Evangelho
segundo São Mateus 6,1-6.16-18.
Naquele tempo, disse
Jesus aos seus discípulos: «Tende cuidado em não praticar as vossas boas obras
diante dos homens, para serdes vistos por eles”. Aliás, não tereis nenhuma
recompensa do vosso Pai que está nos Céus.
Assim, quando deres
esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas
sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo: já
receberam a sua recompensa.
Quando deres esmola,
não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita,
Para que a tua esmola
fique em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa.
Quando rezardes, não
sejais como os hipócritas, porque eles gostam de orar de pé, nas sinagogas e
nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já
receberam a sua recompensa.
Tu, porém, quando
rezares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo; e teu
Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa.
Quando jejuardes, não
tomeis um ar sombrio, como os hipócritas, que desfiguram o rosto, para
mostrarem aos homens que jejuam. Em verdade vos digo: já receberam a sua
recompensa.
Tu, porém, quando
jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto,
“Para que os homens não
percebam que jejuas, mas apenas o teu Pai, que está presente no que é oculto; e
teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa».
Quarenta
dias para crescer no amor de Deus e do próximo
Iniciamos hoje os
santos quarenta dias da quaresma, e convém-nos examinar atentamente por que
razão esta abstinência é observada durante quarenta dias. Moisés jejuou
quarenta dias para receber a Lei pela segunda vez (Ex 34,28). Elias, no
deserto, absteve-se de comer durante quarenta dias (1Rs 19,8). O Criador, ao
vir para o meio dos homens, não tomou qualquer alimento durante quarenta dias
(Mt 4,2). Esforcemo-nos também nós, tanto quanto nos for possível, por refrear
o nosso corpo pela abstinência neste tempo anual dos santos quarenta dias
[...], a fim de nos tornarmos, na palavra de Paulo, «uma hóstia viva» (Rom
12,1). O homem torna-se uma oferenda viva e imolada (cf Ap 5,6) quando, sem
deixar esta vida, faz morrer nele os desejos deste mundo.
Foi a satisfação da
carne que nos levou ao pecado (Gn 3,6); que a carne mortificada nos leve ao
perdão. O autor da nossa morte, Adão, transgrediu os preceitos de vida comendo
o fruto da árvore proibida. Por conseguinte, é necessário que nós, que fomos
privados das alegrias do Paraíso pelo alimento, nos esforcemos por
reconquistá-las pela abstinência.
Mas ninguém suponha que
esta abstinência é suficiente. O Senhor disse pela boca do profeta: «O jejum
que Eu aprecio é este, [...] repartir o teu pão com o esfomeado, dar abrigo aos
infelizes sem asilo, vestir o nu, e não desprezar o teu irmão» (Is 58,6-7). Eis
o jejum que Deus aprova [...]: um jejum realizado no amor ao próximo e impregnado
de bondade. Prodigaliza, pois aos outros aquilo de que te privas; desse modo, a
tua penitência corporal permitir-te-á atender ao teu próximo.
São
Gregório Magno (c. 540-604),Papa.
Homilias
sobre os evangelhos, n.º 16, 5

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