O rito da benção das
Cinzas abre oficialmente a Grande Quaresma, já começada a á meio-noite. Os
Santos Padres dos primeiros séculos fazem frequentemente referencias á
penitencia in
cinere et cilício (em saco e cinza) dos cristãos, aliás, já em
uso entre os hebreus “Por isso, agora –
oráculo do |Senhor – voltai a mim de todo o vosso coração, com jejuns, lagrimas
e gemidos de luto. Rasgai vossos corações e não vossas vestes; voltai ao Senhor
vosso Deus, por que ele é bom e compassivo, longânime e indulgente, proto a
arrepender do castigo que aflige”
(Jo 2: 12-13). A verdadeira
penitência publica e oficial foi introduzida na Igreja no século V e VI.
O período da penitência canônica começa na Quarta feria de Cinzas e estendia-se até a
Quarta-feira Santa. Em Roma, no século VII, os penitentes se apresentavam aos
Sacerdotes a isso delegados, faziam confissão e, se era só o caso, recebiam uma veste de saco, coberta de
cinzas, ficando impedidos de entrar na igreja e com ordem de retirar-se a algum
mosteiro onde pudessem cumprir a penitência
da Grande Quaresma.
Em outros lugares, os
penitentes cumpriam na própria casa a penitência imposta. E, porém, uso geral
começar a Grande Quaresma com a confissão, não só para purificar a alma, mas
também para poder receber mais frequentemente os Santos Mistérios no período
sagrado.
No século X, caindo em
desuso à penitência publica, introduziu-se o costume de impor as cinzas também
aos fieis, uso que bem cedo se generalizou e foi aprovado por Urbano II
(1042-1099).
As Cinzas se obtém
queimando as palmas e oliveiras bentas no ano precedente no Domingo de Ramos,
são símbolo da morte e da caducidade das criaturas, (as quais o pecador se
volta quando comete o pecado): elas mesmas admoestam-no a voltar a Deus com
a penitência sacramental e a humanidade. Aos fiéis que as
recebem com devoção, o sacramental da imposição das Cinzas obtém a verdadeira compunção,
o perdão dos pecados, a saúde da alma e
do corpo, a vitoria sobre os espíritos
malignos e, sobretudo, a graça que santifica a Grande Quaresma.
Marcos Vinícius Faria de Moraes
Bibliografia:
GRAMAGLIA, pe. Irineu; DALBOSCO, fr. Pascoal. Missal
Romano. 3ª Edição. São Paulo: Editoras Paulinas, 1963.
JARUSSI,
p. Gerardus. Bíblia Ave Maria. 176ª Edição. São Paulo: Editora Ave
Maria, 2007.

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