Em relação ao sacrifício em si mesmo, há uma questão que merece ser considerada. Já que não estamos lidando com um mero sacrifício figurativo ou um derramamento simbólico de sangue, mas com um holocausto e sacrifício verdadeiros, devemos nos perguntar o que é sacrificado: é o pão ou o Corpo de Cristo? Ou, colocando de outra forma, as ofertas são sacrificadas antes ou depois da consagração?
Se o sacrificado é o pão, devemos nos perguntar como tal pode acontecer. Certamente que os santos mistérios não consistem em assistir ao sacrifício de pão, mas sim do Cordeiro de Deus, que por Sua morte tirou os pecados do mundo.
Por outro lado parece impossível que seja o Corpo do Senhor a ser sacrificado. Pois este corpo não pode mais ser morto ou ferido, desde que, estranho ao túmulo e à corrupção, tornou-se imortal. E mesmo que não fosse impossível que sofresse mais uma vez, deveriam existir executores para realizar a Crucifixação, e todos os demais elementos que estavam presentes no sacrifício -- isto é, se fosse um sacrifício verdadeiro, e não uma simples representação.
Como então pode ser isto, já que Cristo, ressuscitado dentre os mortos, não morre mais? Ele sofre uma vez no tempo; Ele se ofereceu uma vez pelo pecado de muitos. Se ele é sacrificado em cada celebração dos mistérios, Ele morre diariamente.
Há respostas para estes problemas? Sim: o sacrifício se cumpre nem antes nem depois da própria consagração. É necessário portanto preservar todos os ensinamentos de nossa fé em relação ao sacrifício, sem descuidar de nenhum. E que ensinamentos são estes? Em primeiro lugar, que este sacrifício não é uma mera figura ou símbolo, mas uma sacrifício verdadeiro; em segundo lugar, que não é o pão que é sacrificado, mas o próprio Corpo de Cristo; e em terceiro lugar, que o Cordeiro de Deus foi sacrificado uma vez somente, por todos os tempos.

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