1 Naqueles dias, havendo de novo uma grande multidão, e não tendo o que comer, chamou Jesus os discípulos e disse-lhes: 2 Tenho compaixão da multidão, porque já faz três dias que eles estão comigo, e não têm o que comer. 3 Se eu os mandar em jejum para suas casas, desfalecerão no caminho; e alguns deles vieram de longe. 4 E seus discípulos lhe responderam: Donde poderá alguém satisfazê-los de pão aqui no deserto? 5 Perguntou-lhes Jesus: Quantos pães tendes? Responderam: Sete. 6 Logo mandou ao povo que se sentasse no chão; e tomando os sete pães e havendo dado graças, partiu-os e os entregava a seus discípulos para que os distribuíssem; e eles os distribuíram pela multidão. 7 Tinham também alguns peixinhos, os quais ele abençoou, e mandou que estes também fossem distribuídos. 8 Comeram, pois, e se fartaram; e dos pedaços que sobejavam levantaram sete alcofas. 9 Ora, eram cerca de quatro mil homens. E Jesus os despediu. 10 E, entrando logo no barco com seus discípulos, foi para as regiões de Dalmanuta.
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COMENTÁRIO
Num piscar de olhos, o Senhor multiplicou um pedaço de pão. Aquilo que os homens fazem em dez meses de trabalho, fizeram-no os Seus dedos num instante. [.] Contudo, não foi com o seu poder que comparou este milagre, mas com a fome dos que tinha diante de Si. Se o milagre tivesse sido comparado com o seu poder, seria impossível de avaliar; comparado com a fome daqueles milhares de pessoas, o milagre ultrapassou os doze cestos. O poder dos artesãos é inferior aos desejos dos respectivos clientes; eles não conseguem fazer tudo aquilo que se lhes pede; pelo contrário, as realizações de Deus ultrapassam todo o desejo. [.]
Saciados no deserto, como outrora o tinham sido os Israelitas pela oração de Moisés, eles exclamaram: "Este é o profeta do qual está dito que viria ao mundo." Aludiam às palavras de Moisés: "O Senhor suscitará para vós um profeta", que não será um profeta qualquer, mas "um profeta como eu" (Dt 18,15), que vos saciará de pão no deserto. Tal como eu, caminho u sobre as águas, surgiu numa nuvem luminosa (Mt 17,5), libertou o seu povo. Entregou Maria a João, como Moisés entregara o seu rebanho a Josué. [.] Mas o pão de Moisés não era perfeito; apenas foi dado aos Israelitas. Querendo significar que o seu dom é superior ao de Moisés e o chamamento às nações ainda mais perfeito, Nosso Senhor disse: "Se alguém comer o Meu pão viverá eternamente", porque "o pão vivo que desceu do céu" é dado a todo o mundo (Jn 6,51).
Santo Efrém, o Sírio(c. 306-373),
Diatesseron, 12, 4-5, 11


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