Na linguagem corrente, a Quaresma abrange só os dias que vão da Quarta-feira de Cinzas até ao Sábado Santo. Contudo a liturgia propriamente quaresmal começa com o primeiro Domingo da Quaresma e termina com o sábado antes do Domingo da Paixão.
A Quaresma pode ser considerada, no ano litúrgico, o tempo mais rico de ensinamentos. Lembra o retiro de Moisés, o longo jejum do profeta Elias e do Salvador. Foi instituída como preparação para o Mistério Pascal.
Data dos tempos apostólicos - A Quaresma como sinônimo de jejum observado por devoção individual na Sexta-feira e Sábado Santo, e logo estendido a toda Semana Santa. Na segunda metade do século II, a exemplo de outras igrejas, Roma introduziu a observância quaresmal em preparação para a Páscoa, limitando, porém, o jejum a três semanas somente: a primeira e quarta da atual Quaresma e Semana Santa. A verdadeira Quaresma com os quarenta dias de jejum e abstinência de carne, data do século IV.
O jejum consistia originalmente numa única refeição tomada a tardinha; por volta do ano 1000 antecipou-se para as três horas da tarde e no século XV tornou-se uso comum o almoço ao meio-dia. Com o correr do tempos, verificou que era demasiado penosa a espera de vinte e quatro horas; foi-se, por isso, introduzindo o uso de se tomar alguma coisa a tarde, e logo mais também pela manhã, costuma que vigora ainda hoje. O jejum atual, portanto, consiste em tomar uma só refeição diária completa, na hora de costume: pela manhã, ao meio-dia ou a tarde, com duas refeições leves restante do dia.
Comentários dogmáticos - "Todos pecamos, e todos precisamos fazer penitência" afirma São Paulo. A penitência é uma virtude sobrenatural (intimamente ligada a virtude da justiça) , que inclina o pecador a detestar o pecado, a repará-lo dignamente e a evitá-lo no futuro.
Os motivos principais, que nos obrigam a penitência são: a) o dever de justiça para com Deus, a quem devemos honra e glória, que lhes negamos com o nosso pecado; b) a nossa incorporação com Cristo, o qual, inocente, expiou os nossos pecados; nós culpados, devemos associar-nos a ele, no Sacrifício da Cruz, com generosidade e verdadeiro espírito de reparação. c) o dever da caridade para com nós mesmos que precisamos descontar as penas merecidas com os nossos pecados e reprimir nossas paixões. d) o dever de caridade para com o nosso próximo, que afastamos de Deus com os maus exemplos.
Vê-se daí, útil para o pecador aproveitar o tempo da Quaresma para multiplicar as boas obras, e assim dispor-se para a conversão.
Na próxima postagem colocarei os ensinamentos ascético dos Santos Padres da Igreja.
Marcos Vinícius Faria de Moraes.

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