domingo, 1 de abril de 2018

Sábado de Lázaro 18 de Março -- Calendário Juliano.



No sábado anterior à Semana Santa, a Igreja comemora uma das maiores festas do ano, o milagre de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo quando ressuscita Lázaro depois que este já se encontrava morto há quatro dias. 

No fim da Grande Quaresma e dos quarenta dias de jejum e penitência, a Igreja combina esta celebração com a do Domingo de Ramos. Em alegria e triunfo, a Igreja testemunha o poder de Cristo sobre a morte e O exalta como Rei antes do início da semana mais solene do ano, aquela que guia o fiel na recordação de Seu sofrimento e morte e que é concluída com a grande e gloriosa festa da Páscoa. 

A alegria que permeia e ilumina o ofício do Sábado de Lázaro tem um tema principal: a proximidade da vitória de Cristo sobre o Hades. ''Hades'' é o termo bíblico para o poder universal da Morte, para a escuridão inescapável que engole toda a vida e que com sua sombra envenena todo o mundo. Mas agora -- com a ressurreição de Lázaro -- ''a morte começa a tremer''. Um duelo decisivo entre a Vida e a Morte se inicia, nos dando a chave para o mistério litúrgico inteiro da Páscoa. 

Já no quarto século o Sábado de Lázaro era chamado de ''anúncio da Páscoa''. Pois, de fato, anuncia e antecipa a luz maravilhosa e a Paz do próximo Sábado, o Grande Sábado, o dia da tumba vivificante. 

Em uma narrativa cuidadosamente detalhada, o Evangelho relata como Cristo, seis dias antes de sua própria morte, e com consciência singular do povo que ali se encontrava, para que cressem que Ele havia sido enviado pelo Pai, foi à casa de seu amigo recém-falecido, Lázaro de Betânia. 

O Senhor adiou deliberadamente sua viagem, dando aos discípulos as notícias da morte de seu amigo. Quando chegou em Betânia, Lázaro já se encontrava morto há alguns dias -- fato que é enfatizado pelo Evangelho e pelos hinos da Igreja. 

A condição de Lázaro ressalta a terrível realidade da morte. O homem, criado por Deus à Sua imagem e semelhança, é um ser espiritual e material, uma unidade de corpo e alma. A morte é a destruição desta unidade. A alma sem o corpo é como um fantasma, conforme diz um teólogo ortodoxo; o corpo, sem a alma, é um cadáver. 

''Choro e me lamurio quando penso na morte e vejo nossa beleza, formada na imagem de Deus, jazendo na tumba, desonrada, desfigurada, desprovida de forma''. Este é um hino de São João Damasceno nos serviços fúnebres da Igreja. O ''mistério'' da morte é o destino inevitável do homem decaído e cego por seu orgulho. 

Com simplicidade épica o Evangelho recorda que, ao chegar na cena do fim horrível de seu amigo, ''Jesus chorou'' (João 11:35). Neste momento, Lázaro, amigo de Cristo, é o tipo de todos os homens, e Betânia é o centro místico do mundo. Jesus chorou ao ver a criação ''toda boa'' e seu Rei, o homem, ''criado através dele'' (João 1:3) para a beatitude, vida e luz, agora em um túmulo selado, em uma tumba fora da cidade, removida da plenitude da vida para a qual foi criado, e se decompondo na escuridão, no desespero e na morte. 

Quando a pedra que fechava a tumba é removida, Jesus orou ao Seu Pai e exclamou em alta voz, ''Lázaro, vem para fora''. O ícone da festa mostra este momento particular, quando Lázaro aparece na entrada da tumba. Ele ainda carrega as roupas mortuárias, e seus amigos, que estavam apertando o nariz por causa do cheiro do cadáver, irão retirar as faixas e lençóis que o envolviam. 

Cristo apresenta ao mundo um fato observável: às vésperas de Sua paixão e morte, ressuscita um homem morto há quatro dias! É uma profecia na forma de uma ação. Prefigura a própria Ressurreição de Cristo oito dias depois, e ao mesmo tempo antecipa a ressurreição de todos os justos no Último Dia: Lázaro é o ''primeiro fruto salvífico da regeneração do mundo''. 

As pessoas estavam estupefatas. Muitos acreditaram imediatamente em Jesus e uma grande multidão começou a se reunir em torno dele na medida em que as notícias da ressurreição de Lázaro se espalhavam. A Entrada Triunfal em Jerusalém ocorreria no dia seguinte.

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