quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Ora essas três paixões são, no dizer da Escritura, as três filhas diletas de uma sanguessuga, amadas carinhosamente por uma mãe insensata (cf. Pr 30,15-16).



Ora essas três paixões são, no dizer da Escritura, as três filhas diletas de uma sanguessuga, amadas carinhosamente por uma mãe insensata (cf. Pr 30,15-16).

São elas que, numa espécie de trindade maléfica, embotam em nós tanto a gnose como a fé, essas duas acompanhantes da nossa natureza.

São ainda elas que estão na origem do terror, da cólera, das guerras, dos homicídios, e dos outros males que têm prevalecido entre os homens.

Devemos, por conseguinte, odiá-las, vendo nelas aquilo que elas são: mães dos males e madrastas das virtudes.

É por causa delas que nos foi ordenado não amar o mundo nem o que no mundo está. Tenha-se, porém, presente que um tal interdito de nenhum modo implica odiar as criaturas de Deus. Um ódio dessa estirpe atingiria o paroxismo da insensatez, pois seria negação do Evangelho. Com um tal interdito o que se pretende é mergulhar no âmago das causas dessas três paixões e cortá-las pela raiz.

E não nos esqueçamos da advertência essencial: todo aquele que vai combater de nenhum modo se pode embaraçar com as coisas desta vida (cf. 2Tm 2,4). De onde se deduz ser insensato aquele que, não obstante estar maniatado por tais coisas, nutre a ilusão de que vai sair vencedor das paixões. Um homem desses assemelha-se àquele que pretende extinguir um incêndio lançando mão de... palha!

+ S. Marcos, o Asceta, "Duzentos textos sobre a lei espiritual", 101-107. (Pequena Filocalia. Paulinas, 2017, pp. 179,180.)

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