sábado, 14 de abril de 2018

Sábado Luminoso: Santa Maria do Egito († 521)



Santa Maria do Egito viveu em meados do V século e começo do VI. A sua juventude não era nada promissora. Ela tinha somente 12 anos, quando saiu de sua casa em Alexandria, e ficando livre do controle dos pais, jovem e inexperiente como era se envolveu com a vida devassa. Não havia ninguém que pudesse detê-la, e tinha muitos sedutores e muitas tentações em volta dela. Assim, Maria passou 17 anos nesta vida que leva à perdição, até que Deus misericordioso providenciou a sua penitência. Aconteceu isto assim:  
Por força das circunstancias, Maria se juntou a um grupo de peregrinos, que estavam se dirigindo para a Terra Santa. Durante a viagem no navio, Maria não parava de seduzir os romeiros e a pecar. Ao chegar a Jerusalém, se juntou a um grupo de pessoas que iam para a igreja de Ressurreição. Todos os homens entravam livremente na igreja, porém Maria foi parada por uma mão invisível e não conseguia entrar de jeito algum. Aí ela compreendeu, que Deus não a deixava entrar num lugar santo por causa da sua devassidão. Maria ficou possuída de um grande temor e de um grande desejo de penitência, e começou a pedir a Deus o perdão dos pecados, prometendo se regenerar. Então percebeu, logo na entrada, o ícone de Nossa Senhora e começou a lhe pedir que intercedesse por ela perante Deus. Logo ela sentiu um grande alívio e entrou livremente na igreja.  
Chorando muito no Santo Sepulcro, saiu da igreja completamente transformada. Maria cumpriu sua promessa de mudar a sua vida. Assim, se retirou de Jerusalém para o deserto do Jordão e lá viveu quase meio século em solidão, rezando e jejuando. Com estes atos de penitencia Maria se livrou completamente de todo desejo pecaminoso e purificou o seu coração para que este se transformasse num templo do Espírito Santo.  

O ancião Zózimo, do mosteiro do Profeta João, o Precursor, por providência de Deus, encontrou a santa Maria no deserto, quando esta já era uma anciã. Ele ficou maravilhado com sua santidade e seu dom de prever as coisas. Uma vez ele viu Maria se erguer acima da terra, levitando, enquanto ela orava, e outra vez a viu atravessar o rio Jordão, andando sobre as águas como uma terra firme. Na despedida do velho Zózimo, Maria lhe pediu que voltasse dentro de um ano, para lhe dar a comunhão. Zózimo voltou para o deserto conforme combinado e lhe deu a Santa Comunhão.  


Depois, após um ano voltando mais uma vez ele a encontrou morta. O velho Zózimo enterrou as santas relíquias lá mesmo no deserto, e na sua tarefa lhe ajudou um leão, que com as suas garras cavou a cova para o sepultamento do corpo da justa. Santa Maria faleceu em 521. Assim, de uma grande pecadora, a santa Maria se transformou, com a ajuda de Deus, numa grande justa, numa das maiores santas e nos deixou um grande exemplo de penitência. Ela é lembrada pela igreja em 1º de abril e no 5º domingo da Quaresma.

sábado, 7 de abril de 2018

Grande Sábado Santo Descida de Cristo ao Hades 25 de março -- Calendário Juliano


No Grande e Santo Sábado a Igreja Ortodoxa comemora o enterro de Cristo e Sua descida ao Hades. É o dia entre a crucificação de Nosso Senhor e Sua gloriosa Ressurreição. 

As Matinas do Santo Sábado ocorrem no fim da sexta, e enquanto muitos elementos do ofício representam a lamentação pela morte e sepultamento de Cristo, o ofício em si mesmo é marcado por expectativa vigilante. 

O mistério da descida do Senhor ao Hades aponta que a morte foi destruída por dentro de si própria. A Tumba de Cristo, foco de todo o ofício, não é um túmulo comum, não é lugar de corrupção, mas de vitória, vivificante e fonte de poder. 

Neste dia, Cristo observa um repouso sabático na tumba. Seu repouso, entretanto, não é inatividade, mas realização da vontade divina e do plano de salvação para a humanidade e para o cosmos. Aquele que trouxe todas as coisas ao ser, torna novas todas as coisas. A re-criação do mundo foi cumprida de uma vez por todas. Através de Sua encarnação, vida e morte, Cristo preencheu todas as coisas consigo mesmo, abriu um caminho de ressurreição para toda a carne, já que não era possível que o Autor da Vida fosse dominado pela corrupção. 

A observação solene do Grande Sábado nos ajuda a lembrar e celebrar a grande verdade de que ''a despeito das vicissitudes diárias e contradições da história, além da presença permanente do inferno no interior do coração humano e da sociedade, a vida foi libertada! Cristo quebrou o poder da morte. 

Por isto também o ícone da Ressurreição é a Descida de Cristo ao Hades, o lugar dos mortos. O ícone retrata um Cristo vitorioso, reinando em glória, atropelando a morte e pegando Adão e Eva pelas mãos, retirando-os dos abismos do inferno. Este ícone expressa vividamente as verdades que resultam da derrota da morte através da morte e ressurreição de Cristo.



Fontes: sites da 'Orthodox Church of America' e da 'Greek Orthodox Archdiocese of America'.

LEITURAS

-- Matinas

Ezequiel 37:1 a 14
1 Corínthios 5:6 a 8
Gálatas 3:13 e 14
São Mateus 27:62 a 66

No dia seguinte - isto é, o dia seguinte ao da Preparação -, os príncipes dos sacerdotes e os fariseus dirigiram-se todos juntos à casa de Pilatos. E disseram-lhe: Senhor, nós nos lembramos de que aquele impostor disse, enquanto vivia: Depois de três dias ressuscitarei. Ordena, pois, que seu sepulcro seja guardado até o terceiro dia. Os seus discípulos poderiam vir roubar o corpo e dizer ao povo: Ressuscitou dos mortos. E esta última impostura seria pior que a primeira. Respondeu Pilatos: Tendes uma guarda. Ide e guardai-o como o entendeis. Foram, pois, e asseguraram o sepulcro, selando a pedra e colocando guardas.

-- Vésperas

Gênesis 1:1 a 13
Isaías 60:1 a 16
Êxodo 12:1 a 11
Jonas 1:1 a 4:11
Josué 5:10 a 15
Êxodo 13:20 a 15:19
Sofonias 3:8 a 15
1 Reis 17:8 a 24
Isaías 61:10 a 62:5
Gênesis 22:1 a 18
Isaías 61:1 a 9
2 Reis 4:8 a 37
Isaías 63:11 a 64:5
Jeremias 31:31 a 34
Daniel 3:1 a 23

LITURGIA DE SÃO BASÍLIO

Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova. Se fomos feitos o mesmo ser com ele por uma morte semelhante à sua, sê-lo-emos igualmente por uma comum ressurreição. Sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que seja reduzido à impotência o corpo (outrora) subjugado ao pecado, e já não sejamos escravos do pecado. (Pois quem morreu, libertado está do pecado.) Ora, se morremos com Cristo, cremos que viveremos também com ele, pois sabemos que Cristo, tendo ressurgido dos mortos, já não morre, nem a morte terá mais domínio sobre ele. Morto, ele o foi uma vez por todas pelo pecado; porém, está vivo, continua vivo para Deus! Portanto, vós também considerai-vos mortos ao pecado, porém vivos para Deus, em Cristo Jesus.

[epístola de São Paulo aos Romanos 6:3 a 11]

Depois do sábado, quando amanhecia o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o túmulo. E eis que houve um violento tremor de terra: um anjo do Senhor desceu do céu, rolou a pedra e sentou-se sobre ela. Resplandecia como relâmpago e suas vestes eram brancas como a neve. Vendo isto, os guardas pensaram que morreriam de pavor. Mas o anjo disse às mulheres: Não temais! Sei que procurais Jesus, que foi crucificado. Não está aqui: ressuscitou como disse. Vinde e vede o lugar em que ele repousou. Ide depressa e dizei aos discípulos que ele ressuscitou dos mortos. Ele vos precede na Galiléia. Lá o haveis de rever, eu vo-lo disse. Elas se afastaram prontamente do túmulo com certo receio, mas ao mesmo tempo com alegria, e correram a dar a boa nova aos discípulos. Nesse momento, Jesus apresentou-se diante delas e disse-lhes: Salve! Aproximaram-se elas e, prostradas diante dele, beijaram-lhe os pés. Disse-lhes Jesus: Não temais! Ide dizer aos meus irmãos que se dirijam à Galiléia, pois é lá que eles me verão. Enquanto elas voltavam, alguns homens da guarda já estavam na cidade para anunciar o acontecimento aos príncipes dos sacerdotes. Reuniram-se estes em conselho com os anciãos. Deram aos soldados uma importante soma de dinheiro, ordenando-lhes: Vós direis que seus discípulos vieram retirá-lo à noite, enquanto dormíeis. Se o governador vier a sabê-lo, nós o acalmaremos e vos tiraremos de dificuldades. Os soldados receberam o dinheiro e seguiram suas instruções. E esta versão é ainda hoje espalhada entre os judeus. Os onze discípulos foram para a Galiléia, para a montanha que Jesus lhes tinha designado. Quando o viram, adoraram-no; entretanto, alguns hesitavam ainda. Mas Jesus, aproximando-se, lhes disse: Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.

[Evangelho de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo segundo o Bem Aventurado Evangelista São Mateus 28:1 a 20]

[ícone do epitaphios],


Estação em Doze Apóstolos

Basílica dos Santos Doze Apóstolos.


Maria Madalena, cheia de amor, constante e intrépida durante a Paixão, teve o privilégio de receber uma aparição especial de Jesus e a missão de anunciar aos Apóstolos a Ressurreição cf. Jo: 20, 11-18. Também esse fato é uma nova confirmação de que Jesus ressuscitou verdadeiramente".

"... Exultemos e alegremo-nos nele" (Sl: 117,24), por que a Páscoa, como descreve a lição cf. At: 8, 26-40  da respeito do eunuco da rainha da Etiópia, recorda a Redenção operada pela mão poderosa " Louvaram em coro vossa vitoriosa, a Sabedoria  abriu a boca aos mudos e tornou eloquente a língua das crianças." (Sb: 10, 20-21) e misericórdiosa de Deus a nossa passagem do pecado a vida da graça e o nosso ingresso na Igreja, mediante o Batismo.

Túmulo de São Tiago e São Filipe, na cripta.

Marcos Vinícius Faria de Moraes.

Recomendações aos presbíteros e aos fiéis.

Primeira leitura:

Da Primeira Carta de São Pedro             4,12-5,14

Recomendações aos presbíteros e aos fiéis.


        4,12Caríssimos, não estranheis o fogo da provação que alastra entre vós, como se alguma coisa de estranho vos estivesse acontecendo. 13Alegrai-vos por participar dos sofrimentos de Cristo, para que possais também exultar de alegria na revelação da sua glória. 14Se sofreis injúrias por causa do nome de Cristo, sois felizes, pois o Espírito da glória, o Espírito de Deus repousa sobre vós. 15Mas nenhum de vós queira sofrer como assassino, ladrão ou malfeitor, ou por intrometer-se na vida dos outros. 16Se, porém, alguém sofrer como cristão, não se envergonhe. Antes, glorifique a Deus por este nome. 

        17Porque chegou o tempo do julgamento, que deve começar pela família de Deus. Ora, se ele começa por nós, qual será o fim dos que se recusam a obedecer ao evangelho de Deus? 18Se mal consegue salvar-se o justo, o que será do ímpio e do pecador?

        19Assim, pois, os que sofrem segundo a vontade de Deus entreguem suas vidas ao Criador, que é fiel, e dediquem-se à prática do bem. 
        5,1Exorto aos presbíteros que estão entre vós, eu, presbítero como eles, testemunha dos sofrimentos de Cristo e participante da glória que será revelada:2Sede pastores do rebanho de Deus, confiado a vós; cuidai dele, não por coação, mas de coração generoso;não por torpe ganância, mas livremente; 3não como dominadores daqueles que vos foram confiados, mas antes, como modelos do rebanho. 4Assim, quando aparecer o pastor supremo, recebereis a coroa permanente da glória.  

        5Igualmente vós, jovens, sede submissos aos mais velhos. Revesti-vos todos de humildade no relacionamento mútuo, porque  
Deus resiste aos soberbos, 
mas dá a sua graça aos humildes.

        6Rebaixai-vos, pois, humildemente, sob a poderosa mão de Deus, para que, na hora oportuna, ele vos exalte. 7Lançai sobre ele toda a vossa preocupação, pois é ele quem cuida de vós. 8Sede sóbrios e vigilantes. O vosso adversário, o diabo, rodeia como um leão a rugir, procurando a quem devorar.9Resisti-lhe, firmes na fé, certos de que iguais sofrimentos atingem também os vossos irmãos pelo mundo afora. 

        10Depois de terdes sofrido um pouco, o Deus de toda a graça, que vos chamou para a sua glória eterna, em Cristo, vos restabelecerá e vos tornará firmes, fortes e seguros. 11A ele pertence o poder, pelos séculos dos séculos. Amém. 

        12Por meio de Silvano, que considero um irmão fiel junto de vós, envio-vos esta breve carta, para vos exortar e para atestar que esta é a verdadeira graça de Deus, na qual estais firmes. 13A Igreja que está em Babilônia, eleita como vós, vos saúda, como também, Marcos, o meu filho. 14Saudai-vos uns aos outros com o abraço do amor fraterno. A paz esteja com todos vós que estais em Cristo.

Segunda leitura:

Das Catequeses de Jerusalém

(Cat. 22, Mystagogica 4,1.3-6.9: PG 33, 1098-1106)           (Séc.IV)

O pão do céu e a bebida da salvação.



        Na noite em que foi entregue, nosso Senhor Jesus Cristo tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e deu-o a seus discípulos, dizendo: “Tomai e comei: isto é o meu corpo”. Em seguida, tomando o cálice, deu graças e disse: “Tomai e bebei: isto é o meu sangue” (cf. Mt 26,26-27; 1Cor 11,23-24). Tendo, portanto, pronunciado e dito sobre o pão: Isto é o meu corpo, quem ousará duvidar? E tendo afirmado e dito:Isto é o meu sangue, quem se atreverá ainda a duvidar e dizer que não é o seu sangue? 

        Recebamos, pois, com toda a convicção, o Corpo e o Sangue de Cristo. Porque sob a forma de pão é o corpo que te é dado, e sob a forma de vinho, é o sangue que te é entregue. Assim, ao receberes o corpo e o sangue de Cristo,te transformas com ele num só corpo e num só sangue. Deste modo, tendo assimilado em nossos membros o seu corpo e o seu sangue, tornamo-nos portadores de Cristo; tornamo-nos, como diz São Pedro, participantes da natureza divina (2Pd 1,4).  

        Outrora, falando aos judeus, dizia Cristo: Se não comerdes a minha carne e não beberdes o meu sangue, não tereis a vida em vós (cf. Jo 6,53). Como eles não compreenderam o sentido espiritual do que lhes era dito, afastaram-se escandalizados, julgando estarem sendo induzidos por Jesus a comer carne humana. 

        Na Antiga Aliança havia os pães da propiciação; por pertencerem ao Velho Testamento, já não mais existem. Na Nova Aliança, porém, trata-se de um pão do céu e de um cálice da salvação que santificam a alma e o corpo. Assim como o pão é próprio para a vida do corpo, também o Verbo é próprio para a vida da alma.  

        Por isso, não consideres o pão e o vinho eucarísticos como se fossem elementos simples e vulgares. São realmente o corpo e o sangue de Cristo, segundo a afirmativa do Senhor. Muito embora os sentidos te sugiram outra coisa, tem a firme certeza do que a fé te ensina. 

        Se foste bem instruído pela doutrina da fé, acreditas firmemente que aquilo que parece pão, embora seja como tal sensível ao paladar, não é pão, mas é o corpo de Cristo. E aquilo que parece vinho, muito embora tenha esse sabor, não é vinho, mas é o sangue de Cristo. Antigamente, bem a propósito, já dizia Davi nos salmos: O pão revigora o coração do homem, e o óleo ilumina a sua face (Sl 103,15). Fortifica, pois, teu coração, recebendo esse pão espiritual e faze brilhar a alegria no rosto de tua alma. 

        Com o rosto iluminado por uma consciência pura, contemplando como num espelho a glória do Senhor, possas caminhar de claridade em claridade, em Cristo Jesus, nosso Senhor, a quem sejam dadas honra, poder e glória pelos séculos sem fim. Amém.


sexta-feira, 6 de abril de 2018

A unção do Espírito Santo.

Primeira leitura:

Da Primeira Carta de São Pedro             3,18-411

A espera da vinda do Senhor.



        Caríssimos: 3,18Com efeito, também Cristo morreu, uma vez por todas, por causa dos pecados, o justo pelos injustos, a fim de nos conduzir a Deus. Sofreu a morte, na sua existência humana, mas recebeu nova vida pelo Espírito. 19No Espírito, ele foi também pregar aos espíritos na prisão, 20 a saber, aos que foram desobedientes antigamente, quando Deus usava de longanimidade, nos dias em que Noé construía a arca. Nesta arca, umas poucas pessoas – oito – foram salvas, por meio da água. 21À arca corresponde o batismo, que hoje é a vossa salvação. Pois o batismo não serve para limpar o corpo da imundície, mas é um pedido a Deus para obter uma boa consciência, em virtude da ressurreição de Jesus Cristo, 22Ele subiu ao céu e está à direita de Deus, submetendo-se a ele anjos, dominações e potestades.

        4,1 Já que Cristo sofreu na carne, vós também deveis preparar-vos com esta convicção: aquele que sofreu na carne rompeu com o pecado. 2Assim, ele viverá o resto de sua vida corporal guiado pela vontade de Deus, e não por paixões humanas. 3Basta o tempo que passastes praticando os caprichos dos pagãos, entregues à dissolução, paixões, embriaguez, comilanças, bebedeiras e idolatrias abomináveis. 4Agora, eles estranham que não mais vos entregueis à mesma torrente de perdição, e vos cobrem de insultos. 5Mas eles terão de prestar contas àquele que está pronto para julgar os vivos e os mortos. 6Pois exatamente para isto o evangelho foi anunciado aos mortos para que sejam julgados à maneira dos homens, na carne, mas possam viver conforme Deus, no espírito.

        7O fim de todas as coisas está próximo. Vivei com inteligência e vigiai, dados à oração. 8Sobretudo, cultivai o amor mútuo, com todo o ardor, porque o amor cobre uma multidão de pecados.9Sede hospitaleiros uns com os outros, sem reclamações. 10Como bons administradores da multiforme graça de Deus, cada um coloque à disposição dos outros o dom que recebeu. 11Se alguém tem o dom de falar, proceda com palavras de Deus. Se alguém tem o dom do serviço, exerça-o como capacidade proporcionada por Deus, a fim de que, em todas as coisas, Deus seja glorificado, em virtude de Jesus Cristo, a quem pertencem a glória e o poder, pelos séculos dos séculos. Amém.

Segunda leitura:

Das Catequeses de Jerusalém
(Cat. 21, Mystagogica 3,1-3; PG 33,1087-1091) (Séc. IV)

A unção do Espírito Santo.


        Batizados em Cristo e revestidos de Cristo, vós vos tomastes semelhantes ao Filho de Deus. Com efeito, Deus que nos predestinou para a adoção de filhos tornou-nos semelhantes ao corpo glorioso de Cristo. Feitos, portanto, participantes do corpo de Cristo, com toda razão sois chamados "cristãos", isto é, ungidos; pois foi de vós que Deus disse: Não toqueis nos meus ungidos (Sl 104,15).

        Tomastes-vos "cristãos" no momento em que recebestes o selo do Espírito Santo; e tudo isto foi realizado sobre vós em imagem, uma vez que sois imagem de Cristo. Na verdade, quando ele foi batizado no rio Jordão e saiu das águas, nas quais deixara a fragrância de sua divindade, realizou-se então a descida do Espírito Santo em pessoa, repousando sobre ele como o igual sobre o igual.


        O mesmo aconteceu convosco: depois que subistes da fonte sagrada, o óleo do crisma vos foi administrado, imagem real daquele com o qual Cristo foi ungido, e que é, sem dúvida, o Espírito Santo. Isaías, contemplando profeticamente este Espírito, disse em nome do Senhor: O Espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu; enviou-me para dar a boa-nova aos humildes (Is 61,1).


        Cristo jamais foi ungido por homem, seja com óleo ou com outro unguento material. Mas o Pai, ao predestiná-lo como Salvador do mundo inteiro, o ungiu com o Espírito Santo. É o que nos diz Pedro: Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo (At 10,38). E o profeta Davi cantava: Vosso trono, ó Deus, é eterno, sem fim; vosso cetro real é sinal de justiça: vós amais a justiça e odiais a maldade. É por isso que Deus vos ungiu com seu óleo, deu-vos mais alegria que aos vossos amigos (Sl 44,7-8).


        Cristo foi ungido com o óleo espiritual da alegria, isto é, com o Espírito Santo, chamado óleo de alegria, precisamente por ser o autor da alegria espiritual. Vós, porém, fostes ungidos com o óleo do crisma, tornando-vos participantes da natureza de Cristo e chamados a conviver com ele.


        Quanto ao mais, não julgueis que este crisma é um óleo simples e comum. Depois da invocação já não é um óleo simples e comum, mas um dom de Cristo e do Espírito Santo, tornando-se eficaz pela presença da divindade. Simbolicamente unge-se com ele a fronte e os outros membros. E enquanto o corpo é ungido com óleo visível, o homem é santificado pelo espírito que dá a vida. 
 

Grande Sexta Feira da Paixão e Morte de Cristo 24 de março -- Calendário Juliano.




Neste dia recordamos os sofrimentos de Cristo: a zombaria, a coroa de espinhos, os açoites, os ferimentos, a sede, o vinagre e o fel, o lamento e tudo o que o Salvador passou na Cruz. 

O dia da morte de Cristo é o dia do pecado. O pecado que maculou a criação de Deus na origem do tempos alcança seu clímax aterrorizante no Monte do Gólgota. Lá, o pecado e o mal, a destruição e a morte, estão em seu meio. 

Os homens que desprezam Deus O crucificaram para que O destruíssem. No entanto, Sua morte condenou irrevogavelmente o mundo decaído ao revelar sua natureza verdadeira e anormal. Em Cristo, o Novo Adão, não há pecado. E, portanto, não há morte. 

Ele aceitou a morte porque assumiu a completa tragédia de nossas vidas. Escolheu entregar sua vida à morte para destruí-la; para quebrar as cadeias do mal. Sua morte é a revelação última e final de seu amor e obediências perfeitos. Ele sofreu por nós a dor excruciante da absoluta solidão e alienação. Então, aceitou o horror final da morte com um grito agonizante. 

Seu grito indica, por outro lado, que Ele estava no controle sobre Sua morte e que Seu trabalho redentor havia sido realizado. Quão estranho! 

Enquanto nossa morte é irrealização radical, a de Cristo é total realização. 

O dia da morte de Cristo veio a ser o dia de nosso verdadeiro nascimento. No interior do mistério da morte e da ressurreição de Cristo a morte adquire um valor positivo. Ainda que a morte física e biológica aparentemente reine, ela já não é mais o estágio final de um processo longo e destrutivo. Ela se torna a porta indispensável e sinal seguro de nossa última Páscoa, nossa passagem da morte para a vida -- e não mais da vida para a morte. 

Desde o início a Igreja observou uma celebração anual dos três dias cruciais e decisivos da história sagrada, isto é, a Grande Sexta, o Grande Sábado e a Páscoa. A Sexta Feira e o Sábado santos tem sido observados como dias de profunda tristeza e jejum rigoroso desde a Antiguidade cristã. 

Elas nos remetem diretamente ao julgamento, crucificação, morte e enterro de Cristo. Somos colocados no meio do maravilhoso mistério da humilhação extrema de nosso Deus sofredor. 

Assim, estes dias são de profunda melancolia como também de esperança vigilante. O Autor da vida está operando a transformação da morte em vida. 

Liturgicamente, o evento da morte e enterro de Deus na carne é marcada por um tipo particular de silêncio, isto é, de ausência de celebração eucarística. São somente nestes dois dia do ano em que não se reúne nenhuma assembléia eucarística. 

Os ofícios divinos da Grande Sexta Feira, com a riqueza de suas grandes lições escriturísticas, a hinografia e as ações litúrgicas, dão à Paixão de Cristo seu significado cósmico. 

Fonte: site da ''Greek Orthodox Archdiocese of America''

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LEITURAS

-- Os Doze Evangelhos da Paixão

1) São João 13:31 a 17:26
2) São João 18:1 a 27
3) São Mateus 26:57 a 75
4) São João 18:28 a 19:16
5) São Mateus 27:3 a 32
6) São Marcos 15:16 a 32
7) São Mateus 27:33 a 54
8) São Lucas 23:32 a 49
9) São João 19:25 a 37
10) São Marcos 15:43 a 47
11) São João 19:38 a 42
12) São Mateus 27:62 a 66

Grande Quinta Feira Santa Última Ceia e Instituição da Eucaristia 23 de Março -- Calendário Juliano.



Na Grande Quinta Feira Santa recordamos quatro eventos: o lava-pés, a Instituição da Santa Eucaristia durante a Última Ceia, a agonia no Jardim do Getsemani, e a traição de Judas. 

A Instituição da Eucaristia

Durante a Mística Ceia no quarto do andar superior, Jesus revelou um significado radicalmente novo para o banquete sagrado. Ele identificou a Si mesmo com o pão e o vinho. Nós aprendemos a considerar a comida como vida, pois ela sustém a nossa existência. Na Eucaristia, o pão e o vinho se tornam nossa oferenda de vida. Consagrados e santificados, este mesmo pão e vinho se tornam o Corpo e Sangue de Cristo. Esta mudança é mística e sacramental. Na Eucaristia, Deus entra em tal comunhão que alimenta a humanidade com Seu próprio Ser, enquanto continua ainda assim distinto. Nas palavras de São Máximo Confessor, Cristo ''nos transmite a vida divina, tornando-se digerível''. O Autor da vida estilhaça as limitações de nossa natureza criada. Cristo age de modo a nos fazer ''partícipes da natureza divina'' (2 Pedro 1:4). A Eucaristia está no centro da vida da Igreja. É sua atividade e oração mais profunda, sendo ao mesmo tempo a fonte e a culminação de sua vida. Na Eucaristia a Igreja manifesta sua verdadeira natureza e é continuamente transformada de comunidade humana em Corpo de Cristo, Templo do Espírito Santo e Povo de Deus. Trata-se do maior dos sacramentos [mistérios], pois completa todos os demais e recapitula inteiramente a economia da salvação. Nossa vida nova em Cristo é constantemente renovada e acrescida pela Eucaristia, que infunde-nos vida, sendo a vida dada a Vida de Deus. Na eucaristia a Igreja relembra e restabelece sacramentalmente o evento redentor da Cruz e a participação em sua Graça Salvífica. Isso não sugere que a Eucaristia tenta reproduzir um evento passado. Ela não repete o que não pode ser repetido. Antes, o alimento eucarístico é transformado concreta e realmente no Corpo e Sangue do Cordeiro de Deus, ''Que Se deu pela vida do mundo''. Cristo, o Theanthropo, continuamente se oferece aos fiéis através dos Dons consagrados, isto é, nos dá Seu próprio Corpo ressurrecto e deificado, que por nós morreu e agora vive. Assim, os fiéis retornam à Igreja toda semana não apenas para adorar Deus e ouvir sua Palavra. Eles vem, antes de tudo, para experienciar mais e mais o mistério da salvação e se tornarem unidos intimamente à Paixão e Ressurreição do Senhor Jesus Cristo. Na Eucaristia, recebemos e partilhamos o Cristo ressurrecto. Participamos em Seu sacrifício, ressurreição e Corpo deificado, ''para o perdão dos pecados e para a vida eterna'' (Divina Liturgia). Na Eucaristia, Cristo nos infunde o Espírito Santo como dom constante e permanente, nos fazendo filhos de Deus e co-herdeiros do Reino. (Romanos 8:16-17). 

O Lava-Pés

Os eventos iniciados por Jesus durante a Mística Ceia são profundamente significativos. Por meio deles os discípulos recebem a instrução e orações finais e Ele lhes revela mais uma vez Sua Filiação e Autoridade Divinas. Ao estabelecer a Eucaristia, Cristo leva à perfeição o objetivo mais íntimo de Deus para nossa salvação, ofertando a Si mesmo como Comunhão e Vida. Ao lavar os pés dos discípulos, ele resume o significado de Seu ministério, manifestando o amor perfeito e humildade profunda. O ato do lava pés (João 13:2-17) está associado ao sacrifício da Cruz. Ambos revelam aspectos da Kenosis [esvaziamento] de Cristo. Enquanto a Cruz constitui a manifestação última da obediência perfeita de Cristo ao Pai (Filipenses 2:5-8), o lava-pés significa Seu intenso amor e doação de Si mesmo para que cada pessoa se torne apta a recebê-Lo. (João 13:6-9)

A Oração no Jardim de Getsemani

Apesar de Jesus ser Filho de Deus, aceitava a integralidade da condição humana, experienciando o sofrimento e a obediência. Se despindo das prerrogativas divinas, o Filho de Deus assume o papel de um servo. Ele viveu uma existência verdadeiramente humana, ainda que sem pecado. Os eventos no Jardim de Getsemani revelam de modo dramático a natureza humana de Cristo. O sacrifício que Ele faria pela redenção dos homens era iminente. A Morte, com sua fúria e força brutal, O fitava de modo direto. Seu terrível fardo -- resultado calamitoso do Pecado Ancestral -- causou a Cristo intensa tristeza e dor (Hebreus 5:7). Instintivamente, como homem Ele desejava escapar. Pois o homem não havia sido criado para a morte, que repugna sua natureza. Ele se encontrava em um momento de decisão, e em Sua agonia orou ao Pai. Sua oração revela as profundezas de Sua agonia e tristeza, como também sua força espiritual incomparável e desejo e decisão inamovível de cumprir a Vontade do Pai. Jesus ofertou Seu amor e confiança incondicionais no Pai. Alcançou os limites extremos da auto-negação -- ''que seja feita não a minha vontade'' -- de modo a realizar a Vontade do Pai. Sua aceitação da morte não foi uma forma de passividade e resignação estoica mas um ato de obediência e amor absolutos. Naquele momento decisivo, quando Ele declara que aceita a morte, Cristo quebra o poder do medo com todas as incertezas, ansiedades e limitações que ele traz. 

A Traição

Judas traiu Cristo com um beijo, um sinal de amizade e de amor. A traição e crucificação de Cristo levou o pecado ancestral ao seu limite extremo. Nestes dois atos, a rebelião contra Deus alcançou sua capacidade máxima. A sedução do homem no Paraíso culminou com a morte de Deus na carne. Para se tornar vitorioso, o mal deveria extinguir a luz e desacreditar o bem. No fim, entretanto, isso se mostrou uma mentira, um absurdo e simples loucura. A morte e ressurreição de Cristo tornaram o mal impotente. Na Grande Quinta, luz e trevas, alegria e tristeza estão estranhamente misturadas. No quarto do andar superior e no Getsemani a luz do Reino e as trevas do inferno emergem simultaneamente. O caminho da vida e o caminho da morte convergem. Nós os encontramos juntos em nossa jornada. Em meio às armadilhas e tentações que nos circundam no mundo e em nós mesmos, devemos estar preparados para viver em comunhão com tudo o que é bom, nobre, natural e sem pecado, nos moldando, pela Graça de Deus, na semelhança de Cristo.

LEITURAS

Matinas

Aproximava-se a festa dos pães sem fermento, chamada Páscoa. Os príncipes dos sacerdotes e os escribas buscavam um meio de matar Jesus, mas temiam o povo. Entretanto, Satanás entrou em Judas, que tinha por sobrenome Iscariotes, um dos Doze. Judas foi procurar os príncipes dos sacerdotes e os oficiais para se entender com eles sobre o modo de lho entregar. Eles se alegraram com isso, e concordaram em lhe dar dinheiro. Também ele se obrigou. E buscava ocasião oportuna para o trair, sem que a multidão o soubesse. Raiou o dia dos pães sem fermento, em que se devia imolar a Páscoa. Jesus enviou Pedro e João, dizendo: Ide e preparai-nos a ceia da Páscoa. Perguntaram-lhe eles: Onde queres que a preparemos? Ele respondeu: Ao entrardes na cidade, encontrareis um homem carregando uma bilha de água; segui-o até a casa em que ele entrar, e direis ao dono da casa: O Mestre pergunta-te: Onde está a sala em que comerei a Páscoa com os meus discípulos? Ele vos mostrará no andar superior uma grande sala mobiliada, e ali fazei os preparativos. Foram, pois, e acharam tudo como Jesus lhes dissera; e prepararam a Páscoa. Chegada que foi a hora, Jesus pôs-se à mesa, e com ele os apóstolos. Disse-lhes: Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer. Pois vos digo: não tornarei a comê-la, até que ela se cumpra no Reino de Deus. Pegando o cálice, deu graças e disse: Tomai este cálice e distribuí-o entre vós. Pois vos digo: já não tornarei a beber do fruto da videira, até que venha o Reino de Deus. Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Do mesmo modo tomou também o cálice, depois de cear, dizendo: Este cálice é a Nova Aliança em meu sangue, que é derramado por vós...Entretanto, eis que a mão de quem me trai está à mesa comigo. O Filho do Homem vai, segundo o que está determinado, mas ai daquele homem por quem ele é traído! Perguntavam então os discípulos entre si quem deles seria o que tal haveria de fazer. Surgiu também entre eles uma discussão: qual deles seria o maior. E Jesus disse-lhes: Os reis dos pagãos dominam como senhores, e os que exercem sobre eles autoridade chamam-se benfeitores. Que não seja assim entre vós; mas o que entre vós é o maior, torne-se como o último; e o que governa seja como o servo. Pois qual é o maior: o que está sentado à mesa ou o que serve? Não é aquele que está sentado à mesa? Todavia, eu estou no meio de vós, como aquele que serve. E vós tendes permanecido comigo nas minhas provações; eu, pois, disponho do Reino a vosso favor, assim como meu Pai o dispôs a meu favor, para que comais e bebais à minha mesa no meu Reino e vos senteis em tronos, para julgar as doze tribos de Israel. Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como o trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua confiança não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos. Pedro disse-lhe: Senhor, estou pronto a ir contigo tanto para a prisão como para a morte. Jesus respondeu-lhe: Digo-te, Pedro, não cantará hoje o galo, até que três vezes hajas negado que me conheces. Depois ajuntou: Quando vos mandei sem bolsa, sem mochila e sem calçado, faltou-vos porventura alguma coisa? Eles responderam: Nada. Mas agora, disse-lhes ele, aquele que tem uma bolsa, tome-a; aquele que tem uma mochila, tome-a igualmente; e aquele que não tiver uma espada, venda sua capa para comprar uma. Pois vos digo: é necessário que se cumpra em mim ainda este oráculo: E foi contado entre os malfeitores (Is 53,12). Com efeito, aquilo que me diz respeito está próximo de se cumprir. Eles replicaram: Senhor, eis aqui duas espadas. Basta, respondeu ele. Conforme o seu costume, Jesus saiu dali e dirigiu-se para o monte das Oliveiras, seguido dos seus discípulos.

[Evangelho de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo segundo o Bem Aventurado Evangelista São Lucas 22:1 a 39]

HORA PRIMEIRA

Instruído pelo Senhor, eu o desvendei. Vós me fizestes conhecer seus intentos. E eu, qual manso cordeiro conduzido à matança, ignorava as maquinações tramadas contra mim: destruamos a árvore em seu vigor. Arranquemo-la da terra dos vivos, e que seu nome caia no esquecimento. Vós sois, porém, Senhor dos exércitos, justo juiz que sondais os rins e os corações. Serei testemunha da vingança que tomarei deles e a vós confio minha causa. Eis por que assim se pronunciou o Senhor contra os habitantes de Anatot que conspiram contra a minha vida, dizendo: Cessa de proclamar oráculos em nome do Senhor, se não queres perecer em nossas mãos. Por isso, assim falou o Senhor dos exércitos: Vou castigá-los. Vão tombar os jovens sob a espada, e seus filhos e filhas perecerão de fome. Ninguém escapará, porquanto, assim que chegar o ano do castigo, mandarei desabar a tormenta sobre os habitantes de Anatot. Sois sumamente justo, Senhor, para que eu entre em disputa convosco. Entretanto, em espírito de justiça, desejaria falar-vos. Por que alcançam bom êxito os maus em tudo quanto empreendem? E por que razão vivem felizes os pérfidos? Vós os plantastes, e eles criam raízes, crescem e frutificam. Permaneceis em seus lábios; longe, porém, dos corações. Mas vós, Senhor, me conheceis e me vedes, e sondais os sentimentos do meu coração a vosso respeito. Arrebatai-os, quais carneiros para a matança, e consagrai-os em vista ao massacre. Até quando permanecerá a terra em luto, e há de secar a erva dos campos? Por causa da maldade dos homens que nela habitam, animais e pássaros perecem, por haverem dito: Não verá o Senhor o nosso fim. Se te afadigas em correr com os que andam a pé, como poderás lutar com os (que vão a) cavalo? Se não te sentes em segurança senão em terra tranqüila, que farás na selva do Jordão? [...]Será minha herança qual abutre matizado cercado de aves de rapina? Vamos! Reuni todos os animais selvagens, e conduzi-os à carniça! Pastores, em grande número, destruíram minha vinha, e pisaram minhas terras, transformando em horrível deserto minha encantadora propriedade. Tornaram-na uma solidão e apresentaram-na a meus olhos enlutada e devastada. Desolada ficou toda a terra, pois que ninguém mais a toma a peito. [...] Eis o que diz o Senhor contra todos os meus maus vizinhos que usurpam a herança que eu dera a meu povo de Israel: vou arrancá-los de suas terras, e do meio deles apartar a tribo de Judá. Quando os houver, porém, arrancado, apiedar-me-ei deles novamente e os reconduzirei cada um à sua herança, cada um à sua terra.

[Jeremias 11:18 a 12:5, 9 a 11 e 14 a 15]

VÉSPERAS

o qual lhe disse: “Vai ter com o povo, e santifica-o hoje e amanhã. Que lavem as suas vestes e estejam prontos para o terceiro dia, porque, depois de amanhã, o Senhor descerá à vista de todo o povo sobre o monte Sinai. Fixarás ao redor limites ao povo, e dir-lhe-ás: guardai-vos de subir o monte ou de tocar a sua base! Se alguém tocar o monte, será morto. Não se lhe tocará com a mão, mas ele será apedrejado ou perecerá pelas flechas: homem ou animal, não ficará vivo. Quando soar a trombeta, (somente então) subirão eles ao monte”. Moisés desceu do monte para junto do povo e o santificou; e lavaram as suas vestes. Em seguida, disse-lhes: “Estai prontos para depois de amanhã, não vos aproximeis de mulher alguma”. Na manhã do terceiro dia, houve um estrondo de trovões e de relâmpagos; uma espessa nuvem cobria a montanha e o som da trombeta soou com força. Toda a multidão que estava no acampamento tremia. Moisés levou o povo para fora do acampamento ao encontro de Deus, e pararam ao pé do monte. Todo o monte Sinai fumegava, porque o Senhor tinha descido sobre ele no meio de chamas; o fumo que subia do monte era como a fumaça de uma fornalha, e toda a montanha tremia com violência. O som da trombeta soava ainda mais forte; Moisés falava e os trovões divinos respondiam-lhe.

[Êxodo 19:10 a 19]

Então, do seio da tempestade, o Senhor deu a Jó esta resposta: Quem é aquele que obscurece assim a Providência com discursos sem inteligência? Cinge os teus rins como um homem; vou interrogar-te e tu me responderás. Onde estavas quando lancei os fundamentos da terra? Fala, se estiveres informado disso. Quem lhe tomou as medidas, já que o sabes? Quem sobre ela estendeu o cordel? Sobre que repousam suas bases? Quem colocou nela a pedra de ângulo, sob os alegres concertos dos astros da manhã, sob as aclamações de todos os filhos de Deus? Quem fechou com portas o mar, quando brotou do seio maternal, quando lhe dei as nuvens por vestimenta, e o enfaixava com névoas tenebrosas; quando lhe tracei limites, e lhe pus portas e ferrolhos, dizendo: Chegarás até aqui, não irás mais longe; aqui se deterá o orgulho de tuas ondas? Algum dia na vida deste ordens à manhã? Indicaste à aurora o seu lugar, para que ela alcançasse as extremidades da terra, e dela sacudisse os maus, para que ela tome forma como a argila de sinete e tome cor como um vestido, para que seja recusada aos maus a sua luz, e sejam quebrados seus braços já erguidos? Foste até as fontes do mar? Passaste até o fundo do abismo? Apareceram-te, porventura, as portas da morte? Viste, por acaso, as portas da tenebrosa morada? Abraçaste com o olhar a extensão da terra? Fala, se sabes tudo isso! Qual é o caminho da morada luminosa? Onde é a residência das trevas? Poderias alcançá-la em seu domínio, e reconhecer as veredas de sua morada? Deverias sabê-lo, pois já tinhas nascido: são tão numerosos os teus dias! Penetraste nos depósitos da neve? Visitaste os armazéns dos granizos, que reservo para os tempos de tormento, para os dias de luta e de batalha? [...] Jó respondeu ao Senhor nestes termos: Sei que podes tudo, que nada te é muito difícil. Quem é que obscurece assim a Providência com discursos ininteligíveis? É por isso que falei, sem compreendê-las, maravilhas que me superam e que não conheço. Escuta-me, deixa-me falar: vou interrogar-te, tu me responderás. Meus ouvidos tinham escutado falar de ti, mas agora meus olhos te viram.

[Jó 38:1 a 23 e 42:1 a 5]

O Senhor Deus deu-me a língua de um discípulo para que eu saiba reconfortar pela palavra o que está abatido. Cada manhã ele desperta meus ouvidos para que escute como discípulo; (o Senhor Deus abriu-me o ouvido) e eu não relutei, não me esquivei. Aos que me feriam, apresentei as espáduas, e as faces àqueles que me arrancavam a barba; não desviei o rosto dos ultrajes e dos escarros. Mas o Senhor Deus vem em meu auxílio: eis por que não me senti desonrado; enrijeci meu rosto como uma pedra, convicto de não ser desapontado. Aquele que me fará justiça aí está. Quem ousará atacar-me? Vamos medir-nos! Quem será meu adversário? Que se apresente! O Senhor Deus vem em meu auxílio: quem ousaria condenar-me? Cairão em frangalhos como um manto velho; a traça os roerá. Que aqueles dentre vós que temem o Senhor ouçam a voz de seu Servo! Que aqueles que caminham no escuro, privados de luz, confiem no nome do Senhor e contem com o seu Deus! Mas vós, que ateais um incêndio, que preparais projéteis inflamáveis, ide ao fogo do vosso incêndio, e dos projéteis que fizestes arder! É minha mão que vos imporá esse tratamento: sereis prostrados nos tormentos.

[Isaías 50:4 a 11]

LITURGIA DE SÃO BASÍLIO

Eu recebi do Senhor o que vos transmiti: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão e, depois de ter dado graças, partiu-o e disse: Isto é o meu corpo, que é entregue por vós; fazei isto em memória de mim. Do mesmo modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue; todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de mim. Assim, todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice lembrais a morte do Senhor, até que venha. Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor. Que cada um se examine a si mesmo, e assim coma desse pão e beba desse cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação. Esta é a razão por que entre vós há muitos adoentados e fracos, e muitos mortos. Se nos examinássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, sendo julgados pelo Senhor, ele nos castiga para não sermos condenados com o mundo.

[1 Coríntios 11:23 a 32]

Quando Jesus acabou todos esses discursos, disse a seus discípulos: Sabeis que daqui a dois dias será a Páscoa, e o Filho do Homem será traído para ser crucificado. Então os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo reuniram-se no pátio do sumo sacerdote, chamado Caifás, deliberaram sobre os meios de prender Jesus por astúcia e de o matar. E diziam: Sobretudo, não seja durante a festa. Poderá haver um tumulto entre o povo. Encontrava-se Jesus em Betânia, na casa de Simão, o leproso. Estando à mesa, aproximou-se dele uma mulher com um vaso de alabastro, cheio de perfume muito caro, e derramou-o na sua cabeça. Vendo isto, os discípulos disseram indignados: Para que este desperdício? Poder-se-ia vender este perfume por um bom preço e dar o dinheiro aos pobres. Jesus ouviu-os e disse-lhes: Por que molestais esta mulher? É uma ação boa o que ela me fez. Pobres vós tereis sempre convosco. A mim, porém, nem sempre me tereis. Derramando esse perfume em meu corpo, ela o fez em vista da minha sepultura. Em verdade eu vos digo: em toda parte onde for pregado este Evangelho pelo mundo inteiro, será contado em sua memória o que ela fez. Então um dos Doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os príncipes dos sacerdotes e perguntou-lhes: Que quereis dar-me e eu vo-lo entregarei. Ajustaram com ele trinta moedas de prata. E desde aquele instante, procurava uma ocasião favorável para entregar Jesus. No primeiro dia dos Ázimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: Onde queres que preparemos a ceia pascal? Respondeu-lhes Jesus: Ide à cidade, à casa de um tal, e dizei-lhe: O Mestre manda dizer-te: Meu tempo está próximo. É em tua casa que celebrarei a Páscoa com meus discípulos. Os discípulos fizeram o que Jesus tinha ordenado e prepararam a Páscoa. Ao declinar da tarde, pôs-se Jesus à mesa com os doze discípulos.

[Evangelho de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo segundo o Bem Aventurado Evangelista São Mateus 26:1 a 20]

sabendo Jesus que o Pai tudo lhe dera nas mãos, e que saíra de Deus e para Deus voltava, levantou-se da mesa, depôs as suas vestes e, pegando duma toalha, cingiu-se com ela. Em seguida, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido. Chegou a Simão Pedro. Mas Pedro lhe disse: Senhor, queres lavar-me os pés!...Respondeu-lhe Jesus: O que faço não compreendes agora, mas compreendê-lo-ás em breve. Disse-lhe Pedro: Jamais me lavarás os pés!... Respondeu-lhe Jesus: Se eu não tos lavar, não terás parte comigo. Exclamou então Simão Pedro: Senhor, não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça. Disse-lhe Jesus: Aquele que tomou banho não tem necessidade de lavar-se; está inteiramente puro. Ora, vós estais puros, mas nem todos!...Pois sabia quem o havia de trair; por isso, disse: Nem todos estais puros. Depois de lhes lavar os pés e tomar as suas vestes, sentou-se novamente à mesa e perguntou-lhes: Sabeis o que vos fiz? Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou. Logo, se eu, vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais também vós. Em verdade, em verdade vos digo: o servo não é maior do que o seu Senhor, nem o enviado é maior do que aquele que o enviou. Se compreenderdes estas coisas, sereis felizes, sob condição de as praticardes.

[Evangelho de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo segundo o Bem Aventurado Evangelista São João 13:3 a 17]

Durante a ceia, disse: Em verdade vos digo: um de vós me há de trair. Com profunda aflição, cada um começou a perguntar: Sou eu, Senhor? Respondeu ele: Aquele que pôs comigo a mão no prato, esse me trairá. O Filho do Homem vai, como dele está escrito. Mas ai daquele homem por quem o Filho do Homem é traído! Seria melhor para esse homem que jamais tivesse nascido! Judas, o traidor, tomou a palavra e perguntou: Mestre, serei eu? Sim, disse Jesus. Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é meu corpo. Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos, porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados. Digo-vos: doravante não beberei mais desse fruto da vinha até o dia em que o beberei de novo convosco no Reino de meu Pai. Depois do canto dos Salmos, dirigiram-se eles para o monte das Oliveiras. Disse-lhes então Jesus: Esta noite serei para todos vós uma ocasião de queda; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho serão dispersadas (Zc 13,7). Mas, depois da minha Ressurreição, eu vos precederei na Galiléia. Pedro interveio: Mesmo que sejas para todos uma ocasião de queda, para mim jamais o serás. Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo: nesta noite mesma, antes que o galo cante, três vezes me negarás. Respondeu-lhe Pedro: Mesmo que seja necessário morrer contigo, jamais te negarei! E todos os outros discípulos diziam-lhe o mesmo. Retirou-se Jesus com eles para um lugar chamado Getsêmani e disse-lhes: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar. E, tomando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. Disse-lhes, então: Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai comigo. Adiantou-se um pouco e, prostrando-se com a face por terra, assim rezou: Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres.

[Evangelho de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo segundo o Bem Aventurado Evangelista São Mateus 26:21 a 39]

Apareceu-lhe então um anjo do céu para confortá-lo. Ele entrou em agonia e orava ainda com mais instância, e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra. Depois de ter rezado, levantou-se, foi ter com os discípulos e achou-os adormecidos de tristeza.

[Evangelho de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo segundo o Bem Aventurado Evangelista São Lucas 22:43 a 45]

Foi ter então com os discípulos e os encontrou dormindo. E disse a Pedro: Então não pudestes vigiar uma hora comigo...Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca. Afastou-se pela segunda vez e orou, dizendo: Meu Pai, se não é possível que este cálice passe sem que eu o beba, faça-se a tua vontade! Voltou ainda e os encontrou novamente dormindo, porque seus olhos estavam pesados. Deixou-os e foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras. Voltou então para os seus discípulos e disse-lhes: Dormi agora e repousai! Chegou a hora: o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores...Levantai-vos, vamos! Aquele que me trai está perto daqui. Jesus ainda falava, quando veio Judas, um dos Doze, e com ele uma multidão de gente armada de espadas e cacetes, enviada pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo. O traidor combinara com eles este sinal: Aquele que eu beijar, é ele. Prendei-o! Aproximou-se imediatamente de Jesus e disse: Salve, Mestre. E beijou-o. Disse-lhe Jesus: É, então, para isso que vens aqui? Em seguida, adiantaram-se eles e lançaram mão em Jesus para prendê-lo. Mas um dos companheiros de Jesus desembainhou a espada e feriu um servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha. Jesus, no entanto, lhe disse: Embainha tua espada, porque todos aqueles que usarem da espada, pela espada morrerão. Crês tu que não posso invocar meu Pai e ele não me enviaria imediatamente mais de doze legiões de anjos? Mas como se cumpririam então as Escrituras, segundo as quais é preciso que seja assim? Depois, voltando-se para a turba, falou: Saístes armados de espadas e porretes para prender-me, como se eu fosse um malfeitor. Entretanto, todos os dias estava eu sentado entre vós ensinando no templo e não me prendestes. Mas tudo isto aconteceu porque era necessário que se cumprissem os oráculos dos profetas. Então os discípulos o abandonaram e fugiram. Os que haviam prendido Jesus levaram-no à casa do sumo sacerdote Caifás, onde estavam reunidos os escribas e os anciãos do povo. Pedro seguia-o de longe, até o pátio do sumo sacerdote. Entrou e sentou-se junto aos criados para ver como terminaria aquilo. Enquanto isso, os príncipes dos sacerdotes e todo o conselho procuravam um falso testemunho contra Jesus, a fim de o levarem à morte. Mas não o conseguiram, embora se apresentassem muitas falsas testemunhas. Por fim, apresentaram-se duas testemunhas, que disseram: Este homem disse: Posso destruir o templo de Deus e reedificá-lo em três dias. Levantou-se o sumo sacerdote e lhe perguntou: Nada tens a responder ao que essa gente depõe contra ti? Jesus, no entanto, permanecia calado. Disse-lhe o sumo sacerdote: Por Deus vivo, conjuro-te que nos digas se és o Cristo, o Filho de Deus? Jesus respondeu: Sim. Além disso, eu vos declaro que vereis doravante o Filho do Homem sentar-se à direita do Todo-poderoso, e voltar sobre as nuvens do céu. A estas palavras, o sumo sacerdote rasgou suas vestes, exclamando: Que necessidade temos ainda de testemunhas? Acabastes de ouvir a blasfêmia! Qual o vosso parecer? Eles responderam: Merece a morte! Cuspiram-lhe então na face, bateram-lhe com os punhos e deram-lhe tapas, dizendo: Adivinha, ó Cristo: quem te bateu? Enquanto isso, Pedro estava sentado no pátio. Aproximou-se dele uma das servas, dizendo: Também tu estavas com Jesus, o Galileu. Mas ele negou publicamente, nestes termos: Não sei o que dizes. Dirigia-se ele para a porta, a fim de sair, quando outra criada o viu e disse aos que lá estavam: Este homem também estava com Jesus de Nazaré. Pedro, pela segunda vez, negou com juramento: Eu nem conheço tal homem. Pouco depois, os que ali estavam aproximaram-se de Pedro e disseram: Sim, tu és daqueles; teu modo de falar te dá a conhecer. Pedro então começou a fazer imprecações, jurando que nem sequer conhecia tal homem. E, neste momento, cantou o galo. Pedro recordou-se do que Jesus lhe dissera: Antes que o galo cante, negar-me-ás três vezes. E saindo, chorou amargamente. Chegando a manhã, todos os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo reuniram-se em conselho para entregar Jesus à morte. Ligaram-no e o levaram ao governador Pilatos.

[Evangelho de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo segundo o Bem Aventurado Evangelista São Mateus 26:40 a 27:2]

[ícones da Última Ceia, do Lava Pés, da Oração de Cristo no Getsemani e da Traição de Judas]