terça-feira, 10 de julho de 2018

Santa Mirófora Joana 27 de junho -- Calendário Juliano



Joana, a Mirófora, mulher de Cusa, intendente do Rei Herodes, foi um das mulheres que seguiam e serviam o Senhor Jesus Cristo durante Sua missão pública. Ela é mencionada no Evangelho do Bem Aventurado São Lucas.

Junto com outras miróforas, Santa Joana foi ao sepulcro para ungir o Santo Corpo do Senhor com mirra após Sua morte sobre a Cruz, e ouviu dos anjos a proclamação de Sua Toda Gloriosa Ressurreição. 

De acordo com a Santa Tradição, ela recuperou a cabeça de São João Batista. Santa Joana também é celebrada no Domingo das Miróforas.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

«Creio na ressurreição da carne» (Credo)



Aqueles que estão enganados dizem que não há ressurreição da carne, que é impossível que esta, após ter sido destruída e reduzida a pó, reencontre a sua integridade. Segundo eles, a salvação da carne não seria apenas impossível, mas nociva; pois acusam a carne, denunciam os seus defeitos, tornam-na responsável pelo pecado, e afirmam que, se ela ressuscitar, também os seus defeitos ressuscitarão [...]. Aliás, o Salvador declarou «Quando ressuscitarem de entre os mortos não se casarão, mas serão como anjos nos céus». Ora os anjos, dizem eles, não têm carne, não comem nem se unem. Portanto, não haverá ressurreição da carne. [...]

Como são cegos os olhos do intelecto! Porque não viram na terra os cegos verem e os coxos caminharem (Mt 11,5) graças à palavra do Salvador [...], para nos fazer crer que, na ressurreição, a carne ressuscitará completa. Se nesta terra Ele curou as enfermidades da carne e devolveu ao corpo a sua integridade, quanto mais o fará no momento da ressurreição, para que a carne ressuscite sem defeito, integralmente [...]. Parece-me que essas pessoas ignoram a ação divina no seu conjunto, tanto na origem da criação como no fabrico do homem; e ignoram a razão por que foram feitas as coisas terrenas.

O Verbo disse: «Façamos o homem à nossa imagem e semelhança» (Gn 1,26). [...] É evidente que o homem, moldado à imagem de Deus, era de carne. Que absurdo é considerar desprezível e sem mérito a carne moldada por Deus segundo a sua imagem! É também evidente que a carne é preciosa aos olhos de Deus porque é obra sua. E, porque nela se encontra o princípio do seu projeto para o resto da criação, é o que há de mais precioso aos olhos do Criador.

+ S. Justino, o Mártir, "Tratado sobre a ressurreição", 2.4.7-9

sábado, 7 de julho de 2018

S. João de Kronstadt.

Ícones nas igrejas e casas são necessários porque nos lembram da imortalidade dos santos; de que "eles vivem para Ele" (Lc. 20:38), de que em Deus eles nos vêem, ouvem e ajudam.

+ S. João de Kronstadt

terça-feira, 3 de julho de 2018


Bem aventurado Hieromártir Metódio, Bispo de Patara
20 de junho -- Calendário Juliano 

Metódio, Bispo de Patara -- cidade da Lícia, na Ásia Menor -- se distinguiu por sua genuína humildade monástica. Ele instruía seu rebanho com calma mas defendia com firmeza a pureza da Ortodoxia e com energia combatia as heresias, especialmente aquelas dos origenistas. 

Deixou atrás de si um rico legado: obras em defesa do cristianismo contra o paganismo, explicações dos dogmas ortodoxos contra os erros dos origenistas, discursos morais, explanações das Sagradas Escrituras. 

São Metódio foi preso por pagãos, e confessou diante dele a sua fé em Cristo. Foi sentenciado à morte pela decapitação no ano 312.

domingo, 1 de julho de 2018

Anthony Bloom,



Na Igreja Ortodoxa, temos orações da manhã e da tarde que são, no conjunto, mais longas do que as habitualmente usadas no Ocidente. Para ler essas orações, levaríamos cerca de meia hora pela manhã e meia hora pela tarde. Alguém que tentasse aprendê-las de cor, poderia valer-se delas em outros momentos. Mas, não basta apenas aprender de cor as orações. Uma oração só tem sentido se for vivida. Se elas são "vividas", se vida e orações se entrelaçam totalmente, as orações tornam-se uma espécie de refinado madrigal que oferecemos a Deus, por momentos, quando lhe dedicamos tempo. Se na oração da manhã fizermos uma afirmação, devemos ao longo do dia viver de acordo com ela. 

+ Anthony Bloom, "Escola de Oração". (Edições Paulinas, 1986, p. 59.)

sábado, 30 de junho de 2018

DITOS DOS PADRES DO DESERTO, UMA HISTÓRIA SOBRE O ARREPENDIMENTO



O Abençoado Abba Paulo, o Simples, discípulo do Abba Antão, contou aos Padres o que segue: Um dia ele foi a um mosteiro para visitá-lo e para se fazer útil aos irmãos. Após a conferência de costume, os irmãos entraram na santa igreja de Deus para realizar lá a synaxis, como era usual. O Abençoado Paulo olhou atentamente para cada um dos que entraram na igreja, observando a disposição espiritual com que eles foram para o serviço, pois havia recebido a graça do Senhor de ver o estado da alma de cada um, do mesmo modo com que podemos ver seus rostos.

Quando todos haviam adentrado a nave com olhos cintilantes e faces brilhantes, com o anjo de cada um a se alegrar sobre ele, Paulo disse: ''vejo um que está negro e cujo corpo está todo escurecido, os demônios estão em pé em cada lado dele, dominando-o, arrastando-o, e levando-o pelo nariz, e seu anjo, cheio de dor, com a cabeça baixa, segue-o à distância." Então Paulo, em lágrimas, batendo no peito, sentou-se na frente da igreja, chorando amargamente por causa do irmão que havia visto. 

A comunidade, vendo esse comportamento estranho e a mudança abrupta que o tinha levado às lágrimas e compunção, pediu-lhe insistentemente para contar-lhes por que estava chorando, temendo que estivesse fazendo isso como um sinal de acusação contra todos eles. Depois pediram-lhe para ir para a synaxis com eles. Mas Paulo permaneceu separado deles, sentado do lado de fora, lamentando o estado do irmão que havia visto.

Logo após o fim da synaxis, quando todos saíam, Paulo examinou cada um, querendo saber em que estado deixavam a nave. Ele viu o homem, anteriormente negro e sombrio, saindo da igreja com um rosto brilhante e um corpo branco, os demônios que o acompanhavam apenas à distância, enquanto o seu santo anjo seguia-o de perto, regozijando-se muito dele. Então Paulo saltou de alegria e começou a gritar, bendizendo a Deus, ''Ó, o inefável amor e a bondade de Deus ", e saiu correndo até um lugar elevado, gritando em voz alta:  ''Venham ver as obras do Senhor, quão terrível são e dignas de nossa admiração! Venha e veja, Ele quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade! Venha, vamos nos prostrar e lançar-nos aos Seus pés dizendo, Só Você pode levar nossos pecados'!''

Todos correram o mais rápido que puderam para se juntarem a ele, querendo ouvir o que estava dizendo. Quando estavam todos reunidos, Paulo relatou o que tinha visto na entrada da igreja e depois o que tinha acontecido, e pediu que o homem lhes contasse o porquê Deus tinha concedido uma mudança tão repentina nele. 

Em seguida, o homem a quem Paulo apontou contou tudo o que tinha acontecido com ele na frente de todos, dizendo: "Eu sou um homem pecador, eu vivi em fornicação por um longo tempo, até o presente momento, quando entrei na santa igreja de Deus, e ouvi a leitura do Santo Profeta Isaías; ou melhor, ouvi Deus falando através dele: " lavai-vos, purificai-vos. Tirai vossas más ações de diante de meus olhos. Cessai de fazer o mal, aprendei a fazer o bem. Respeitai o direito, protegei o oprimido; fazei justiça ao órfão, defendei a viúva. Pois bem, justifiquemo-nos, diz o Senhor. Se vossos pecados forem escarlates, tornar-se-ão brancos como a neve! Se forem vermelhos como a púrpura, ficarão brancos como a lã! Se fordes dóceis e obedientes, provareis os melhores frutos da terra"(Cf. Is. 1:16-19) e eu", ele continuou, "o fornicador, fiquei repleto de remorso em meu coração por causa dessa palavra do profeta e gemi em meu interior, dizendo a Deus: "Deus, que veio ao mundo para salvar os pecadores, aquilo que Você agora proclama pela boca de seu profeta, que se cumpra em mim, que sou um pecador e um homem indigno. De agora em diante dou minha palavra e prometo no meu coração que não vou mais pecar, que renunciarei a a toda injustiça e que doravante te servirei com uma consciência pura. Hoje, ó Senhor, a partir deste momento em diante, receba-me, pois me arrependo e lanço-me aos Teus pés, e desejo no futuro abster-me de todo o mal'.

Continuou ele, ''Saí da Igreja com estas promessas, seguro em minha alma que já não cometeria nenhum mal diante de Deus. " Ao ouvirem estas palavras, todos com uma só voz clamaram a Deus:" Como são numerosas as tuas obras, Senhor, com que sabedoria fizeste todas elas "(Sl 104.: 24) Então, como cristãos, tendo aprendido com as Sagradas Escrituras e as Santas Revelações, conheçamos a grande bondade de Deus para aqueles que sinceramente se refugiam nele e que corrigiem suas falhas passadas pelo arrependimento, e não desesperemos de nossa salvação. Na verdade, como foi proclamada pelo profeta Isaías, Deus lava aqueles que estão sujos com o pecado, tonar-os brancos como lã e como a neve e derrama sobre eles as boas coisas da Jerusalém Celeste, do mesmo modo como lemos no Profeta Ezequiel que Deus jurou não nos deixar perdidos: ''Não sinto prazer com a morte de quem quer que seja - oráculo do Senhor Javé! Convertei-vos, e vivereis!" (Ezequiel 18:32)

quinta-feira, 28 de junho de 2018

São Jerônimo de Estridão e Belém 15 de junho -- Calendário Juliano


Jerônimo nasceu em uma família cristã na cidade de Estridão, localizada entre a Dalmácia e a Panônia. Seu nome completo era Eusébio Hierônimo Sofrônio. Seus pais o enviaram para Roma, onde estudou as ciências seculares. 

No início de sua vida na capital, o jovem ficou deslumbrado pelas vaidades mundanas e caiu em tentação. Ao fim de sua estada em Roma, Jerônimo decidiu mudar sua vida e passá-la na bondade e na pureza. Quando chegou aos 20 anos de idade, aceitou o Santo Batismo. Depois visitou a Gália, atual França, e escolhendo dedicar sua vida a Deus, queria tornar-se monge. 

Em 372, Jerônimo retornou à sua cidade natal, mas seus pais já haviam falecido. O monge ficou com a responsabilidade de educar suas irmãs mais novas e seu irmão Pauliniano. Esses cuidados fizeram com que adiasse seus planos de entrar para um mosteiro. 

Depois de cuidar de seus parentes, viajou para o Oriente com muitos amigos. Em 374, decidiu habitar no deserto de Chalcis, a sudeste de Antioquia. Permaneceu ali por cinco anos, combinando ascetismo e trabalho sobre as Sagradas Escrituras. São Jerônimo dominou as línguas hebraica e caldéia e começou a se corresponder com numerosas pessoas sobre uma grande variedade de temas. 120 dessas cartas foram preservadas. 

Havia uma controvérsia entre os Bispos Melétio, Paulino e Vitalis que alcançou o mosteiro em que São Jerônimo trabalhava. Em consequência, as disputas fizeram com que ele deixasse a vida monástica e rumasse para Antioquia. Ali, o Bispo Paulino o ordenou sacerdote. Depois disso, São Jerônimo visitou Constantinopla e conversou com os Santos Hierarcas Gregório Teólogo e Gregório de Nissa. 

Em 381, retornou à Roma, onde continuou seus estudos. O Santo Papa Damásio I [366-384], que também devotava muito de seu tempo ao estudo das Sagradas Escrituras, fez de São Jerônimo seu secretário. Mas por causa das denúncias que fez sobre a moralidade da sociedade cristã de então, muitos o difamaram. Três anos depois, ele abandonou a cidade e, junto com seu irmão Pauliniano e amigos, visitou a Terra Santa e os monges do deserto de Nítria. 

Em 386, se estabeleceu em uma caverna em Belém, próximo daquela em que Cristo havia nascido, e começou uma vida de ascetismo austero. Foi o período em que sua criatividade floresce e em que produziu obras que se tornaram um legado imorredouro da Igreja; coleção de trabalhos dogmáticos, obras de ascese, comentários sobre as Escrituras, trabalhos históricos. 

A mais importante de suas obras foi uma nova tradução dos livros do Velho e do Novo Testamento para a língua latina. Essa tradução se chama ''Vulgata'' e se tornou de uso geral no Ocidente. Em 411, Belém foi invadida por beduínos. Apenas por misericórdia de Deus a comunidade do idoso asceta foi salva da destruição completa. 

São Jerônimo terminou sua vida em uma caverna em Belém, por volta de 420. Suas relíquias foram transferidas de Belém para Roma em 642, mas sua localização presente é desconhecida.