quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Cristo, grão de mostarda e fermento semeado pelo mundo.

Cristo, grão de mostarda e fermento semeado pelo mundo.

Cristo veio a este mundo para submetê-lo a Si próprio, para reivindicá-lo como Seu, para afirmar os Seus direitos sobre ele como senhor, para libertá-lo do domínio usurpado pelo inimigo, para Se manifestar a todos os homens, para Se estabelecer nele. Cristo é o grão de mostarda que se desenvolverá silenciosamente, acabando por cobrir a terra inteira. Cristo é o fermento que abre secretamente caminho na massa dos homens, dos sistemas de pensamento e das instituições, até que tudo fique levedado. Até então, o céu e a terra estavam separados; o projeto de graça de Cristo consiste em fazer de ambos um só mundo, tornando a terra paralela ao céu. 

Ele estava neste mundo desde o começo, mas os homens adoraram outros deuses. Ele veio a este mundo na carne, «mas o mundo não O conheceu. Veio ao que era Seu e os Seus não O receberam» (Jo 1, 10-11). Mas Ele veio para levá-los a recebê-Lo, a conhecê-Lo, a adorá-Lo. Veio para integrar este mundo em Si, a fim de que, tal como Ele próprio é luz, também este mundo seja luz. Quando veio, não tinha «onde reclinar a cabeça» (Lc 9, 58), mas veio para constituir aqui um lugar para Si mesmo, para aqui constituir habitação, para aqui encontrar morada. Veio transformar o mundo inteiro na Sua morada de glória, este mundo que estava cativo das potências do mal. 

Ele veio na noite, nasceu na noite escura, numa gruta. […] Foi aí que primeiro repousou a cabeça, mas não o fez para aí permanecer para sempre. Não era Sua intenção deixar-Se ficar escondido nessa obscuridade. […] O Seu objetivo era mudar o mundo. […] O universo inteiro tinha de ser renovado por Ele, mas Ele a nada recorreu que já existisse, tudo criou a partir do nada. […] Ele era uma luz que brilhava nas trevas, até que, pelo Seu próprio poder, criou um Templo digno do Seu nome.


Orígenes (cerca 185-253), padre e teólogo.

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