Irmã gêmea de São Bento foi sua cofundadora da Ordem das Beneditinas.
São Gregório Magno transmitiu-nos o ultimo dos colóquios que São Bento
costumava ter a cada ano com ela e o fato da chuva miraculosa que Santa Escolástica
obteve de Deus para impedir e adiar a partida do irmão. Três dias depois do
colóquio São Bento viu uma alma da irmã voar ao céu em forma de pomba. Era o
ano 547.
Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios: 7,25-40.
“A respeito das pessoas virgens, não tenho mandamento do
Senhor; porém, dou o meu conselho, como homem que recebeu da misericórdia do
Senhor a graça de ser digno de confiança”. 26. Julgo, pois, em razão das
dificuldades presentes, ser conveniente ao homem ficar assim como é. 27. Estás
casado? Não procures desligar-te. Não estás casado? Não procures mulher. 28.
Mas, se queres casar-te, não pecas; assim como a jovem que se casa não peca.
Todavia, padecerão a tribulação da carne; e eu quisera poupar-vos. 29. Mas eis
o que vos digo irmãos: o tempo é breve. O que importa é que os que têm mulher
vivam como se a não tivessem; 30. os que choram, como se não chorassem; os que
se alegram, como se não se alegrassem; os que compram, como se não possuíssem;
31. os que usam deste mundo, como se dele não usassem. Porque a figura deste
mundo passa. 32. Quisera ver-vos livres de toda preocupação. O solteiro cuida
das coisas que são do Senhor, de como agradar ao Senhor. 33. O casado
preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar à sua esposa. 34. A
mesma diferença existe com a mulher solteira ou a virgem. Aquela que não é
casada cuida das coisas do Senhor, para ser santa no corpo e no espírito; mas a
casada cuida das coisas do mundo, procurando agradar ao marido. 35. Digo isto
para vosso proveito, não para vos estender um laço, mas para vos ensinar o que
melhor convém, o que vos poderá unir ao Senhor sem partilha. 36. Se alguém
julga que é inconveniente para a sua filha ultrapassar a idade de casar-se e
que é seu dever casá-la, faça-o como quiser: não há falta alguma em fazê-la
casar-se. 37. Mas aquele que, sem nenhum constrangimento e com perfeita
liberdade de escolha, tiver tomado no seu coração a decisão de guardar a sua
filha virgem, procede bem. 38. Em suma, aquele que casa a sua filha faz bem; e
aquele que não a casa, faz ainda melhor. 39. A mulher está ligada ao marido
enquanto ele viver. Mas, se morrer o marido, ela fica livre e poderá casar-se
com quem quiser, contanto que seja no Senhor. 40. Contudo, na minha opinião,
ela será mais feliz se permanecer como está. E creio que também eu tenho o
Espírito de Deus.
Foi mais poderosa aquela que mais amou
Escolástica,
irmã de São Bento, consagrada ao Senhor onipotente desde a infância, costumava
visitar o irmão, uma vez por ano. O homem de Deus descia e vinha encontrar-se
com ela numa propriedade do mosteiro, não muito longe da porta.
Certo dia veio ela como de costume, e
seu venerável irmão com alguns discípulos foi ao seu encontro. Passaram o dia
inteiro a louvar a Deus e em santas conversas, de tal modo que já se
aproximavam as trevas da noite quando se sentaram à mesa para tomar a refeição.
Como durante as santas conversas o
tempo foi passando, a santa monja rogou-lhe: “Peço-te, irmão, que não me deixes
esta noite, para podermos continuar falando até de manhã sobre as alegrias da
vida celeste”. Ao que ele respondeu-lhe: “Que dizes tu, irmã? De modo algum
posso passar a noite fora da minha cela”.
A santa monja, ao ouvir a recusa do
irmão, pôs sobre a mesa as mãos com os dedos entrelaçados e inclinou a cabeça
sobre as mãos para suplicar o Senhor onipotente. Quando levantou a cabeça,
rebentou uma grande tempestade, com tão fortes relâmpagos, trovões e aguaceiro,
que nem o venerável Bento nem os irmãos que haviam vindo em sua companhia
puderam pôr um pé fora da porta do lugar onde estavam.
Então o homem de Deus, vendo que não
podia regressar ao mosteiro, começou a lamentar-se, dizendo: “Que Deus
onipotente te perdoe, irmã! Que foi que fizeste?” Ela respondeu: “Eu te pedi e
não quiseste me atender. Roguei ao meu Deus e ele me ouviu. Agora, pois, se
puderes, vai-te embora; despede-te de mim e volta para o mosteiro”.
E Bento, que não quisera ficar ali
espontaneamente, teve que ficar contra a vontade. Assim, passaram a noite toda
acordados, animando-se um ao outro com santas conversas sobre a vida
espiritual. Não nos admiremos que a santa monja tenha tido mais poder do que
ele: se, na verdade, como diz São João, Deus é amor (1Jo 4,8), com
justíssima razão, teve mais poder aquela que mais amou.
Três dias depois, estando o homem de
Deus na cela, levantou os olhos para o alto e viu a alma de sua irmã liberta do
corpo, em forma de pomba, penetrar no interior da morada celeste. Cheio de
júbilo por tão grande glória que lhe havia sido concedida, deu graças a Deus
onipotente com hinos e cânticos de louvor; enviou dois irmãos a fim de trazerem
o corpo para o mosteiro, onde foi depositado no túmulo que ele mesmo preparara
para si.
E assim, nem o túmulo separou aqueles
que sempre tinham estado unidos em Deus.
Dos Diálogos de São Gregório Magno, papa.
Marcos Vinícius Faria
de Moraes
Bibliografia:
GRAMAGLIA, pe.
Irineu; DALBOSCO, fr. Pascoal. Missal
Romano. 3ª Edição. São Paulo: Editoras Paulinas, 1963.
JARUSSI, p. Gerardus. Bíblia Ave Maria. 176ª Edição. São
Paulo: Editora Ave Maria, 2007.

Nenhum comentário:
Postar um comentário