domingo, 18 de fevereiro de 2018

Quarta-feira de Cinzas




O rito da benção das Cinzas abre oficialmente a Grande Quaresma, já começada a á meio-noite. Os Santos Padres dos primeiros séculos fazem frequentemente referencias á penitencia in cinere et cilício (em saco e cinza) dos cristãos, aliás, já em uso entre os hebreus “Por isso, agora – oráculo do |Senhor – voltai a mim de todo o vosso coração, com jejuns, lagrimas e gemidos de luto. Rasgai vossos corações e não vossas vestes; voltai ao Senhor vosso Deus, por que ele é bom e compassivo, longânime e indulgente, proto a arrepender do castigo que aflige”  (Jo 2: 12-13).  A verdadeira penitência publica e oficial foi introduzida na Igreja no século V e VI.

O período da penitência  canônica começa  na Quarta feria de Cinzas e estendia-se até a Quarta-feira Santa. Em Roma, no século VII, os penitentes se apresentavam aos Sacerdotes a isso delegados, faziam confissão e, se era só  o caso, recebiam uma veste de saco, coberta de cinzas, ficando impedidos de entrar na igreja e com ordem de retirar-se a algum mosteiro onde pudessem cumprir a  penitência da Grande Quaresma.
Em outros lugares, os penitentes cumpriam na própria casa a penitência imposta. E, porém, uso geral começar a Grande Quaresma com a confissão, não só para purificar a alma, mas também para poder receber mais frequentemente os Santos Mistérios no período sagrado.

No século X, caindo em desuso à penitência publica, introduziu-se o costume de impor as cinzas também aos fieis, uso que bem cedo se generalizou e foi aprovado por Urbano II (1042-1099).
As Cinzas se obtém queimando as palmas e oliveiras bentas no ano precedente no Domingo de Ramos, são símbolo da morte e da caducidade das criaturas, (as quais o pecador se volta quando comete o pecado): elas mesmas admoestam-no a voltar a Deus com a  penitência  sacramental e a humanidade. Aos fiéis que as recebem com devoção, o sacramental da imposição das Cinzas obtém a verdadeira compunção, o perdão dos pecados, a saúde da alma  e do corpo, a vitoria sobre os espíritos  malignos e, sobretudo, a graça que santifica a Grande Quaresma.

Marcos Vinícius Faria de Moraes


Bibliografia:


GRAMAGLIA, pe. Irineu; DALBOSCO, fr. Pascoal. Missal Romano. 3ª Edição. São Paulo: Editoras Paulinas, 1963.


JARUSSI, p. Gerardus. Bíblia Ave Maria. 176ª Edição. São Paulo: Editora Ave Maria, 2007.






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