sexta-feira, 6 de abril de 2018

Grande Quinta Feira Santa Última Ceia e Instituição da Eucaristia 23 de Março -- Calendário Juliano.



Na Grande Quinta Feira Santa recordamos quatro eventos: o lava-pés, a Instituição da Santa Eucaristia durante a Última Ceia, a agonia no Jardim do Getsemani, e a traição de Judas. 

A Instituição da Eucaristia

Durante a Mística Ceia no quarto do andar superior, Jesus revelou um significado radicalmente novo para o banquete sagrado. Ele identificou a Si mesmo com o pão e o vinho. Nós aprendemos a considerar a comida como vida, pois ela sustém a nossa existência. Na Eucaristia, o pão e o vinho se tornam nossa oferenda de vida. Consagrados e santificados, este mesmo pão e vinho se tornam o Corpo e Sangue de Cristo. Esta mudança é mística e sacramental. Na Eucaristia, Deus entra em tal comunhão que alimenta a humanidade com Seu próprio Ser, enquanto continua ainda assim distinto. Nas palavras de São Máximo Confessor, Cristo ''nos transmite a vida divina, tornando-se digerível''. O Autor da vida estilhaça as limitações de nossa natureza criada. Cristo age de modo a nos fazer ''partícipes da natureza divina'' (2 Pedro 1:4). A Eucaristia está no centro da vida da Igreja. É sua atividade e oração mais profunda, sendo ao mesmo tempo a fonte e a culminação de sua vida. Na Eucaristia a Igreja manifesta sua verdadeira natureza e é continuamente transformada de comunidade humana em Corpo de Cristo, Templo do Espírito Santo e Povo de Deus. Trata-se do maior dos sacramentos [mistérios], pois completa todos os demais e recapitula inteiramente a economia da salvação. Nossa vida nova em Cristo é constantemente renovada e acrescida pela Eucaristia, que infunde-nos vida, sendo a vida dada a Vida de Deus. Na eucaristia a Igreja relembra e restabelece sacramentalmente o evento redentor da Cruz e a participação em sua Graça Salvífica. Isso não sugere que a Eucaristia tenta reproduzir um evento passado. Ela não repete o que não pode ser repetido. Antes, o alimento eucarístico é transformado concreta e realmente no Corpo e Sangue do Cordeiro de Deus, ''Que Se deu pela vida do mundo''. Cristo, o Theanthropo, continuamente se oferece aos fiéis através dos Dons consagrados, isto é, nos dá Seu próprio Corpo ressurrecto e deificado, que por nós morreu e agora vive. Assim, os fiéis retornam à Igreja toda semana não apenas para adorar Deus e ouvir sua Palavra. Eles vem, antes de tudo, para experienciar mais e mais o mistério da salvação e se tornarem unidos intimamente à Paixão e Ressurreição do Senhor Jesus Cristo. Na Eucaristia, recebemos e partilhamos o Cristo ressurrecto. Participamos em Seu sacrifício, ressurreição e Corpo deificado, ''para o perdão dos pecados e para a vida eterna'' (Divina Liturgia). Na Eucaristia, Cristo nos infunde o Espírito Santo como dom constante e permanente, nos fazendo filhos de Deus e co-herdeiros do Reino. (Romanos 8:16-17). 

O Lava-Pés

Os eventos iniciados por Jesus durante a Mística Ceia são profundamente significativos. Por meio deles os discípulos recebem a instrução e orações finais e Ele lhes revela mais uma vez Sua Filiação e Autoridade Divinas. Ao estabelecer a Eucaristia, Cristo leva à perfeição o objetivo mais íntimo de Deus para nossa salvação, ofertando a Si mesmo como Comunhão e Vida. Ao lavar os pés dos discípulos, ele resume o significado de Seu ministério, manifestando o amor perfeito e humildade profunda. O ato do lava pés (João 13:2-17) está associado ao sacrifício da Cruz. Ambos revelam aspectos da Kenosis [esvaziamento] de Cristo. Enquanto a Cruz constitui a manifestação última da obediência perfeita de Cristo ao Pai (Filipenses 2:5-8), o lava-pés significa Seu intenso amor e doação de Si mesmo para que cada pessoa se torne apta a recebê-Lo. (João 13:6-9)

A Oração no Jardim de Getsemani

Apesar de Jesus ser Filho de Deus, aceitava a integralidade da condição humana, experienciando o sofrimento e a obediência. Se despindo das prerrogativas divinas, o Filho de Deus assume o papel de um servo. Ele viveu uma existência verdadeiramente humana, ainda que sem pecado. Os eventos no Jardim de Getsemani revelam de modo dramático a natureza humana de Cristo. O sacrifício que Ele faria pela redenção dos homens era iminente. A Morte, com sua fúria e força brutal, O fitava de modo direto. Seu terrível fardo -- resultado calamitoso do Pecado Ancestral -- causou a Cristo intensa tristeza e dor (Hebreus 5:7). Instintivamente, como homem Ele desejava escapar. Pois o homem não havia sido criado para a morte, que repugna sua natureza. Ele se encontrava em um momento de decisão, e em Sua agonia orou ao Pai. Sua oração revela as profundezas de Sua agonia e tristeza, como também sua força espiritual incomparável e desejo e decisão inamovível de cumprir a Vontade do Pai. Jesus ofertou Seu amor e confiança incondicionais no Pai. Alcançou os limites extremos da auto-negação -- ''que seja feita não a minha vontade'' -- de modo a realizar a Vontade do Pai. Sua aceitação da morte não foi uma forma de passividade e resignação estoica mas um ato de obediência e amor absolutos. Naquele momento decisivo, quando Ele declara que aceita a morte, Cristo quebra o poder do medo com todas as incertezas, ansiedades e limitações que ele traz. 

A Traição

Judas traiu Cristo com um beijo, um sinal de amizade e de amor. A traição e crucificação de Cristo levou o pecado ancestral ao seu limite extremo. Nestes dois atos, a rebelião contra Deus alcançou sua capacidade máxima. A sedução do homem no Paraíso culminou com a morte de Deus na carne. Para se tornar vitorioso, o mal deveria extinguir a luz e desacreditar o bem. No fim, entretanto, isso se mostrou uma mentira, um absurdo e simples loucura. A morte e ressurreição de Cristo tornaram o mal impotente. Na Grande Quinta, luz e trevas, alegria e tristeza estão estranhamente misturadas. No quarto do andar superior e no Getsemani a luz do Reino e as trevas do inferno emergem simultaneamente. O caminho da vida e o caminho da morte convergem. Nós os encontramos juntos em nossa jornada. Em meio às armadilhas e tentações que nos circundam no mundo e em nós mesmos, devemos estar preparados para viver em comunhão com tudo o que é bom, nobre, natural e sem pecado, nos moldando, pela Graça de Deus, na semelhança de Cristo.

LEITURAS

Matinas

Aproximava-se a festa dos pães sem fermento, chamada Páscoa. Os príncipes dos sacerdotes e os escribas buscavam um meio de matar Jesus, mas temiam o povo. Entretanto, Satanás entrou em Judas, que tinha por sobrenome Iscariotes, um dos Doze. Judas foi procurar os príncipes dos sacerdotes e os oficiais para se entender com eles sobre o modo de lho entregar. Eles se alegraram com isso, e concordaram em lhe dar dinheiro. Também ele se obrigou. E buscava ocasião oportuna para o trair, sem que a multidão o soubesse. Raiou o dia dos pães sem fermento, em que se devia imolar a Páscoa. Jesus enviou Pedro e João, dizendo: Ide e preparai-nos a ceia da Páscoa. Perguntaram-lhe eles: Onde queres que a preparemos? Ele respondeu: Ao entrardes na cidade, encontrareis um homem carregando uma bilha de água; segui-o até a casa em que ele entrar, e direis ao dono da casa: O Mestre pergunta-te: Onde está a sala em que comerei a Páscoa com os meus discípulos? Ele vos mostrará no andar superior uma grande sala mobiliada, e ali fazei os preparativos. Foram, pois, e acharam tudo como Jesus lhes dissera; e prepararam a Páscoa. Chegada que foi a hora, Jesus pôs-se à mesa, e com ele os apóstolos. Disse-lhes: Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer. Pois vos digo: não tornarei a comê-la, até que ela se cumpra no Reino de Deus. Pegando o cálice, deu graças e disse: Tomai este cálice e distribuí-o entre vós. Pois vos digo: já não tornarei a beber do fruto da videira, até que venha o Reino de Deus. Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Do mesmo modo tomou também o cálice, depois de cear, dizendo: Este cálice é a Nova Aliança em meu sangue, que é derramado por vós...Entretanto, eis que a mão de quem me trai está à mesa comigo. O Filho do Homem vai, segundo o que está determinado, mas ai daquele homem por quem ele é traído! Perguntavam então os discípulos entre si quem deles seria o que tal haveria de fazer. Surgiu também entre eles uma discussão: qual deles seria o maior. E Jesus disse-lhes: Os reis dos pagãos dominam como senhores, e os que exercem sobre eles autoridade chamam-se benfeitores. Que não seja assim entre vós; mas o que entre vós é o maior, torne-se como o último; e o que governa seja como o servo. Pois qual é o maior: o que está sentado à mesa ou o que serve? Não é aquele que está sentado à mesa? Todavia, eu estou no meio de vós, como aquele que serve. E vós tendes permanecido comigo nas minhas provações; eu, pois, disponho do Reino a vosso favor, assim como meu Pai o dispôs a meu favor, para que comais e bebais à minha mesa no meu Reino e vos senteis em tronos, para julgar as doze tribos de Israel. Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como o trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua confiança não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos. Pedro disse-lhe: Senhor, estou pronto a ir contigo tanto para a prisão como para a morte. Jesus respondeu-lhe: Digo-te, Pedro, não cantará hoje o galo, até que três vezes hajas negado que me conheces. Depois ajuntou: Quando vos mandei sem bolsa, sem mochila e sem calçado, faltou-vos porventura alguma coisa? Eles responderam: Nada. Mas agora, disse-lhes ele, aquele que tem uma bolsa, tome-a; aquele que tem uma mochila, tome-a igualmente; e aquele que não tiver uma espada, venda sua capa para comprar uma. Pois vos digo: é necessário que se cumpra em mim ainda este oráculo: E foi contado entre os malfeitores (Is 53,12). Com efeito, aquilo que me diz respeito está próximo de se cumprir. Eles replicaram: Senhor, eis aqui duas espadas. Basta, respondeu ele. Conforme o seu costume, Jesus saiu dali e dirigiu-se para o monte das Oliveiras, seguido dos seus discípulos.

[Evangelho de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo segundo o Bem Aventurado Evangelista São Lucas 22:1 a 39]

HORA PRIMEIRA

Instruído pelo Senhor, eu o desvendei. Vós me fizestes conhecer seus intentos. E eu, qual manso cordeiro conduzido à matança, ignorava as maquinações tramadas contra mim: destruamos a árvore em seu vigor. Arranquemo-la da terra dos vivos, e que seu nome caia no esquecimento. Vós sois, porém, Senhor dos exércitos, justo juiz que sondais os rins e os corações. Serei testemunha da vingança que tomarei deles e a vós confio minha causa. Eis por que assim se pronunciou o Senhor contra os habitantes de Anatot que conspiram contra a minha vida, dizendo: Cessa de proclamar oráculos em nome do Senhor, se não queres perecer em nossas mãos. Por isso, assim falou o Senhor dos exércitos: Vou castigá-los. Vão tombar os jovens sob a espada, e seus filhos e filhas perecerão de fome. Ninguém escapará, porquanto, assim que chegar o ano do castigo, mandarei desabar a tormenta sobre os habitantes de Anatot. Sois sumamente justo, Senhor, para que eu entre em disputa convosco. Entretanto, em espírito de justiça, desejaria falar-vos. Por que alcançam bom êxito os maus em tudo quanto empreendem? E por que razão vivem felizes os pérfidos? Vós os plantastes, e eles criam raízes, crescem e frutificam. Permaneceis em seus lábios; longe, porém, dos corações. Mas vós, Senhor, me conheceis e me vedes, e sondais os sentimentos do meu coração a vosso respeito. Arrebatai-os, quais carneiros para a matança, e consagrai-os em vista ao massacre. Até quando permanecerá a terra em luto, e há de secar a erva dos campos? Por causa da maldade dos homens que nela habitam, animais e pássaros perecem, por haverem dito: Não verá o Senhor o nosso fim. Se te afadigas em correr com os que andam a pé, como poderás lutar com os (que vão a) cavalo? Se não te sentes em segurança senão em terra tranqüila, que farás na selva do Jordão? [...]Será minha herança qual abutre matizado cercado de aves de rapina? Vamos! Reuni todos os animais selvagens, e conduzi-os à carniça! Pastores, em grande número, destruíram minha vinha, e pisaram minhas terras, transformando em horrível deserto minha encantadora propriedade. Tornaram-na uma solidão e apresentaram-na a meus olhos enlutada e devastada. Desolada ficou toda a terra, pois que ninguém mais a toma a peito. [...] Eis o que diz o Senhor contra todos os meus maus vizinhos que usurpam a herança que eu dera a meu povo de Israel: vou arrancá-los de suas terras, e do meio deles apartar a tribo de Judá. Quando os houver, porém, arrancado, apiedar-me-ei deles novamente e os reconduzirei cada um à sua herança, cada um à sua terra.

[Jeremias 11:18 a 12:5, 9 a 11 e 14 a 15]

VÉSPERAS

o qual lhe disse: “Vai ter com o povo, e santifica-o hoje e amanhã. Que lavem as suas vestes e estejam prontos para o terceiro dia, porque, depois de amanhã, o Senhor descerá à vista de todo o povo sobre o monte Sinai. Fixarás ao redor limites ao povo, e dir-lhe-ás: guardai-vos de subir o monte ou de tocar a sua base! Se alguém tocar o monte, será morto. Não se lhe tocará com a mão, mas ele será apedrejado ou perecerá pelas flechas: homem ou animal, não ficará vivo. Quando soar a trombeta, (somente então) subirão eles ao monte”. Moisés desceu do monte para junto do povo e o santificou; e lavaram as suas vestes. Em seguida, disse-lhes: “Estai prontos para depois de amanhã, não vos aproximeis de mulher alguma”. Na manhã do terceiro dia, houve um estrondo de trovões e de relâmpagos; uma espessa nuvem cobria a montanha e o som da trombeta soou com força. Toda a multidão que estava no acampamento tremia. Moisés levou o povo para fora do acampamento ao encontro de Deus, e pararam ao pé do monte. Todo o monte Sinai fumegava, porque o Senhor tinha descido sobre ele no meio de chamas; o fumo que subia do monte era como a fumaça de uma fornalha, e toda a montanha tremia com violência. O som da trombeta soava ainda mais forte; Moisés falava e os trovões divinos respondiam-lhe.

[Êxodo 19:10 a 19]

Então, do seio da tempestade, o Senhor deu a Jó esta resposta: Quem é aquele que obscurece assim a Providência com discursos sem inteligência? Cinge os teus rins como um homem; vou interrogar-te e tu me responderás. Onde estavas quando lancei os fundamentos da terra? Fala, se estiveres informado disso. Quem lhe tomou as medidas, já que o sabes? Quem sobre ela estendeu o cordel? Sobre que repousam suas bases? Quem colocou nela a pedra de ângulo, sob os alegres concertos dos astros da manhã, sob as aclamações de todos os filhos de Deus? Quem fechou com portas o mar, quando brotou do seio maternal, quando lhe dei as nuvens por vestimenta, e o enfaixava com névoas tenebrosas; quando lhe tracei limites, e lhe pus portas e ferrolhos, dizendo: Chegarás até aqui, não irás mais longe; aqui se deterá o orgulho de tuas ondas? Algum dia na vida deste ordens à manhã? Indicaste à aurora o seu lugar, para que ela alcançasse as extremidades da terra, e dela sacudisse os maus, para que ela tome forma como a argila de sinete e tome cor como um vestido, para que seja recusada aos maus a sua luz, e sejam quebrados seus braços já erguidos? Foste até as fontes do mar? Passaste até o fundo do abismo? Apareceram-te, porventura, as portas da morte? Viste, por acaso, as portas da tenebrosa morada? Abraçaste com o olhar a extensão da terra? Fala, se sabes tudo isso! Qual é o caminho da morada luminosa? Onde é a residência das trevas? Poderias alcançá-la em seu domínio, e reconhecer as veredas de sua morada? Deverias sabê-lo, pois já tinhas nascido: são tão numerosos os teus dias! Penetraste nos depósitos da neve? Visitaste os armazéns dos granizos, que reservo para os tempos de tormento, para os dias de luta e de batalha? [...] Jó respondeu ao Senhor nestes termos: Sei que podes tudo, que nada te é muito difícil. Quem é que obscurece assim a Providência com discursos ininteligíveis? É por isso que falei, sem compreendê-las, maravilhas que me superam e que não conheço. Escuta-me, deixa-me falar: vou interrogar-te, tu me responderás. Meus ouvidos tinham escutado falar de ti, mas agora meus olhos te viram.

[Jó 38:1 a 23 e 42:1 a 5]

O Senhor Deus deu-me a língua de um discípulo para que eu saiba reconfortar pela palavra o que está abatido. Cada manhã ele desperta meus ouvidos para que escute como discípulo; (o Senhor Deus abriu-me o ouvido) e eu não relutei, não me esquivei. Aos que me feriam, apresentei as espáduas, e as faces àqueles que me arrancavam a barba; não desviei o rosto dos ultrajes e dos escarros. Mas o Senhor Deus vem em meu auxílio: eis por que não me senti desonrado; enrijeci meu rosto como uma pedra, convicto de não ser desapontado. Aquele que me fará justiça aí está. Quem ousará atacar-me? Vamos medir-nos! Quem será meu adversário? Que se apresente! O Senhor Deus vem em meu auxílio: quem ousaria condenar-me? Cairão em frangalhos como um manto velho; a traça os roerá. Que aqueles dentre vós que temem o Senhor ouçam a voz de seu Servo! Que aqueles que caminham no escuro, privados de luz, confiem no nome do Senhor e contem com o seu Deus! Mas vós, que ateais um incêndio, que preparais projéteis inflamáveis, ide ao fogo do vosso incêndio, e dos projéteis que fizestes arder! É minha mão que vos imporá esse tratamento: sereis prostrados nos tormentos.

[Isaías 50:4 a 11]

LITURGIA DE SÃO BASÍLIO

Eu recebi do Senhor o que vos transmiti: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão e, depois de ter dado graças, partiu-o e disse: Isto é o meu corpo, que é entregue por vós; fazei isto em memória de mim. Do mesmo modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue; todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de mim. Assim, todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice lembrais a morte do Senhor, até que venha. Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor. Que cada um se examine a si mesmo, e assim coma desse pão e beba desse cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação. Esta é a razão por que entre vós há muitos adoentados e fracos, e muitos mortos. Se nos examinássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, sendo julgados pelo Senhor, ele nos castiga para não sermos condenados com o mundo.

[1 Coríntios 11:23 a 32]

Quando Jesus acabou todos esses discursos, disse a seus discípulos: Sabeis que daqui a dois dias será a Páscoa, e o Filho do Homem será traído para ser crucificado. Então os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo reuniram-se no pátio do sumo sacerdote, chamado Caifás, deliberaram sobre os meios de prender Jesus por astúcia e de o matar. E diziam: Sobretudo, não seja durante a festa. Poderá haver um tumulto entre o povo. Encontrava-se Jesus em Betânia, na casa de Simão, o leproso. Estando à mesa, aproximou-se dele uma mulher com um vaso de alabastro, cheio de perfume muito caro, e derramou-o na sua cabeça. Vendo isto, os discípulos disseram indignados: Para que este desperdício? Poder-se-ia vender este perfume por um bom preço e dar o dinheiro aos pobres. Jesus ouviu-os e disse-lhes: Por que molestais esta mulher? É uma ação boa o que ela me fez. Pobres vós tereis sempre convosco. A mim, porém, nem sempre me tereis. Derramando esse perfume em meu corpo, ela o fez em vista da minha sepultura. Em verdade eu vos digo: em toda parte onde for pregado este Evangelho pelo mundo inteiro, será contado em sua memória o que ela fez. Então um dos Doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os príncipes dos sacerdotes e perguntou-lhes: Que quereis dar-me e eu vo-lo entregarei. Ajustaram com ele trinta moedas de prata. E desde aquele instante, procurava uma ocasião favorável para entregar Jesus. No primeiro dia dos Ázimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: Onde queres que preparemos a ceia pascal? Respondeu-lhes Jesus: Ide à cidade, à casa de um tal, e dizei-lhe: O Mestre manda dizer-te: Meu tempo está próximo. É em tua casa que celebrarei a Páscoa com meus discípulos. Os discípulos fizeram o que Jesus tinha ordenado e prepararam a Páscoa. Ao declinar da tarde, pôs-se Jesus à mesa com os doze discípulos.

[Evangelho de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo segundo o Bem Aventurado Evangelista São Mateus 26:1 a 20]

sabendo Jesus que o Pai tudo lhe dera nas mãos, e que saíra de Deus e para Deus voltava, levantou-se da mesa, depôs as suas vestes e, pegando duma toalha, cingiu-se com ela. Em seguida, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido. Chegou a Simão Pedro. Mas Pedro lhe disse: Senhor, queres lavar-me os pés!...Respondeu-lhe Jesus: O que faço não compreendes agora, mas compreendê-lo-ás em breve. Disse-lhe Pedro: Jamais me lavarás os pés!... Respondeu-lhe Jesus: Se eu não tos lavar, não terás parte comigo. Exclamou então Simão Pedro: Senhor, não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça. Disse-lhe Jesus: Aquele que tomou banho não tem necessidade de lavar-se; está inteiramente puro. Ora, vós estais puros, mas nem todos!...Pois sabia quem o havia de trair; por isso, disse: Nem todos estais puros. Depois de lhes lavar os pés e tomar as suas vestes, sentou-se novamente à mesa e perguntou-lhes: Sabeis o que vos fiz? Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou. Logo, se eu, vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais também vós. Em verdade, em verdade vos digo: o servo não é maior do que o seu Senhor, nem o enviado é maior do que aquele que o enviou. Se compreenderdes estas coisas, sereis felizes, sob condição de as praticardes.

[Evangelho de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo segundo o Bem Aventurado Evangelista São João 13:3 a 17]

Durante a ceia, disse: Em verdade vos digo: um de vós me há de trair. Com profunda aflição, cada um começou a perguntar: Sou eu, Senhor? Respondeu ele: Aquele que pôs comigo a mão no prato, esse me trairá. O Filho do Homem vai, como dele está escrito. Mas ai daquele homem por quem o Filho do Homem é traído! Seria melhor para esse homem que jamais tivesse nascido! Judas, o traidor, tomou a palavra e perguntou: Mestre, serei eu? Sim, disse Jesus. Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é meu corpo. Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos, porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados. Digo-vos: doravante não beberei mais desse fruto da vinha até o dia em que o beberei de novo convosco no Reino de meu Pai. Depois do canto dos Salmos, dirigiram-se eles para o monte das Oliveiras. Disse-lhes então Jesus: Esta noite serei para todos vós uma ocasião de queda; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho serão dispersadas (Zc 13,7). Mas, depois da minha Ressurreição, eu vos precederei na Galiléia. Pedro interveio: Mesmo que sejas para todos uma ocasião de queda, para mim jamais o serás. Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo: nesta noite mesma, antes que o galo cante, três vezes me negarás. Respondeu-lhe Pedro: Mesmo que seja necessário morrer contigo, jamais te negarei! E todos os outros discípulos diziam-lhe o mesmo. Retirou-se Jesus com eles para um lugar chamado Getsêmani e disse-lhes: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar. E, tomando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. Disse-lhes, então: Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai comigo. Adiantou-se um pouco e, prostrando-se com a face por terra, assim rezou: Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres.

[Evangelho de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo segundo o Bem Aventurado Evangelista São Mateus 26:21 a 39]

Apareceu-lhe então um anjo do céu para confortá-lo. Ele entrou em agonia e orava ainda com mais instância, e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra. Depois de ter rezado, levantou-se, foi ter com os discípulos e achou-os adormecidos de tristeza.

[Evangelho de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo segundo o Bem Aventurado Evangelista São Lucas 22:43 a 45]

Foi ter então com os discípulos e os encontrou dormindo. E disse a Pedro: Então não pudestes vigiar uma hora comigo...Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca. Afastou-se pela segunda vez e orou, dizendo: Meu Pai, se não é possível que este cálice passe sem que eu o beba, faça-se a tua vontade! Voltou ainda e os encontrou novamente dormindo, porque seus olhos estavam pesados. Deixou-os e foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras. Voltou então para os seus discípulos e disse-lhes: Dormi agora e repousai! Chegou a hora: o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores...Levantai-vos, vamos! Aquele que me trai está perto daqui. Jesus ainda falava, quando veio Judas, um dos Doze, e com ele uma multidão de gente armada de espadas e cacetes, enviada pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo. O traidor combinara com eles este sinal: Aquele que eu beijar, é ele. Prendei-o! Aproximou-se imediatamente de Jesus e disse: Salve, Mestre. E beijou-o. Disse-lhe Jesus: É, então, para isso que vens aqui? Em seguida, adiantaram-se eles e lançaram mão em Jesus para prendê-lo. Mas um dos companheiros de Jesus desembainhou a espada e feriu um servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha. Jesus, no entanto, lhe disse: Embainha tua espada, porque todos aqueles que usarem da espada, pela espada morrerão. Crês tu que não posso invocar meu Pai e ele não me enviaria imediatamente mais de doze legiões de anjos? Mas como se cumpririam então as Escrituras, segundo as quais é preciso que seja assim? Depois, voltando-se para a turba, falou: Saístes armados de espadas e porretes para prender-me, como se eu fosse um malfeitor. Entretanto, todos os dias estava eu sentado entre vós ensinando no templo e não me prendestes. Mas tudo isto aconteceu porque era necessário que se cumprissem os oráculos dos profetas. Então os discípulos o abandonaram e fugiram. Os que haviam prendido Jesus levaram-no à casa do sumo sacerdote Caifás, onde estavam reunidos os escribas e os anciãos do povo. Pedro seguia-o de longe, até o pátio do sumo sacerdote. Entrou e sentou-se junto aos criados para ver como terminaria aquilo. Enquanto isso, os príncipes dos sacerdotes e todo o conselho procuravam um falso testemunho contra Jesus, a fim de o levarem à morte. Mas não o conseguiram, embora se apresentassem muitas falsas testemunhas. Por fim, apresentaram-se duas testemunhas, que disseram: Este homem disse: Posso destruir o templo de Deus e reedificá-lo em três dias. Levantou-se o sumo sacerdote e lhe perguntou: Nada tens a responder ao que essa gente depõe contra ti? Jesus, no entanto, permanecia calado. Disse-lhe o sumo sacerdote: Por Deus vivo, conjuro-te que nos digas se és o Cristo, o Filho de Deus? Jesus respondeu: Sim. Além disso, eu vos declaro que vereis doravante o Filho do Homem sentar-se à direita do Todo-poderoso, e voltar sobre as nuvens do céu. A estas palavras, o sumo sacerdote rasgou suas vestes, exclamando: Que necessidade temos ainda de testemunhas? Acabastes de ouvir a blasfêmia! Qual o vosso parecer? Eles responderam: Merece a morte! Cuspiram-lhe então na face, bateram-lhe com os punhos e deram-lhe tapas, dizendo: Adivinha, ó Cristo: quem te bateu? Enquanto isso, Pedro estava sentado no pátio. Aproximou-se dele uma das servas, dizendo: Também tu estavas com Jesus, o Galileu. Mas ele negou publicamente, nestes termos: Não sei o que dizes. Dirigia-se ele para a porta, a fim de sair, quando outra criada o viu e disse aos que lá estavam: Este homem também estava com Jesus de Nazaré. Pedro, pela segunda vez, negou com juramento: Eu nem conheço tal homem. Pouco depois, os que ali estavam aproximaram-se de Pedro e disseram: Sim, tu és daqueles; teu modo de falar te dá a conhecer. Pedro então começou a fazer imprecações, jurando que nem sequer conhecia tal homem. E, neste momento, cantou o galo. Pedro recordou-se do que Jesus lhe dissera: Antes que o galo cante, negar-me-ás três vezes. E saindo, chorou amargamente. Chegando a manhã, todos os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo reuniram-se em conselho para entregar Jesus à morte. Ligaram-no e o levaram ao governador Pilatos.

[Evangelho de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo segundo o Bem Aventurado Evangelista São Mateus 26:40 a 27:2]

[ícones da Última Ceia, do Lava Pés, da Oração de Cristo no Getsemani e da Traição de Judas]







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