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quarta-feira, 27 de março de 2024

Qual é a causa do batismo?


Introduzir o homem na Igreja e fazê-lo digno de receber o Corpo e o Sangue de Cristo. É por isso que o Batismo se conecta com a divina Eucaristia.





sábado, 13 de julho de 2019

Ícone da Mãe de Deus “É Realmente Conhecer”

Ícone da Mãe de Deus


O ícone “É verdadeiramente verdadeiro” da Mãe de Deus está no lugar alto do altar da igreja catedral do mosteiro de Karyes, no Monte Athos.

Certa noite de sábado, um ancião foi a Karyes para a vigília que durou toda a noite. Ele saiu, instruindo seu discípulo a ficar para trás e ler o serviço em sua cela. Quando escureceu, o discípulo ouviu uma batida na porta. Quando ele abriu a porta, ele viu um monge desconhecido que se chamava Gabriel, e ele o convidou para entrar. Eles ficaram diante do ícone da Mãe de Deus e leram o culto juntos com reverência e remorso.

Durante a Nona Ode do Cânon, o discípulo começou a cantar “Minha alma magnifica o Senhor ...” com o Irmos de São Cosme, o Hinógrafo (14 de outubro), “Mais honroso que os Querubins ...”

O estranho cantou o próximo verso: “Pois Ele considerou o estado baixo da Sua serva ...” Então ele entoou algo que o discípulo nunca tinha ouvido antes, “É verdadeiramente um encontro para te abençoar, ó Theotokos, sempre abençoado e mais puro, e a Mãe do nosso Deus ... ”Então ele continuou com:“ Mais honroso do que os querubins ... ”

Enquanto o hino estava sendo cantado, o ícone do Theotokos brilhou com uma luz celestial. O discípulo foi movido pela nova versão do familiar hino e pediu a seu convidado que escrevesse as palavras para ele. Quando o estranho pediu papel e tinta, o discípulo disse que eles não tinham nenhum.

O estranho pegou uma telha e escreveu as palavras do hino em sua superfície com o dedo. O discípulo sabia então que este não era um monge comum, mas sim o Arcanjo Gabriel. O anjo disse: “Cante desta maneira, e todos os ortodoxos também”. Então ele desapareceu, e o ícone da Mãe de Deus continuou a irradiar luz por algum tempo depois.

O Eleousa Ícone da Mãe de Deus, antes do qual o hino “É verdadeiramente conhecer” foi cantado pela primeira vez, foi transferido para o katholikon em Karyes. O azulejo, com o hino escrito sobre ele pelo Arcanjo Gabriel, foi levado a Constantinopla quando São Nicolau Crisólomo (16 de dezembro) era o Patriarca.

Numerosas cópias do ícone “É verdadeiramente cumprido” são reverenciadas nas igrejas russas. No Galerna Harbour of Peterburg, uma igreja com cinco cúpulas foi construída em homenagem à Misericórdia de Deus e, nela, eles colocaram uma cópia em graça do ícone “É Verdadeiramente Encontro” enviado de Athos.

domingo, 7 de julho de 2019

Nosso jejum, tão limitado ...


Nosso jejum, tão limitado que seja, se ele é um verdadeiro jejum, conduzirá à tentação, à fraqueza, à dúvida e à irritação. Em outros termos, será um combate real e provavelmente sucumbiremos muitas vezes. Todavia, o aspecto essencial do jejum é justamente a descoberta da vida cristã enquanto luta e esforço. Uma vez que o fato de não ultrapassar as dúvidas e a tentação é raramente real. Progresso algum na vida cristã é, infelizmente, possível sem a amarga experiência da derrota. É precisamente durante esta primeira queda que se situa o verdadeiro teste: se, depois de ter fraquejado e dado livre curso aos nossos apetites e as nossas paixões, não nos remetemos corajosamente à tarefa, sem abandonar, qualquer que seja o número de vezes em que fraquejamos, cedo ou tarde, nossoa jejum produzirá seus frutos espirituais. Não existe atalho para se alcançar a santidade: devemos pagar o preço de cada passo, de antemão.



pelo Protopresbítero Alexandre Schmemann
traducao de monja Rebeca (Pereira)

quarta-feira, 3 de julho de 2019

O "RACISMO" EM UMA PERSPECTIVA ORTODOXA:



"Cristo Deus veio até nós, sofreu, foi crucificado e ressuscitou dos mortos: tudo isto para a salvação do mundo, em benefício de cada pessoa. 

Portanto, não há lugar para o nacionalismo ou para o sectarismo ... Toda pessoa é significativa diante de Deus, quer ele conheça a Deus ou não, qualquer que seja sua nacionalidade, raça ou religião. A Bíblia Sagrada afirma a dignidade de cada pessoa criada à imagem de Deus. É verdade que os judeus eram conhecidos como "o povo escolhido de Deus". Este foi apenas um estágio histórico em que Deus os usou como um meio para entrar na sociedade e fazer com que todas as nações que acreditam n'Ele sejam Sua própria nação. Portanto, o apóstolo Paulo diz: "Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus" (Gálatas 3:28). 

De fato, Cristo - se uma pessoa O conhece e acredita nEle ou não, O conhece e crê nEle - é semeado no coração de todo ser humano e até traçado sobre cada feição humana. 

Em suas Instruções Espirituais, São Doroteu diz: "Suponha um círculo cujo centro é Deus e cujos raios são caminhos diferentes. Toda pessoa do mundo criado caminha ao longo de um dos raios em direção ao centro, onde Cristo é Deus (não importa se a pessoa percebe isso ou não). Ele se aproxima de seu irmão, caminhando por um raio diferente em direção a Deus, O próprio centro. Quanto mais eles se distanciam um do outro, mais eles se distanciam de Deus ". 

O comportamento racista está enraizado na realidade do pecado desde o inicio da humanidade. Um ditado conhecido entre os gregos é "aquele que não é grego é um bárbaro". Esse racismo está enraizado em nosso sangue, nós seres humanos fracos, mas aqueles que acreditam em Cristo o rejeitam e combatem com as palavras do Evangelho:  
" Ame seus inimigos, abençoe aqueles que o amaldiçoam e ore por aqueles que o perseguem "(Mateus 5:44). 

"Toda semente de Adão é destinada à salvação, tendo sido renovada em Cristo", segundo Santo Irineu. As pessoas enxergaram nos primeiros cristãos uma "terceira raça", como diz Tertuliano, no sentido espiritual. Isto é, um "novo povo" em quem as duas raças, judeus e pagãos, se encontram. Portanto, o Cristianismo rejeita toda forma de racismo ou discriminação religiosa. Meu vizinho não é apenas a pessoa da minha tribo, o meu bairro ou da minha religião. Pelo contrário, ele é toda pessoa que eu conheço ao longo do meu caminho. Portanto, devemos respeitar os estranhos e aceitar o diálogo, a participação e a cooperação com outras etnias. 
[...]
Cristo participou da salvação de todos os excluídos, como os samaritanos e pagãos, como a mulher cananeia, e assim devemos imitá-Lo. "



+ Ephrem 
Metropolita de Trípoli, al-Koura e suas dependências

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

PAROQUIA



Ao desenvolver uma autêntica compreensão cristã e ortodoxa de nossa vida na Igreja podemos ser por vezes auxiliados dando o verdadeiro significado as palavras que são, as mais óbvias e mais usuais, mas que, no entanto, não são com freqüência bem entendidas. Uma destas palavras é o vocábulo “paróquia”, que também existe em outras línguas sob uma variedade de formas (parohia, parafia, etc...). Utilizada desde as mais antigas origens do Cristianismo para designar uma comunidade cristã local. Aparece nos escritos dos Santos Padres da Igreja e nos cânones promulgados pelos Concílios recentes. O original do grego de paroikia significa “temporário”, ou residência “secundária”.

O “lar” permanente, a Casa, é sempre designado como oikos. E para os cristãos, esta Casa é o Reno de Deus, o Templo onde Deus habita, a Nova Jerusalém. No entanto, por não estarmos ainda lá, Deus estabeleceu para nós na Terra uma casa temporária – a Tenda, onde Jesus, o Verbo Encarnado habita conosco pelo Espírito Santo, da mesma maneira com que habitou com os judeus no deserto quando estavam a caminho da Terra Prometida. Todavia, no Antigo Testamento esta divina presença na Terra tinha somente a forma simbólica de uma Arca do Concerto. No Novo Testamento a comunhão com Deus é direta e real – no Corpo e no Sangue de Cristo.

Logo, a “paróquia”, a paroika nos conduz bem próximos à Casa. Mas, pode servir este propósito somente se não vemos nela “nosso” cumprimento, nem o “nosso” orgulho – ou ainda pior – um clube orientado a “permanentes objetivos” neste mundo, completamente fora do Reino.

A paróquia é o local onde nos oferecemos nós mesmos a Deus, onde ajudamos os outros, onde nós nos tornamos membros da Igreja de Cristo, que é chamada a salvar, não somente a nós como indivíduos, como famílias, como grupos, mas antes o mundo inteiro, guiando-o ao Reino que há-de-vir.

Eis o significado e as implicações que a Igreja atribui a esta palavra simples e tão usual: a Paróquia. Talvez pudéssemos meditar acerca disto antes de cada assembléia paroquial...



por John Meyendorff – Setembro 1981

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Como surgiu o pecado, se Deus nos criou a sua imagem e semelhança?



Deus nos criou como Seus filhos e nossa semelhança com Ele se dá através da liberdade que nos foi concedida – o livre arbítrio. No Paraíso, tudo era permitido. O homem não tinha necessidades, entendia os animais e falava com o Nosso Senhor, não sentindo dor nem desconforto.

Assim, se merecermos, estaremos no Paraíso, ao lado de Cristo. O demônio, que pecou querendo de criatura ser Criador, se encontra ausente da Luz de Deus, tentando assim os primeiros homens, levando-os a usar o seu livre arbítrio contra a vontade do Pai.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Por que precisamos do perdão pelos nossos pecados?



Que grande mistério foi o batismo de nosso Senhor e Salvador! O Pai faz-Se ouvir do alto do céu, o Filho foi visto na Terra, o Espírito Santo mostrou-Se na forma de uma pomba. Com efeito, não há verdadeiro batismo nem verdadeira remissão dos pecados onde não houver a verdade da Trindade. [...] O batismo que a Igreja dá é único e verdadeiro; só se faz, portanto, uma vez, e ao sermos nele mergulhados uma só vez ficamos purificados e renovados. Purificados, porque deixamos a mancha dos pecados; renovados, porque ressuscitamos para uma vida nova depois de nos termos despido da vida velha do pecado. [...]

Portanto os céus abriram-se no batismo do Senhor, a fim de que, pelo banho do novo nascimento, descobríssemos que o reino do Céus está aberto aos crentes, segundo esta palavra do Senhor: «Ninguém, a menos que nasça da água e do Espírito, poderá entrar no Reino de Deus» (Jo 3,5). Entra, pois, aquele que renasce e que não negligencia a preservação do seu batismo. [...]



Uma vez que Nosso Senhor veio trazer o novo batismo para a salvação do género humano e a remissão de todos os pecados, Ele próprio quis ser o primeiro batizado, não para se despojar do pecado, pois não cometera pecado, mas para santificar as águas do batismo com o fim de destruir os pecados de todos os crentes renascidos pelo batismo.

+ S. Cromácio de Aquiléia, "Sermões sobre a Epifania", 34; CCL 9A, 156-157.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

A veneração dos Santos faz parte integrante da vida da Igreja Ortodoxa.






A veneração dos Santos faz parte integrante da vida da Igreja Ortodoxa. Ouvimos muito geralmente os protestantes acusarem os ortodoxos de fazerem dos Santos mediadores entre Deus e os homens, paralelo ao fato do homem poder se dirigir diretamente a Deus. Longe de negar a possibilidade de um contato direto com Deus, a Igreja Ortodoxa faz ao contrário desta experiência o fundamento de toda vida espiritual. Ela não vê na veneração dos Santos impencilho algum à relação direta do cristão com Deus. A maioria das orações ditas pelo fiel, tanto na igreja como em privado, são dirigidas a Deus. O cristão ortodoxo eleva, no entanto, igualmente sua oração à Mãe de Deus e aos Santos. Para o cristão ortodoxo, os Santos são tanto os mediadores entre Deus e ele próprio como os portadores vivos de um autêntico Cristianismo, um modelo. A Igreja crê que os Santos não morrem, mas continuam a viver na Igreja, e é esta fé em sua presença viva que justifica o fato de se orar por eles.

pelo Metropolita Hilarion Alfeyev
extraído do livro L´Orthodoxie II

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Piedade Ortodoxa : Velas : A Luz da Fé.



Nos santos templos da Igreja Ortodoxa, os velários são postados dentro da igreja, iluminando os diversos ícones que normalmente ornam nossas igrejas. 

É o primeiro ato do fiel ao entrar no atrio que antecede a nave, adquirir uma vela, para acender dentro da igreja. 

Por qual razão acendemos velas ?

Dois amigos de Deus, São Simeão, Bispo de Thesalonica e São Nicodemos da Montanha Santa nos explicam com muita beleza o simbolismo das velas em nossa fé.

Diz São Simeão :

1. Assim como  a vela é pura (pura cera de abelha ), assim também deve ser puro, o nosso coração.

2. Assim como a vela é flexível ( diferente do que ocorre com a vela de parafina), assim também deve ser flexível as nossas almas, até que possamos as tornar retas e firmes no Evangelho.

3. Assim como a vela é derivada do pólen de uma flor e tem um odor doce, assim também deve ser as nossas almas, ofertando o aroma doce da Graça Divina.

4. Assim como a vela, quando se queima, se mistura e alimenta a chama, assim também devemos lutar para alcançar a santificação.

5. Assim como a vela acesa ilumina a escuridão, assim deve ser a  luz de Cristo dentro de nós, para que então possamos fazer esta luz brilhar diante dos homens, e que o nome de Deus Seja Glorificado.

6. Assim como a vela dá a sua própria luz para iluminar um homem na escuridão, assim também deve a luz das virtudes, a luz do amor e da paz, caracterizar cada um de nós cristãos. E a cera que derrete simboliza a chama do nosso amor por nossos semelhantes.

São Nicodemos, o Hagiorita nos dá mais seis razões diferentes pelas quais ortodoxos acendem suas velas:

1. Para glorificar a Deus, que é Luz, assim como cantamos na Doxologia: "Glória a Deus, que nos mostrou a luz ..."

2. Para dissolver a escuridão da noite e banir para longe de nós o medo que é provocado pela escuridão.

3. Para manifestar a alegria interior de nossa alma.

4. Para dar honra aos Santos de nossa fé, imitando os primeiros cristãos dos primeiros séculos, que acenderam velas junto dos túmulos dos Mártires.

5. Para simbolizar as nossas boas obras, como o Senhor disse: "Deixe sua luz brilhar diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus." E o sacerdote também nos deu este encargo, quando do nosso Batismo.

6. Para que tenhamos  os nossos próprios pecados perdoados e consumidos, assim como os pecados daqueles por quem oramos.

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Que a Luz de Cristo ilumine as nossas vidas !


terça-feira, 13 de novembro de 2018

A Igreja Ortodoxa possui diversos graus hierárquicos.



O grau mais alto dentro da Igreja é o episcopado. Todos os bispos são monges. Suas denominações provêm do grego: Patriarca - Pai de todos, Metropolita - Homem principal da cidade, Bispo – Guardião da fé e Arcebispo - Pastor e guardião maior.

O sacerdote, responsável pela vida da igreja nos monastérios ou nas paróquias está um grau abaixo do episcopado. Os sacerdotes celibatários são chamados de Hieromonges. Os casados, podem ser Arciprestes ou Protopresbíteros. O sacerdote principal de uma paróquia é chamado de Pároco. 

O menor grau do sacerdócio é o diaconato. Os Diáconos ajudam na celebração dos ofícios, sempre com a permissão do superior. Alguns diáconos recebem o título honorífico de Protodiáconos.

Por último temos os monges, divididos em três graus: Riasofor (aquele que porta batina), Mandia (skima menor) e Skima (skima maior). Os de grau menor, possuem apenas a batina - veste comum para o uso diário, longa e com mangas largas. As etapas de consagração não são graus de superioridade, mas de serviço e vocação. Todos são igualmente monges e dedicam sua vida ao serviço de Deus.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

A NATUREZA SEGUNDO OS SANTOS PADRES.



''[...]O que tudo isto tem a ver com a visão de natureza dos Padres Gregos? Deixe-me explicar citando a interpretação da juventude de Moisés dada por São Máximo o Confessor, um proeminente teólogo bizantino do sétimo século. 

Máximo apresenta Moisés como um modelo se superação das paixões por meio da luta ascética. Na leitura alegórica de Máximo, o Faraó é o diabo; a filha do Faraó, a quem Moisés foi sujeita durante um tempo, são os sentidos; o egípcio que Moisés mata com 'zelo nobre' é o 'modo de pensar que pertence à carne'. 

Quando Moisés deixa o Egito para se tornar um pastor no deserto, as ovelhas por ele guiadas são ''o conjunto de pensamentos que ainda se ligam ao mundo e buscam nele sua satisfação''. Ele os governa e dirige com grande trabalho, levando-os ''através do deserto, que é uma condição privada de paixões e coisas materiais e prazeres, até a montanha do conhecimento de Deus''. 

Finalmente, no fim de suas lutas, Moisés encontra a sarça ardente. Na interpretação da sarça encontramos uma pista de como Máximo entende o mundo natural.

''[Moisés] se tornou merecedor de observar e ouvir com seu Nous o inefável, sobrenatural e divino fogo que está presente, como na sarça, no ser de tudo que existe, ou seja, Deus a Palavra, que nos últimos tempos brilhou da Sarça da Santa Virgem e falou a nós na carne.''

Deus Palavra -- o Logos -- está presente ''no ser de todas as coisas que existem''. Nos últimos dias, como sabemos, esta Palavra tomou a carne da Virgem Maria. A mesma Palavra está presente no mundo natural, mas para percebê-la, para ouvir sua mensagem, se requer a luta ascética e a resultante libertação das paixões. O fogo está para ser visto, mas apenas aqueles com uma visão purificada estão preparados para vê-lo.

Máximo coloca ponto similar em sua discussão da Transfiguração. De acordo com Máximo, não foi, propriamente falando, Cristo quem estava transfigurado quando foi visto em Sua Glória; foram os discípulos que estavam momentaneamente aptos para vê-lo como verdadeiramente era.

"Eles passaram da carne para o espírito antes de deixarem de lado esta vida carnal, pela mudança em seus poderes sensoriais, operada neles pelo espírito, levantando os véus das paixões da atividade intelectual [noética] possuída por eles.'' 

Mais uma vez, são as paixões que devem ser vencidas antes que a verdadeira visão possa ocorrer -- apesar de que neste caso, ''os véus das paixões'' são removidos momentaneamente por uma intervenção miraculosa do Espírito. 

Das muitas camadas de sentido na visão mesma, a única que nos concerne aqui diz respeito às vestimentas de Cristo. Máximo encontra nestas um símbolo ''da própria criação, que uma assunção básica considera de uma maneira limitada como desvelada tão somente aos sentidos enganadores, mas que também pode ser entendido, através da sábia diversidade das várias formas que contém, sob a analogia das vestimentas, sendo o valoroso poder da Palavra geradora que a veste.'' A criação física é a vestimenta da Palavra, da qual a própria Palavra brilha para aqueles que são capazes de ver.

Espero que fique claro destas duas passagens que a visão de natureza dos Padres Gregos diferia da nossa própria. Tendemos a pensar na natureza como um sistema autônomo que pode ser largamente entendido em seus próprios termos. Pode ser necessária a Graça para completá-la ou satisfazê-la, como Aquinas ensinava; apesar disso, a própria noção de ''completar'' mostra que o ponto inicial é a natureza. Daí porque Aquino inicia a Summa pela discussão do quanto podemos conhecer de Deus a partir da razão natural. Penso que é justo dizer -- embora não vá argumentar este ponto aqui -- que esta visão [tomista] de natureza foi uma pré-condição para a emergência da ciência moderna. Historicamente, suas raízes retornam à forte dicotomia entre graça e natureza estabelecida por Agostinho durante a controvérsia pelagiana.

A visão de Máximo é diferente. Ele não pensa na natureza como um sistema autônomo; se assemelha mais como uma sarça queimando com fogo divino, ou uma roupa vestida por Deus e brilhando com sua luz incriada. 

Uma outra metáfora oferecida por Máximo torna esta visão mais clara. Ele diz que as coisas físicas são para Deus como palavras para seus significados. Estudar o mundo físico como uma sistema autônomo faria tanto sentido quanto escrutinar as marcas em um pedaço de papel como se fossem objetos físicos. As marcas não estão lá para serem estudadas em seu próprio direito, mas para serem lidas, de modo que se discirna o significado por trás delas. Se elas não parecem fazer sentido, então a solução é escrutiná-las cada vez mais de perto; é aprender a língua em que foram escritas. O modo pelo qual alguém ''aprende a linguagem'', entretanto, não é o esforço intelectual. É pela purificação de si mesmo das paixões através da luta ascética e da obediência aos mandamentos divinos.''

''Cristianismo Oriental e Ocidental: Algumas diferenças filosóficas'', por David Bradshaw

Universidade de Kentucky.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

"...respeito do perdão dos pecados".

SÃO PACIANO, O BISPO DE BARCELONA.



Em 390 d.C. Escreve a respeito do perdão dos pecados:

“Isso que tu dizes, só Deus pode perdoar. Bastante certo: mas quando o faz através de seus sacerdotes é Ele que faz com Seu próprio poder” (Epistola I ad Simpron, 6 em P.L., XIII, 1057).

QUEM NÃO PARTICIPAVA DOS SACRAMENTOS NA IGREJA PRIMITIVA de acordo com São Dionísio, o Areopagita, bispo de Atenas.




Por isso mesmo, “aqueles que são inteiramente surdos ao ensinamento dos santos sacramentos não discernem sequer as imagens, pois recusaram insolentemente o nascimento de Deus em suas almas. Mas, os catecúmenos (os que estão aprendendo), os possessos (os que estão se rebelando) e os penitentes (os que estão se libertando) devem escutar”, ainda que não sejam “admitidos à celebração dos mistérios” que é somente “reservada aos olhos amadurecidos dos maduros”. É, então, que passa a falar sobre cada um dos ouvintes, ainda que não praticantes da Palavra, mencionados.

Primeiro, os catecúmenos – que estão aprendendo – ainda “não participam de nenhum sacramento”, visto que “Deus ainda não nasceu neles” e “permanecem no estágio de parto, sob a direção paternal das Escrituras”, à medida que neles está se realizando o bem-aventurado nascimento divino. Assim, como as crianças segundo a carne, se eles nascem antes do tempo adequado para o parto” são “imperfeitos e informes” e como “os abortos caem por terra sem terem recebido a vida, nem visto o dia”. Eis, o motivo porque “seria louco fundar-se sobre as aparências e dizer que vieram à luz porque escaparam das trevas”. De fato, “para que haja luz é preciso órgãos capazes de recebê-la”. Assim, eles renascem de acordo com o alimento das Escrituras “que lhes confere forma e vida”, sendo só, em seguida, que, uma vez, maduros “Deus pode finalmente neles nascer”. Só, então, o conhecimento dos santos lhes será concedido a fim de que entrem “em comunhão com as verdades que os iluminarão e que os aperfeiçoarão”.

Segundo, a “multidão dos possessos” – os que estão em rebeldia – ocupa a atenção de São Dionísio que a coloca como acima dos catecúmenos. Ao contrário dos catecúmenos, os possessos já receberam algum sacramento e “não são iguais a eles”. Todavia, recaíram do descanso espiritual, “por sua preguiça ou excesso de agitação”, o que é, por si só, “um estado contrário” ao efeito dos sacramentos da Igreja. Afinal, se é verdade que aquele que se encontra “no mais alto grau de conformidade com Deus que lhe seja acessível”, também “só se ocupará das realidades carnais quando se tratar das mais urgentes necessidades da natureza, e mesmo assim será caso passageiro, pois será o templo e amigo do Espírito, longe de sofrer jamais o efeito dos fantasmas e dos espantalhos do adversário”, é igualmente verdade que aqueles que “adotam os sentimentos e os costumes dos abomináveis demônios, desviam-se pela pior e mais funesta das loucuras” que é o afastamento daqueles bens, cuja posse ocasiona uma felicidade eterna e orientam os desejos e atos humanos. Eis, o caso dos possessos que se orientam “para as alterações da matéria e da multiplicidade de suas paixões, para os prazeres perecíveis e corruptores”. Por isso, “seria sacrilégio que participassem em alguma parte do sacrifício” que sucede “a recitação das Escrituras”, as quais, por sua vez, foram “destinadas a convertê-los a bens mais essenciais”, o que levava São Dionísio a privar da “comunicação dos Santos Mistérios” aquela “multidão dos possessos prisioneiros das paixões”, separando-os para que não participassem da Santa Comunhão e saíssem com os catecúmenos à ordem: “Retirai-vos catecúmenos! Que não fique nenhum catecúmeno!”.

Terceiro, os penitentes igualmente não participam dos Santos Mistérios, pois “não estão ainda libertos das imaginações más”, ainda que já “renunciaram viver no pecado”. Eles precisam tanto adquirir “o desejo de Deus, de modo durável e sem mistura”, prosseguindo em direção a uma vida santa e irrepreensível. Afinal, todos os que participam dos Santos Mistérios “são santamente deificados”, visto que neles a hierarquia da Igreja celebra “todas as operações divinas das quais fomos objeto”, nós os que, pela bondade divina, fomos formados “à sua imagem sobre os modelo eterno da Beleza” e temos recebido as “propriedades divinas para nos tornar capazes de elevação espiritual” e temos sido reconduzidos ao nosso estado primitivo pelos benefícios da Redenção em que Deus, “assumindo para ele a plenitude de nossa natureza”, agora nos outorga “a mais perfeita participação na sua, permitindo-nos assim entrar em comunhão com as realidades divinas”.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Dízimo.



Décima parte da produção, ou de outros bens, que se consagram ao Senhor e se usam fins religiosos. O primeiro dízimo mencionado na Escritura é pago por Abraão ao sacerdote Melquisedeque ( Gen 14, 20). Jacó prometeu pagar dízimo por  favor todas as coisas que Deus lhe dera (Gn 28, 20-22). Os dízimos foram prescritos na Lei Mosaica (Ex 22, 29; Lev 27, 30-34). Porções dos frutos da terra e do gado deveriam ser oferecidas ao Senhor. De três em em três anos, os dízimos eram destinados a obra de caridade. Mais tarde, apareceu o costume de dar o dízimo em espécie ou o seu valor para o santuário, onde era entregue os levitas, como herança ou parte. Estes por sua vez, davam um décimo de todos os dízimos recolhidos aos sacerdotes ( Num 18, 21. 26-28). Em período de declínio religioso, o pagamento de dízimos era negligenciado. Tal acontecia em Judá, quando o rei Ezequias ordenou que os dízimos fossem pagos (II Cro 31, 4-13). Malaquias disse ao povo que eles furtavam de Deus, quando sonegaram os dízimos (Mal 3, 8-11). O costume de pagar dízimos continuou até os tempos do Novo Testamento (LC 18, 12), por exemplo consta que os escrúpulos fariseus faziam questões de pagar dízimos até das ervas do jardim (Mt 23, 23; Lc 11,42.

Marcos Vinícius Faria de Moraes.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

«Creio na ressurreição da carne» (Credo)



Aqueles que estão enganados dizem que não há ressurreição da carne, que é impossível que esta, após ter sido destruída e reduzida a pó, reencontre a sua integridade. Segundo eles, a salvação da carne não seria apenas impossível, mas nociva; pois acusam a carne, denunciam os seus defeitos, tornam-na responsável pelo pecado, e afirmam que, se ela ressuscitar, também os seus defeitos ressuscitarão [...]. Aliás, o Salvador declarou «Quando ressuscitarem de entre os mortos não se casarão, mas serão como anjos nos céus». Ora os anjos, dizem eles, não têm carne, não comem nem se unem. Portanto, não haverá ressurreição da carne. [...]

Como são cegos os olhos do intelecto! Porque não viram na terra os cegos verem e os coxos caminharem (Mt 11,5) graças à palavra do Salvador [...], para nos fazer crer que, na ressurreição, a carne ressuscitará completa. Se nesta terra Ele curou as enfermidades da carne e devolveu ao corpo a sua integridade, quanto mais o fará no momento da ressurreição, para que a carne ressuscite sem defeito, integralmente [...]. Parece-me que essas pessoas ignoram a ação divina no seu conjunto, tanto na origem da criação como no fabrico do homem; e ignoram a razão por que foram feitas as coisas terrenas.

O Verbo disse: «Façamos o homem à nossa imagem e semelhança» (Gn 1,26). [...] É evidente que o homem, moldado à imagem de Deus, era de carne. Que absurdo é considerar desprezível e sem mérito a carne moldada por Deus segundo a sua imagem! É também evidente que a carne é preciosa aos olhos de Deus porque é obra sua. E, porque nela se encontra o princípio do seu projeto para o resto da criação, é o que há de mais precioso aos olhos do Criador.

+ S. Justino, o Mártir, "Tratado sobre a ressurreição", 2.4.7-9

quarta-feira, 2 de maio de 2018

O Uso do Véu na Igreja Ortodoxa (Pe. Joseph Gleason).



Durante 2000 anos na Igreja Ortodoxa, há uma tradição para que as mulheres e as meninas cubram a cabeça durante a adoração, seja na igreja para a liturgia ou em casa para o tempo de oração familiar.

Qual é a evidência bíblica e patrística para essa tradição e por que isso é importante?

Neste artigo, vamos dar uma olhada a respeito do véu no Antigo Testamento e no Novo Testamento, o véu de acordo com a Igreja primitiva, o véu nos ícones e o uso do véu hoje.

O USO DO VÉU NO ANTIGO TESTAMENTO

Séculos antes do nascimento de Cristo, o véu na cabeça das mulheres era uma prática aceita para o povo de Deus. Não era apenas uma opção para aquelas que desejavam ser santas. Em vez disso, era uma expectativa que todas as mulheres usassem para cobrir suas cabeças.

Quando o Espírito Santo inspirou Moisés a escrever os primeiros cinco livros da Escritura, a cobertura na cabeça das mulheres simplesmente era assumida como sendo uma prática normal. No livro de Números, quando é realizada uma cerimônia única que requer uma cabeça descoberta, a Escritura faz questão de dizer que o revestimento na cabeça da mulher precisa ser removido:

"Depois de colocar a mulher perante o Senhor, o sacerdote soltará o cabelo dela e porá nas mãos dela a oferta memorial, a oferta pelo ciúme, enquanto ele mesmo terá em sua mão a água amarga que traz maldição." (Números 5:18)

Claro, tal exigência não fazia nenhum sentido se as mulheres normalmente não mantivessem suas cabeças cobertas.

Ainda mais cedo do que isso, no livro de Gênesis, lemos sobre Rebeca, numa jornada para conhecer seu futuro marido, Isaac:

"Rebeca também levantou seus olhos, e viu a Isaque, e desceu do camelo. E disse ao servo: Quem é aquele homem que vem pelo campo ao nosso encontro? E o servo disse: Este é meu senhor. Então tomou ela o véu e cobriu-se." (Gênesis 24:64-65)

Sua discrição piedosa é um modelo para mulheres hoje. Ela não exibiu sua beleza física. Em vez disso, ela se velou, aumentando o fascínio através de uma exibição externa de modéstia.

O uso do revestimento na cabeça das mulheres também pode ser encontrado na história de Susana. É a história cativante de uma mulher linda e virtuosa que foi falsamente acusada e mais tarde vindicada pela sabedoria do jovem Daniel. Susana usava um véu que cobria não apenas a cabeça, mas também o rosto dela. A Escritura parece desaprovar a remoção de seu véu:

"Era delicada e bela de rosto. Aqueles homens perversos exigiam que ela retirasse seu véu — pois estava velada —, a fim de poderem (pelo menos) fartar-se de sua beleza. Os seus choravam, assim como seus amigos." (Daniel 13:32-33)

Nesta passagem da Escritura vemos que as mulheres piedosas buscavam cobrir suas cabeças com um véu, enquanto os homens ímpios procuravam sua remoção.

O USO DO VÉU NO NOVO TESTAMENTO

Os revestimentos para a cabeça das mulheres são um dos muitos pontos de semelhança entre Israel e a Igreja. As mulheres piedosas cobriram a cabeça por milhares de anos antes do advento de Cristo. E quando a Igreja do Novo Testamento nasceu, as mulheres piedosas continuaram a prática.

Na primeira epístola de São Paulo para a igreja de Corinto, ele instrui todos a seguir as tradições sagradas que foram recebidas:

"E louvo-vos, irmãos, porque em tudo vos lembrais de mim, e retendes os preceitos como vo-los entreguei." (Coríntios 11:2)

O véu na cabeça das mulheres é uma das tradições sagradas que a Igreja recebeu, e São Paulo gasta os próximos vários parágrafos a respeito disso. Ele diz que os revestimentos manifestam honra, no contexto da adoração:

"Todo o homem que ora ou profetiza, tendo a cabeça coberta, desonra a sua própria cabeça.
Mas toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta, desonra a sua própria cabeça, porque é como se estivesse rapada." (Coríntios 11:4-5)

A mensagem é bastante clara: é honroso para uma mulher usar o véu durante a adoração, mas é desonroso para os homens cobrirem suas cabeças. É por isso que os homens removem seus chapéus para a oração, até hoje.

Não se contentando em fazer seu ponto apenas uma vez, São Paulo reitera alguns versos depois. As mulheres devem cobrir suas cabeças, e os homens não devem fazê-lo:

"O homem, pois, não deve cobrir a cabeça, porque é a imagem e glória de Deus, mas a mulher é a glória do homem. Porque o homem não provém da mulher, mas a mulher do homem. Porque também o homem não foi criado por causa da mulher, mas a mulher por causa do homem. Portanto, a mulher deve ter sobre a cabeça sinal de poderio, por causa dos anjos." (Coríntios 11:7-10)

O Antigo Testamento revela que esta tradição sagrada é antiga, mas só começa a sugerir os motivos.

Aqui no Novo Testamento, recebemos alguns motivos para a prática. De acordo com Coríntios 11, o véu manifesta a honra de uma mulher. Eles também são importantes "por causa dos anjos".

Os anjos estão presentes conosco quando oramos e quando adoramos. Embora não possamos entender completamente por que os revestimentos para a cabeça são importantes para os anjos, basta saber que essa razão é dada nas Escrituras. Se a Escritura diz que o véu para as mulheres são importantes para os anjos, então é algo que devemos levar a sério.

O USO DO VÉU DE ACORDO COM OS PAIS DA IGREJA

São João Crisóstomo, em um sermão na Festa da Ascensão, falou tanto dos anjos quanto do velamento das mulheres:

"Os anjos estão presentes aqui... Abra os olhos da fé e tenha essa visão. Pois se o próprio ar estiver cheio de anjos, quanto mais a Igreja! Ouça o Apóstolo ensinando isso, quando ele pede às mulheres para cobrirem a cabeça com um véu por causa da presença dos anjos."

Orígenes, outro proeminente professor da Igreja Primitiva nos diz:

"Há anjos no meio da nossa assembléia; temos aqui uma Igreja dupla, uma de homens, a outra de anjos... E como há anjos presentes! As mulheres, quando oram, são ordenadas a ter uma cobertura sob suas cabeças por causa desses anjos. Eles ajudam os santos e se regozijam na Igreja."

"A Tradição Apostólica" foi escrita no segundo século, e acredita-se que o autor seja Santo Hipólito de Roma. Este livro contém instruções para catecúmenos, incluindo isso:

"E deixe que todas as mulheres tenham a cabeça coberta com um pano opaco..."

E São Cirilo de Alexandria, em comentário a Coríntios 11:

"Os anjos acham extremamente difícil suportar se esta lei [que as mulheres cubram a cabeça] é desconsiderada."



O USO DO VÉU NOS ÍCONES

Os ícones na Igreja Ortodoxa são um guia visual da Fé, uma espécie de "livro de imagens" do cristianismo. Os ícones nos ensinam sobre a vida, a morte e a ressurreição de Cristo e sobre a vida de muitos cristãos que nos precederam.

Os ícones também nos ensinam sobre os revestimentos para a cabeça.

Praticamente todos os ícones de uma mulher ortodoxa a exibem vestindo um véu. Tanto quanto eu sei, a única exceção é Santa Maria do Egito, e ela era uma santa solitária que vivia sozinha no deserto, longe de qualquer povo.

Entre as santas que participaram ativamente da sociedade, todas elas usavam coberturas para a cabeça, e seus revestimentos são mostrados nos ícones.

Mesmo Maria, a Mãe de Deus — a mulher mais abençoada de todo o universo — é mostrada em ícones, usando um véu.

Você pode pensar em um melhor modelo para as mulheres?

O USO DO VÉU HOJE

Em nossa igreja, todas as mulheres e meninas são convidadas a usar revestimentos sob a cabeça, em obediência ao comando de Deus nas Escrituras e por respeito às sagradas tradições da Igreja Ortodoxa. Logo após a porta principal da Igreja, mantemos uma cesta com véus, apenas no caso de uma mulher esquecer o dela em casa e precise emprestá-lo para o dia. Os revestimentos para cabeça também são usados em casa, durante o tempo de oração em família.

Enquanto honramos o caminho de Deus é uma recompensa para si mesmo, também há muitos outros benefícios. Por exemplo:

O véu manifesta a honra de uma mulher. Como São Paulo aponta nas Escrituras, uma mulher traz honra a si mesma cobrindo a cabeça durante a oração.

O véu incentiva a humildade. As mulheres piedosas vêm à igreja para se concentrar na adoração, não para chamar a atenção para si mesmas. Uma garota pode ser tentada a mostrar um penteado atraente. Quando uma mulher usa um revestimento, essa tentação é removida. Ela pode se concentrar na oração, em vez de ter sua atenção no cabelo.

O véu economiza tempo. Na cultura de hoje, pode ser tentador gastar muito tempo e energia em penteados. Mas os revestimentos para a cabeça são rápidos e fáceis. Demora muito menos tempo para colocar um revestimento de cabeça do que para preparar um penteado para exibição.

O véu nos ajuda a mostrar amor e consideração pelos nossos irmãos. Os homens piedosos vêm à igreja para se concentrar na adoração. Mas os penteador de uma mulher bonita podem os distrair. Ao velar os cabelos, uma mulher pode exibir sua modéstia e remover uma distração desnecessária.

Uma revista teológica recentemente ativa publicou um artigo sobre o uso do véu pelas mulheres. Logo depois, a autora do artigo tornou-se membro da Igreja Ortodoxa. No artigo, ela ilustra belamente o propósito icônico do véu:

"O meu uso de uma cobertura na cabeça não é apenas um símbolo ou sinal de que estou de acordo com o Seu pedido, mas que eu, visivelmente, me envio voluntariamente. Com a submissão vem a benção." (Christa Conrad)

Em uma questão do The Handmaiden, uma senhora chamada Elizabeth dá testemunho sobre o uso do véu:

"Durante doze anos, usei um cachecol [como revestimento] em todos os momentos. Agora percebo que tem sido — e continua sendo — essencial para o caminho peregrino e a salvação da minha alma. O caminho estreito para mim — e um número crescente de minhas irmãs — continua sendo a obediência. E com isso vem a sensação de estar no nosso devido lugar no universo ordenado de Deus, regozijando-se com os anjos. Agora, eu digo com gratidão: 'Eu sou!' Na presença do grande eu SOU — na oração e na igreja, cercado pelo anfitrião angélico, adorando nosso Senhor e Rei. A Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, seja a glória, agora e sempre, e até séculos dos séculos. Amém!"

Tradução: Felipe Rotta.

terça-feira, 24 de abril de 2018

Venerando a Mãe de Deus.


Desde os primeiros tempos do Cristianismo, a Santa Virgem Maria, pelas Suas graças maravilhosas, por ser a escolhida de Deus e pela Sua permanente ajuda aos necessitados, sempre obteve a veneração e a gratidão dos cristãos.

A veneração da Toda-Santa Virgem Maria, começou desde o momento em que o Arcanjo Gabriel A saudou e Lhe comunicou o mistério da maternidade divina do Filho de Deus: “Rejubila-Te, Maria, Cheia de Graça! O Senhor é con´Tigo! Bendita és Tu entre as mulheres e Bendito é o fruto do Teu ventre!”

Com esta mesma saudação, acrescentada das palavras: “Bendito é o Fruto de Teu ventre!” a Sagrada Virgem Maria foi recebida por Isabel, mulher do sacerdote Zacarias, à qual o Espírito Santo revelou que estava perante a Mãe de Jesus Cristo (Lucas 1:41).

A dedicada veneração da Toda-Santa Virgem Maria na Igreja Cristã é realizada em numerosas datas, que a Igreja destaca como recordações de inúmeras circunstâncias da vida da Sagrada Virgem. Importantes Santos e pastores da igreja elaboraram hinos preces em honra da Virgem Maria, e se expressaram profundamente inspirados espiritualmente por Ela. Juntamente com esta intensa veneração pela Mãe de Deus, é importante para a nossa própria aprendizagem sabermos como Ela viveu, como Se preparou, como cresceu e amadureceu até este elevado nível de evolução, — ser o receptáculo da Palavra de Deus.

As escrituras do Antigo Testamento, que previram o nascimento do Filho de Deus, fazem referências também à Toda-Santa Virgem Maria. Desta forma, a primeira menção ao Cristo Salvador,  que já incluía também uma profecia em relação à Virgem Santa, foi feita no julgamento a serpente:

 “Criarei o litígio (como sinônimo de diferença) entre ti e a Mulher e entre a tua semente e a semente d'ela”(Gênesis 3:15). A profecia que já se refere ao futuro Cristo-Salvador, aqui nesta citação é representado pela referência àsemente Dela enquanto em todas as outras situações os descendentes são citados como sementes de qualquer um dos descendentes masculinos.

O profeta Isaías clarifica mais ainda esta profecia, indicando que Ela, a Mulher escolhida para gerar o Messias-Emanuel, será Virgem: “Pois por isso o Senhor Deus vos dará este sinal” — diz o profeta aos pouco crentes descendentes de David. E apesar do termo “Virgem” parecer estranho aos antigos povos judeus, (uma vez que necessariamente pressupõe uma relação conjugal), eles não se atreveram a trocar a palavra “Virgem” por outra do tipo “Mulher”. Portanto: “Uma Virgem conceberá e dará a luz um filho, e seu nome será Emanuel”— nome que significa: Deus está conosco” (Isaías 7:14).

pelo Bispo Alexsandr Mileant