tempo,
e aquele que deve vir, virá e não tardará.

38O meu justo viverá por causa de sua fidelidade, mas, se esmorecer,
não encontrarei mais satisfação nele.

39Nós não somos desertores, para a perdição. Somos homens da fé, para a salvação da alma.

Segunda leitura:


(Sermo Guelferbytanus 3:PLS 2,545-546)
(Séc.V)

Gloriemo-nos também nós na Cruz do Senhor!


A Paixão de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo é para nós penhor de glória e exemplo de
paciência.

Haverá alguma coisa que não possam esperar da graça divina os corações dos fiéis, pelos quais
o Filho unigênito de Deus, eterno como o Pai, não apenas quis nascer como homem entre os
homens, mas quis também morrer pelas mãos dos homens que tinha criado?

Grandes coisas o Senhor nos promete no futuro! Mas o que ele já fez por nós e agora
celebramos é ainda muito maior. Onde estávamos ou quem éramos, quando Cristo morreu por
nós pecadores? Quem pode duvidar que ele dará a vida aos seus fiéis, quando já lhes deu até a
sua morte? Por que a fraqueza humana ainda hesita em acreditar que um dia os homens viverão
em Deus?

Muito mais incrível é o que já aconteceu: Deus morreu pelos homens.

Quem é Cristo senão aquele que no princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus: e a
Palavra era Deus? (Jo 1,1). Essa Palavra de Deus se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14). Se
não tivesse tomado da nossa natureza a carne mortal, Cristo não teria possibilidade de morrer
por nós. Mas deste modo o imortal pôde morrer e dar sua vida aos mortais. Fez-se participante
de nossa morte para nos tornar participantes da sua vida. De fato, assim como os homens, pela
sua natureza, não tinham possibilidade alguma de alcançar a vida, também ele, pela sua
natureza, não tinha possibilidade alguma de sofrer a morte.

Por isso entrou, de modo admirável, em comunhão conosco: de nós assumiu a mortalidade, o
que lhe possibilitou morrer; e dele recebemos a vida.

Portanto, de modo algum devemos envergonhar-nos da morte de nosso Deus e Senhor; pelo
contrário, nela devemos confiar e gloriar-nos acima de tudo. Pois tomando sobre si a morte que
em nós encontrou, garantiu com total fidelidade dar-nos a vida que não podíamos obter por nós
mesmos.

Se ele tanto nos amou, a ponto de, sem pecado, sofrer por nós pecadores, como não dará o que
merecemos por justiça, fruto da sua justificação? Como não dará a recompensa aos justos, ele
que é fiel em suas promessas e, sem pecado, suportou o castigo dos pecadores?

Reconheçamos corajosamente, irmãos, e proclamemos bem alto que Cristo foi crucificado por
amor de nós; digamos não com temor, mas com alegria, não com vergonha, mas com santo
orgulho.

O apóstolo Paulo compreendeu bem esse mistério e o proclamou como um título de glória. Ele,
que teria muitas coisas grandiosas e divinas para recordar a respeito de Cristo, não disse que se
gloriava dessas grandezas admiráveis – por exemplo, que sendo Cristo Deus como o Pai, criou
o mundo; e, sendo homem como nós, manifestou o seu domínio sobre o mundo – mas afirmou:
Quanto a mim, que eu me glorie somente na cruz do Senhor nosso, Jesus Cristo (Gl 6,14).

Dos Sermões de Bem-Aventurados Agostinho, bispo.

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