terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Batismo do Senhor



Cristo é iluminado no batismo, recebemos com ele a luz; Cristo é batizado, desçamos como ele ás águas para como ele subirmos.

       João batiza e Jesus se aproxima; talvez para santificar igualmente aquele que o batiza e, sem dúvida, para sepultar nas águas o velho Adão. Antes de nós, e por nossa causa, ele que é Espírito e carne santificou as águas do Jordão, para assim nos iniciar nos sacramentos mediante o Espírito e a água.
 João reluta, Jesus insiste. “Eu é que devo ser batizado por ti” (Mt 3, 14), diz a lâmpada ao Sol, a voz à Palavra, o amigo ao Esposo, diz o maior entre todos os nascidos de mulher ao Primogênito de toda criatura, aquele que estremecera de alegria no seio materno ao que fora adorado no seio de sua Mãe, o que era e seria precursor ao que já tinha vindo e de novo há de vir. “Eu é que devo ser batizado por ti” (Mt 3, 14). Podia ainda acrescentar: e por causa de ti. Pois sabia que ia receber o batismo de sangue ou que, como Pedro não lhe seriam apenas lavados os pés.

 Jesus sai das águas, elevando consigo o mundo que estava submerso, e vê abrirem-se os céus de par em par, que Adão tinha fechado para si a sua posteridade, assim como o paraíso lhe fora fechado por uma espada de fogo.

 O Espírito, acorrendo aquele que lhe é igual, dá testemunho da sua divindade. Vem do céu uma voz, pois também vinha do céu aquele de quem se dava testemunho. E ao mostrar-se na forma corporal de uma pomba, o Espírito glorifica o corpo de Cristo, já que este, por sua união com a divindade, é o corpo de Deus. De modo semelhante, muitos séculos antes, uma pomba anunciara o fim do dilúvio.

Veneremos hoje o batismo de Cristo e celebremos dignamente esta festa.

Permanecei inteiramente puros e purificai-vos sempre mais. Nada agrada tanto a Deus quanto o arrependimento e a salvação do homem, para quem se destinam todas as suas palavras e mistérios. Sede como luzes no mundo, isto é, como força vivificante para os outros homens. Permanecendo pelo esplendor dessa luz que brilha no céu e iluminados com maior pureza e fulgor pela Trindade. Dela acabastes de receber, embora não em plenitude, o único raio que procede da única Divindade, em Jesus Cristo, nosso Senhor, a quem pertencem a gloria e o poder pelos séculos dos séculos. Amém.

Dos Sermões de São Gregório de Nazianzo, bispo.


Liturgia das horas volume I. 2° edição. São Paulo, 1999, p. 574-575.

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