sexta-feira, 22 de junho de 2018

Nós, filhos de Deus, permaneçamos na paz de Deus.

Do Livro dos Juízes 13,1-25

Anúncio do nascimento de Sansão.

Naqueles dias: 1Os filhos de Israel tornaram a fazer o mal na presença do Senhor e ele
entregou-os nas mãos dos filisteus, durante quarenta anos.

2Ora, havia um homem de Saraá, da tribo de Dã, chamado Manué, cuja mulher erae stéril. 3O anjo do Senhor apareceu à mulher e disse-lhe: “Tu és estéril e não tiveste
filhos, mas conceberás e darás à luz um filho.4Toma cuidado de não beberes vinho nem
licor, de não comeres coisa alguma impura, 5pois conceberás e darás à luz um filho. Sua cabeça não será tocada por navalha, porque ele será consagrado ao Senhor desde o
ventre materno, e começará a libertar Israel das mãos dos filisteus”.

6A mulher foi dizer ao seu marido: “Veio visitar-me um homem de Deus, cujo aspecto
era terrível como o de um anjo do Senhor. Não lhe perguntei de onde vinha nem ele me
revelou o seu nome. 7Ele disse-me: ‘Conceberás e darás à luz um filho. De hoje em
diante, toma cuidado para não beberes vinho nem licor, e não comeres nada de impuro,
pois o menino será consagrado a Deus, desde o ventre materno até ao dia da sua
morte’”.

8Então Manué orou ao Senhor, dizendo: “Peço-te, Senhor, que o homem de Deus que
enviaste venha de novo e nos diga o que fazer com o menino que vai nascer”. 9Deus
escutou a oração de Manué, e o anjo do Senhor veio de novo encontrar-se com a
mulher, que se achava no campo. Porém Manué, seu marido, não estava com ela. 10A
mulher correu, depressa, a avisar seu marido, dizendo: “O homem que se encontrou
comigo outro dia apareceu-me de novo”. 11Manué levantou-se e seguiu sua mulher.
Chegando junto do homem, perguntou-lhe: “És tu o homem que falou com esta
mulher?” Ele respondeu: “Sou eu mesmo”. 12Manué perguntou: “Quando a tua palavra
se cumprir, de que maneira havemos de criar esse menino e o que devemos fazer por
ele?” 13O anjo do Senhor respondeu a Manué: “Abstenha-se tua mulher de tudo o que
lhe disse, 14não coma nada do que nascer da videira, não beba vinho nem licor, não
coma nada de impuro, em suma, faça tudo o que lhe prescrevi”.

15Manué disse ao anjo do Senhor: “Peço-te, fica conosco enquanto te vamos preparar
um cabrito”. 16O anjo do Senhor respondeu a Manué: “Mesmo que me faças ficar, não
provarei da tua comida. Mas, se queres fazer um holocausto, oferece-o ao Senhor”. Sem
saber que se tratava do anjo do Senhor, 17Manué perguntou-lhe: “Qual é o teu nome,
para que, quando tua palavra se cumprir, possamos te honrar?” 18E o anjo do Senhor lhe
disse: “Por que perguntas o meu nome? Ele é misterioso!” 19Manué tomou o cabrito e a
oblação e ofereceu sobre a rocha um sacrifício ao Senhor que faz maravilhas. Manué e
sua mulher ficaram observando. 20Enquanto as chamas se elevavam de cima do altar
para o céu, com as chamas do altar subiu também o anjo do Senhor. À vista disso,
Manué e sua mulher caíram com o rosto em terra, 21e o anjo do Senhor não lhes
apareceu mais. Manué compreendeu logo que era o anjo do Senhor, 22e disse à mulher:
“Certamente vamos morrer, porque vimos a Deus”. 23Mas sua mulher lhe disse: “Se o
Senhor nos quisesse matar, não teria aceito de nossas mãos o holocausto e a oblação;
não nos teria deixado ver tudo isso que acabamos de ver nem ouvir o que ouvimos”.

24Ela deu à luz um filho e deu-lhe o nome de Sansão. O menino cresceu e o Senhor o
abençoou. 25O espírito do Senhor começou a agir nele no Campo de Dã, entre Saraá e
Estaol.


Do Tratado sobre a Oração do Senhor, de São Cipriano, bispo e mártir

(Nn.23-24: CSEL 3,284-285)
(Séc. III)

Nós, filhos de Deus, permaneçamos na paz de Deus.

Cristo acrescentou claramente uma lei que nos obriga a determinada condição: que
peçamos a remissão das dívidas, se nós mesmos perdoarmos aos nossos devedores,
sabendo que não podemos alcançar o perdão pedido a não ser que façamos o mesmo em
relação aos que nos ofendem. Por esta razão, diz em outro lugar: Com a mesma medida
com que medirdes, sereis medidos. E aquele servo que, perdoado de toda a dívida por
seu senhor, mas não quis perdoar o companheiro, foi lançado ao cárcere. Por não ter
querido ser indulgente com o companheiro, perdeu a indulgência com que fora tratado
por seu senhor.

Cristo propõe o perdão com preceito mais forte e censura ainda mais vigorosa: Quando
fordes orar, perdoai se tendes algo contra outro, para que vosso Pai, que está nos céus,
vos perdoe os pecados. Se, porém, não perdoardes, também vosso Pai, que está nos
céus, não vos perdoará os pecados. Não te restará a menor desculpa no dia do juízo,
quando serás julgado de acordo com tua própria sentença e o que tiveres feito, o mesmo
sofrerás.

Deus ordenou que sejamos pacíficos, concordes e unânimes em sua casa. Mandou que
sejamos tais como nos tornou pelo segundo nascimento; assim também ele nos quer
renascidos e perseverantes. Deste modo nós, filhos de Deus, permaneçamos na paz de
Deus e os que possuem um só Espírito tenham uma só alma e um só coração.

Deus não aceita o sacrifício do que vive em discórdia e ordena deixar o altar e ir
primeiro reconciliar-se com o irmão, para que, com preces pacíficas, possa Deus ser
aplacado. Maior serviço para Deus é a nossa paz e concórdia fraterna e o povo que foi
feito uno pela unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Nos sacrifícios que Abel e Caim foram os primeiros a oferecer, Deus não olhava os
dons, mas os corações, de forma que lhe agradava pelo dom aquele que lhe agradava
pelo coração. Abel, pacífico e justo, sacrificando com inocência a Deus, ensinou os
outros a depositar seus dons no altar com temor de Deus, simplicidade de coração,
empenho de justiça e de concórdia. Aquele que assim procedeu no sacrifício de Deus
tornou-se merecidamente sacrifício para Deus. Sendo o primeiro a dar a conhecer o
martírio, iniciou pela glória de seu sangue a paixão do Senhor, por ter mantido a justiça
e a paz do Senhor. Esses serão, no fim, coroados pelo Senhor; esses, no dia do juízo,
triunfarão com o Senhor.

Quanto aos discordantes, aos dissidentes, aos que não mantêm a paz com os irmãos,
mesmo que sejam mortos pelo nome de Cristo, não poderão, conforme o testemunho do
santo Apóstolo e da Sagrada Escritura, escapar do crime de desunião fraterna, pois está
escrito: Quem odeia seu irmão é homicida. Não chega ao reino dos céus nem vive com
Deus um homicida. Não pode estar com Cristo quem preferiu a imitação de Judas à de
Cristo.

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