Lucas 1:39-49,56
Isabel e João Batista, movidos pelo Espírito Santo, são os primeiros seres humanos a prestarem veneração à Santa Mãe de Deus. Eles representam todos os santos da Antiga Aliança que saúdam a chegada da Nova Eva, cumprindo-se a antiga promessa ao gênero humano decaído.
A narrativa fala que a voz da Virgem provocou grande júbilo espiritual em Isabel e no Precursor ainda fetal. À maneira dos profetas do Velho Testamento, o Espírito Santo leva Isabel a profetizar acerca da Virgem:
1. Primeiramente usa - em relação à Virgem - a fórmula introdutória dos louvores em Israel: «Bendita és tu...». Igualmente, também, louva à Criança: «Bendito É o Fruto do teu ventre»;
2. Enche de humildade a profetiza diante do que lhe é inefável, pois, assim, Isabel diz:
«Quem sou eu para que me visite a Mãe do meu Senhor?»;
3. Faz com que profetize acerca do que não entende: Isabel sem entender como o mortal poderia gerar o Eterno; louva Àquela que Deus santificou: «Bem aventurada aquela que creu...».
Em contrapartida, à semelhança dos coros que se alternavam nos ofícios levíticos, o Espírito Santo toma a boca de Maria, que também profetiza, louvando o Soberano Deus pela Graça e Salvação que lhe concedeu, sendo ela uma humilde serva; e anuncia a veneração que doravante todas as gerações lhe prestariam:
«Eis que desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada...» (Lc 1:48; Sl 45:17)
A maioria dos Evangélicos não consegue enxergar este sentido do texto, porque não possuem uma alma litúrgica. Como suas experiências se centralizam e se apoiam unicamente na razão discursiva, reduzem a expressão «Bem Aventurada» - aplicada à Virgem - a uma simples declaração sobre o estado de sua alma, e não à uma atitude cúltica por parte de Isabel e seu filho fetal, João Batista, ignorando completamente toda a cultura litúrgica que permeava a sociedade judaica e, em particular, desconsiderando o ambiente doméstico de Isabel: o Templo de Deus, pois era esposa do Sumo Sacerdote Zacarias.
Tal abordagem assemelha-se às visões que um lenhador e um botânico exaurem de uma floresta: ambos, conforme a peculiaridade de cada um, só enxergam as suas utilidades: O lenhador de forma geral enxergará apenas os tipos de madeira que a floresta fornece, e o botânico se concentrará na sua biodiversidade; mas, ambos, dificilmente conseguirão exaurir a «alma» da floresta, como faz um artista, que contempla o todo e as realidades que o inspiram.
Este reducionismo não atinge somente à Santa Virgem, mas, também, ao Próprio Cristo, o Senhor; pois se a fórmula «Bendita, Bem Aventurada» for despida do seu sentido cúltico e reduzida a uma mera afirmação, isto significa que Isabel e o fetal João Batista, também não cultuaram e nem prestaram reverência ao Menino-Deus quando afirmaram: «Bendito É o Fruto do teu ventre».
O júbilo de João Batista, que ainda era um feto, desprovido de razão, mas, já cheio do Espírito desde o ventre materno, o rompante que o Espírito dá a Isabel, que «com grande voz» louva a Mãe do Senhor e a inspiração do próprio canto de Maria nos ensinam que, a partir da visita de Maria a Isabel, que foi o Próprio Espírito Santo que inaugurou e instituiu os louvores e a veneração da Igreja à Santa Mãe de Deus: «DESDE AGORA TODAS AS GERAÇÕES ME CHAMARÃO BEM-AVENTURADA»
Pe. Mateus (Antonio Eça)

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