terça-feira, 17 de abril de 2018

São José, o Hinógrafo 04 de abril -- Calendário Juliano.



José, o Hinógrafo, ''o doce rouxinol da Igreja'', nasceu em uma piedosa família da Sicília em 816. Seus pais, Plotino e Agatha, se moveram para o Peloponeso para se salvarem das invasões bárbaras. Quando completou quinze anos, José partiu para Tessalônica e entrou no Mosteiro de Latomos. Lá se distinguiu por sua grande piedade, seu amor pelo trabalho, sua humildade, e conquistou a boa vontade de toda a comunidade. Mais tarde, foi ordenado presbítero. 

São Gregório, o Decapolita, comemorado em 20 de novembro, visitou o mosteiro e tomou conhecimento do jovem monge, levando-o então para Constantinopla. Ali se estabeleceram próximos à Igreja dos Santos Mártires Sérgio e Baco. Tal se sucedeu durante o reinado do Imperador Leo, o Armênio [813-820], um período de intensa perseguição iconoclasta. 

São Gregório e José defenderam sem temor a veneração dos santos ícones. Pregavam nas praças das cidades e visitavam os lares dos Ortodoxos, encorajando-os contra os hereges. A Igreja de Constantinopla se encontrava em uma posição muito grave, pois não apenas o Imperador mas também o Patriarca caíram na heresia. Neste momento, o Papa Leo III prestou grande serviço à Igreja, e São José foi escolhido pelos monges como mensageiro a fim de solicitar a ajuda do Bispo de Roma. São Gregório o abençoou em sua viagem a Roma com o objetivo de relatar as atrocidades iconoclastas e os perigos à Ortodoxia. 

Durante a viagem, São José foi capturado por brigadas de árabes que trabalhavam como mercenários para os Iconoclastas. Eles o levaram para Creta e o entregaram nas mãos dos hereges, que, por sua vez, o encarceraram. Suportando corajosamente todas as tribulações, o santo encorajava os demais prisioneiros. Por suas orações, um Bispo que começava a fraquejar fortaleceu seu coração e se tornou um mártir da Fé. 

Depois de seis anos na prisão, em uma noite da Natividade de Cristo, em 820, o monge recebeu a visão de São Nicolau de Myra, que o avisou da morte do Imperador Leo, o Armênio, e do fim da perseguição. São Nicolau lhe entregou um rolo de papiro e lhe disse para comê-lo. Após comê-lo, São Nicolau lhe pediu que cantasse as palavras que tinha lido. Após isto, as portas da prisão foram abertas, e São João saiu dali e, transportado pelo ar, foi colocado em uma estrada próxima à Constantinopla e que levava até a cidade. 

Quando chegou à cidade, São José soube que São Gregório Decapolita não se encontrava mais entre os vivos. Construiu uma Igreja em homenagem ao seu pai espiritual, e um mosteiro foi fundado próximo a ela. Também construiu uma Igreja em homenagem ao Santo Apóstolo Bartolomeu, cujas relíquias lhes foram entregues por um homem virtuoso. Ao perceber que não havia cânone sobre o Santo Apóstolo, resolveu enfeitar a festa a ele dedicada com hinos. Por quarenta dias orou repleto de lágrimas, se preparando para a Festa do Santo Apóstolo. Na véspera da comemoração, São Bartolomeu apareceu a ele no altar, pressionou o Santo Evangelho no peito de José e o abençoou para que compusesse hinos para a Igreja. Após esta miraculosa aparição, São José compôs um Cânone para São Bartolomeu, e a partir daí realizou outros hinos em honra da Mãe de Deus, dos santos, de São Nicolau e outros. 

Durante o revival da heresia iconoclasta durante o Imperador Teófilo [829-842], São José mais uma vez sofreu nas mãos dos hereges. Foi exilado em Cherson por onze anos. Mas quando a veneração dos santos ícones foi restabelecida pela Santa Imperatriz Theodora, comemorada em 11 de fevereiro, São José se tornou guardião dos vasos sagrados de Hagia Sophia. Mas, pela denúncia que fez contra o irmão da Imperatriz, Bardas, que vivia em concubinato ilegal, o santo foi mais uma vez exilado e só retornou a Constantinopla com a morte de seu algoz, em 867. O Santo Patriarca Fócio, comemorado em 6 de fevereiro, restaurou-lhe em sua posição e o tornou Padre Confessor de todo o clero de Tsar'Grad. 

Tendo alcançado uma idade avançada, São João ficou doente. Recebeu em sonho o aviso da proximidade de sua morte, e se preparou para ela orando intensamente, não por si mesmo, mas pela paz da Igreja e pela Misericórdia de Deus. Tendo recebido os divinos Mistérios, abençoou a todos que se encontravam ao seu redor e adormeceu no Senhor. Os coros dos anjos, glorificados por São José em vida, levaram sua alma em triunfo para o Paraíso. A maior parte dos cânones do Menaion são trabalhos de São João, que também compôs muitos hinos no Parakletiko.



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