sábado, 22 de fevereiro de 2020

«Abre os meus olhos [...] às maravilhas da tua lei» (Sl 118,18)


Evangelho segundo São Marcos 8, 22-26.



Naquele tempo, Jesus e os seus discípulos chegaram a Betsaida. Trouxeram-Lhe então um cego, suplicando-Lhe que o tocasse.
Jesus tomou o cego pela mão e levou-o para fora da localidade. Depois colocou saliva nos olhos, impôs-lhe as mãos e perguntou-lhe: «Vês alguma coisa?».
Ele abriu os olhos e disse: «Vejo as pessoas, que parecem árvores a andar».
Em seguida, Jesus impôs-lhe novamente as mãos sobre os olhos e ele começou a ver bem: ficou restabelecido e via tudo claramente.
Então Jesus mandou-o para casa e disse-lhe: «Não entres sequer na povoação».


«Abre os meus olhos [...] às maravilhas da tua lei» (Sl 118,18).


«Jesus tomou o cego pela mão e levou-o para fora da localidade. Depois deitou-lhe saliva nos olhos, impôs-lhe as mãos e perguntou-lhe: "Vês alguma coisa?"» O conhecimento é sempre progressivo. [...] Só à custa de muito tempo e de uma longa aprendizagem podemos atingir um conhecimento perfeito. Primeiro, saem as sujidades e a cegueira desaparece; e é assim que vem a luz. A saliva do Senhor é um ensinamento perfeito; para ensinar de forma perfeita, ela provém da boca do Senhor. A saliva do Senhor provém, por assim dizer, da sua substância; e o conhecimento, sendo a palavra que provém da sua boca, é um remédio. [...]

«Vejo as pessoas, que parecem árvores a andar»; ainda vejo sombras, ainda não vejo a verdade. Eis o sentido desta palavra: vejo qualquer coisa na Lei, mas ainda não tenho a percepção da luminosidade radiosa do Evangelho. [...] «Jesus impôs-lhe novamente as mãos sobre os olhos e ele começou a ver bem: [...] via tudo claramente». Via, digo eu, tudo o que nós vemos: via o mistério da Trindade, via todos os mistérios sagrados que estão no Evangelho. [...] Nós também os vemos, porque acreditamos em Cristo, que é a verdadeira luz.



São Jerónimo (347-420)
presbítero, tradutor da Bíblia, para os latinos.
Homilias sobre o Evangelho de Marcos, n.° 8, 235

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