Dando continuidade a segunda parte do texto Orígenes é o grande estudioso, com critérios científicos, das Sagradas Escrituras. Antes de tudo, aponta duas dificuldades para o estudo do Antigo Testamento.
Dificuldade de entender a Bíblia muitos mitos, igualmente, no Antigo Testamento existem mitos e expressões divinas antropomórficas.
Mesmo que os cristãos devam manter a Antiga Lei, precisam também interpretar e atualizar seus ensinamentos. A solução é a alegoria como método bíblico.
Interpretação alegórica.
Orígenes desenvolveu um modelo exegético de interpretação alegórica, que permite uma aproximação mais coerentes dos textos bíblicos.
Modelo tipológico: Este modelo é percebido quando personagens do Antigo Testamento. O Antigo Testamento e uma forma simbólica do Novo Testamento, como um livro preparatório para a revelação definitiva da Aliança de Deus com a humanidade. Se havia já a mentalidade que os profetas eram propedêuticos da revelação cristã, esta concepção se alarga, referindo-se aos grandes nomes bíblicos da Antiga Aliança.
Modelo escatológico: a partir da concepção da revelação final, a interpretação do Novo Testamento nos indica as verdades do fim dos tempos. Caminha-se da interpretação literal para o sentido espiritual dos escritos neotestamentários.
Alegoria como rejeição ao gnosticismo.
Partindo do sentido literal das Escrituras, Orígenes aprofunda a interpretação alegórica, servindo-se da filologia, que considera que os próprios escritos expressam o sentido dos textos. Entendamos estes modelos:
Interpretação literal: Na sua obra bíblica mais importante, Hexapla, Orígenes apresenta em seis colunas os textos bíblicos. Estes estudo comparativo das transcrições bíblicas inspiraram Eusébio de Cesaréia e São Jerônimo e é um importante modelo de exegese. O sentido literal conserva o essencial do texto, sendo a referência de toda interpretação bíblica. As palavras permitem atingir o espírito da revelação, como o Corpo de Cristo nos leva ao sentido espiritual do Logos. A palavra escrita - texto sagrado - é como o Corpo de Cristo encarnado, onde habita o Logos divino.
Orígenes faz uma analogia com o corpo humano, para nos fazer entender a interpretação literal da Bíblia:
O corpo: do homem expressa o sentido literal, para os cristãos comuns e simples. Neste modelo, a alegria é mais simples e útil, visando a edificação dos cristãos mais simples. É importante na preparação dos fiéis, como iniciantes na fé.
A alma humana: se une ao sentido moral, para os cristãos em evolução. Temos aqui a interpretação moral. Este tipo de aproximação da Palavra de Deus é mais elementar e é importante para os cristãos em busca de crescimento. A Sagrada Escritura é atualizada, visando ao crescimento dos cristãos.
O espírito: do ser humano se relaciona com o sentido espiritual, que é o caminho de perfeição. É uma interpretação mais profunda que assume, tantas vezes,no modelo tipológicos, mas também o modelo escatológico e eclesial. Busca na na palavra de Deus exemplos de organização da Igreja.
Mística na teologia de Orígenes.
Nosso encontro com Deus se realiza por meio de nosso encontro espiritual com o Logos divino, que se revela progressivamente na história da humanidade. Sua doutrina lhe fez merecer o título de “fundador da mística cristã”. Todos os seres humanos tendem ao Sumo Bem, que é Deus. Aos poucos cada ser humano vai se identificando com Deus. Pelo pecado, o ser humano perder sua imagem divina. De fato, a imagem não foi perdida, segundo Orígenes, mas somente silenciada pelo pecado. Vencendo o pecado, o ser humano vai se aproximando de Deus. Por intermédio do amor, buscando a união com Deus. Está contemplação, que nasce da verdade, nasce do amor. Está contemplação permite a cada pessoa participar do Espírito divino, como consequência do destino pessoal. A natureza humana participa do Espírito divino por sua própria natureza. Nisto consiste a superioridade do ser humano sobre toda a criação.
A busca de Deus passa pelo conhecimento progressivo e pela santidade. Passando do conhecimento progressivo para a fé carismática, o ser humano cumpre seu destino: torna-se um homem espiritual.
Marcos Vinícius Faria de Moraes

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