domingo, 17 de junho de 2018

A Justificação pela Fé:





Romanos 5:1-10

1 Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo, 2 por quem obtivemos também nosso acesso pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e gloriemo-nos na esperança da glória de Deus. 3 E não somente isso, mas também gloriemo-nos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a perseverança, 4 e a perseverança a inteireza de caráter, e a inteireza de caráter a esperança; 5 e a esperança não nos desaponta, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. 6 Pois, quando ainda éramos fracos, Cristo morreu a seu tempo pelos ímpios. 7 Porque dificilmente haverá quem morra por um justo; pois poderá ser que pelo homem bondoso alguém ouse morrer. 8 Mas, Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós. 9 Logo muito mais, sendo agora justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. 10 Porque se nós, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.

A Justificação pela Fé:

A «Orthodox Study Bible» (Bíblia Ortodoxa de Estudos), traz a seguinte observação: 
«Na maior parte da história da igreja, a salvação foi vista como compreendendo toda a vida: Os cristãos criam em Cristo, eram batizados e eram nutridos em sua salvação na Igreja. Os entendimentos dos ensinamentos da fé eram centrados em torno da Santíssima Trindade, da Encarnação do Filho de Deus e da expiação. 

Na Europa Ocidental durante o século XVI e antes, no entanto, uma justificável preocupação surgiu entre os Reformadores sobre a compreensão predominante de que a salvação dependia de obras humanas meritórias, e não da graça e misericórdia de Deus. A redescoberta deles de Romanos 5 os induziu a criarem o slogan: ‘Sola Fides’ (justificação apenas pela fé). 

O debate provocado pelos Reformadores no Ocidente, despertou um questionamento no Oriente Ortodoxo: Que novidade é esta que polariza a fé e as obras? Pois, desde a Era Apostólica ficou estabelecido que a salvação foi concedida pela misericórdia de Deus para homens e mulheres justos. Todos os batizados em Cristo foram chamados a n’Ele crer e a praticar boas obras. Uma oposição de fé versus obras não tem precedentes no pensamento Ortodoxo.» 

De fato, embora o Ensino Ortodoxo fale em «justificação pela fé», no entanto, o sentido não coincide totalmente com a fala Protestante, e nem é assimilado nas nossas Paróquias, na mesma forma que se dá nas Comunidades Protestantes.  

«A justificação pela fé é dinâmica, não estática. Para os cristãos ortodoxos, a fé é viva, dinâmica, contínua, nunca estática ou meramente pontual no tempo. A fé não é algo que um cristão exerce apenas em um momento crítico, esperando que tal experiência cubra todo o resto de sua vida.  

A verdadeira fé não é apenas uma decisão, é uma forma de vida. Assim, o cristão ortodoxo vê a salvação em pelo menos três aspectos: 1. Eu fui salvo, juntando-me a Cristo no Santo Batismo; (Rom. 6:1-6); Eu estou sendo salvo, crescendo em Cristo através da vida sacramental da Igreja (Efésios 4:1-13); e serei salvo, pela misericórdia de Deus no Juízo Final (Rom. 5:1,2). 

A ‘Justificação pela Fé’, embora para os Ortodoxos não seja a principal doutrina do Novo Testamento, como é para os Protestantes, não representa nenhum problema.» (Orthodox Study Bible).  
Contudo, a Ortodoxia faz uma objeção ao ensino Protestante de uma justificação unicamente pela fé, pois isto contradiz a Escritura que afirma: 

«Vede, então, que um homem é justificado também pelas obras e não somente por fé» (Tiago 2:24). Somos "justificados pela fé, além das obras da lei" (Romanos 3:28), mas, em lugar algum a Escritura diz que somos justificados pela fé «sozinha». Pelo contrário, a fé por si, se não tem obras, «está morta» (Tiago 2:17).  

Percebendo a fragilidade do ensino da justificação tão somente pela fé, é que Martinho Lutero, para se livrar desta debilidade, resolveu desqualificar a Carta de São Tiago, chamando-a de «Epístola de Palha». E aqui está sua grande contradição: logo ele, que defendia a «Sola Escritura», quando esta contradiz o seu raciocínio, ele preferiu ficar com o seu entendimento em detrimento do ensino bíblico, desqualificando o Texto Sagrado. 

Retomando o ensino Ortodoxo. «Como cristãos, não estamos mais sob as exigências da Lei do Antigo Testamento (Rm 3:20), porque Cristo cumpriu a Lei (Gál 2,21; 3: 5, 24). Pela misericórdia de Deus, somos trazidos para um novo relacionamento em aliança com Ele. Nós, os que cremos, recebemos entrada em Seu Reino por Sua graça. Através da Sua misericórdia, somos justificados pela fé e capacitados por Deus para sempre, realizando obras ou ações de justiça que Lhe trazem glória. (Orthodox Study Bible).

Marcos Vinícius 

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