Depois que Cristo ressuscitou dos mortos, Ele deixou de lado todas as Suas paixões, quero dizer, Sua corrupção, ou fome ou sede, sono ou cansaço ou algo parecido. Pois, embora Ele provasse o alimento depois da Ressurreição [Lucas 24:43], ainda assim Ele não o fez porque era uma lei de Sua natureza (porque Ele não sentia fome), mas no caminho da economia, para que Ele pudesse nos convencer da realidade da Ressurreição, e que era a própria e mesma carne que sofreu e ressuscitou. Mas Ele não deixou de lado nenhuma das divisões de Sua natureza, nem corpo, nem espírito, mas possui tanto o corpo quanto a alma inteligente e racional, volitiva e energética, e deste modo Ele se senta à direita do Pai, usando a Sua vontade tanto como Deus, como homem, em favor da nossa salvação, energizando em Sua capacidade divina para prover, manter e governar todas as coisas, e lembrando em Sua capacidade humana o tempo que Ele passou na terra, enquanto a todo tempo Ele vê e sabe que Ele é adorado por toda a criação racional. Pois Seu Espírito Santo sabe que Ele é um em substancia com Deus, o Verbo, e compartilha como Espírito de Deus e não simplesmente como Espírito, o culto concedido a Ele. Além disso, Sua ascensão da terra para o céu, e novamente, Sua descida do céu para a terra, são manifestações das energias de Seu corpo circunscrito. Pois Ele voltará a vós, da mesma maneira como O vistes ir para o céu (At 1:11).
Consideramos, além disso, que Cristo está sentado no corpo à direita de Deus Pai, mas não sustentamos que a mão direita do Pai seja um lugar real. Pois como poderia Ele, que é incircunciso, ter uma mão direita limitada por um lugar? As mãos direita e esquerda pertencem ao que está circunscrito. Mas entendemos que a mão direita do Pai é a glória e a honra da Divindade em que o Filho de Deus, que existia como Deus antes dos séculos, e é da mesma essência do Pai, e no final Se tornou carne, tem um assento no corpo, Sua carne, participando da glória. Pois Ele juntamente com Sua carne é adorado com uma adoração por toda a criação.
Retirado de “Exposição da Fé Ortodoxa” (Livro IV, cap.1-2).

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