terça-feira, 8 de maio de 2018

São Gregório Palamas.

"De resto, esta vida não se resume à vida da alma, mas inclui também a do corpo. Pois ela imortaliza a este igualmente pela ressurreição, a partir do momento em que ela liberta não apenas da mortalidade, mas também da morte sem fim – ou seja, deste castigo futuro. Com efeito, ela concede o dom da vida eterna em Cristo, desembaraçada de toda pena, de toda enfermidade, de toda tristeza, verdadeiramente imortal."

por São Gregório Palamas.



segunda-feira, 7 de maio de 2018

O Espírito Santo nos renova pelo batismo

Primeira leitura:

Da Primeira Carta de São João             2,1-11

O mandamento novo.


        1Meus filhinhos, escrevo isto para que não pequeis. No entanto, se alguém pecar, temos junto do Pai um Defensor: Jesus Cristo, o Justo. 2Ele é a vítima de expiação pelos nossos pecados, e não só pelos nossos, mas também pelos pecados do mundo inteiro.

        3Para saber que o conhecemos, vejamos se guardamos os seus mandamentos. 4Quem diz: “Eu conheço a Deus”, mas não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele. 5Naquele, porém, que guarda a sua palavra, o amor de Deus é plenamente realizado. O critério para saber se estamos com Jesus é este: 6quem diz que permanece nele, deve também proceder como ele procedeu.

         7Caríssimos, não vos comunico um mandamento novo, mas um mandamento antigo, que recebestes desde o início; este mandamento antigo é a palavra que ouvistes. 8No entanto, o que vos escrevo é um mandamento novo – que é verdadeiro nele e em vós –, pois que as trevas passam e já brilha a luz verdadeira. 9Aquele que diz estar na luz, mas odeia o seu irmão, ainda está nas trevas. 10O que ama o seu irmão permanece na luz e não core perigo de tropeçar. 11Mas o que odeia o seu irmão está nas trevas, caminha nas trevas, e não sabe aonde vai, porque as trevas ofuscaram os seus olhos.

Segunda leitura:

São Dídimo, o cego.


Do Tratado sobre a Trindade, de  São Dídimo de Alexandria.
(Liv. 2,12: PG 39,667-674)         (Séc.IV)

O Espírito Santo nos renova pelo batismo.

        O Espírito Santo, que é Deus juntamente com o Pai e o Filho, nos renova pelo batismo; e do nosso estado de imperfeição, reintegra-nos na beleza primitiva. Torna-nos de tal forma repletos de sua graça, que não podemos admitir em nós qualquer coisa que não deva ser desejada. Além disso, liberta-nos do pecado e da morte. E de terrenos que somos, quer dizer, feitos do pó da terra, nos faz espirituais, participantes da glória divina, filhos e herdeiros de Deus Pai.

        Faz-nos ainda conformes à imagem do Filho, seus co-herdeiros e irmãos, destinados a ser um dia glorificados e a reinar com ele. Em vez da terra, dá-nos de novo o céu, abre-nos generosamente as portas do paraíso, honra-nos mais do que os próprios anjos. E com as águas divinas do batismo, apaga as imensas e inextinguíveis chamas do inferno.

        Os homens são concebidos duas vezes: uma corporalmente, a outra, pelo divino Espírito. Acerca de um e de outro nascimento, escreveram muito bem os autores sagrados. Citarei o nome e a doutrina de cada um.

        João diz: A todos que o receberam, deu-lhes a capacidade de se tornarem filhos de Deus, isto é, aos que acreditam em seu nome, pois estes não nasceram do sangue nem da vontade da carne nem da vontade do homem, mas de Deus mesmo (Jo 1,12-13).

        Todos os que acreditaram em Cristo, afirma ele, receberam a capacidade de se tornarem filhos de Deus, quer dizer, do Espírito Santo, e participantes da natureza divina. E para ficar bem claro que o Deus que gera é o Espírito Santo, acrescenta estas palavras de Cristo: Em verdade, em verdade, te digo, se alguém não nasce da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus (Jo 3,5).

        A fonte batismal dá à luz de maneira visível nosso corpo visível, pelo ministério dos sacerdotes; mas o Espírito de Deus, invisível a todas as inteligências, é que batiza e regenera simultaneamente o corpo e a alma, pelo ministério dos anjos.

        João Batista, historicamente e de acordo com esta expressão: da água e do Espírito, diz a respeito de Cristo: Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo (Mt 3,11; Lc 3,16).

        Como um vaso de barro, o homem precisa primeiro ser purificado pela água; em seguida, fortalecido e aperfeiçoado pelo fogo espiritual (Deus, com efeito, é um fogo devorador). Precisamos, portanto, do Espírito Santo para nossa perfeição e renovação. Pois o fogo espiritual sabe também regar, e a água batismal é também capaz de queimar como o fogo.

A ORTODOXIA...


É a autêntica religião cristã pregada pelo Nosso Senhor Jesus Cristo, transmitida pelos Apóstolos aos seus sucessores e aos fiéis e preservada zelosamente na sua pureza pela Igreja Ortodoxa através dos séculos.

É a doutrina certa e justa, compreendida, sem reduções nem acréscimos, nas Sagradas Escrituras, na Tradição e nos Sete Concílios Ecuménicos.

É a doutrina ensinada e pregada pela Igreja Ortodoxa para glorificar a Deus e salvar as almas, segundo a vontade de Cristo.

Chama-se ORTODOXIA a doutrina que observa os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, reverenciados e transmitidos pela Igreja Ortodoxa.


AS CRIANÇAS - SUAS ALEGRIAS E TENTAÇÕES



Q: Ancião, notei que por vezes os bebês sorriem durante a Divina Liturgia.

A: Eles não o fazem somente durante e Divina Liturgia. Os bebês estão em constante contato com Deus, por não terem com que se preocupar. O que Cristo disse sobre as pequenas crianças? ‘Eles são anjos nos céus olhando continuamente para a face de Meu Pai que está nos céus’. Estão em contato com Deus e com seu Anjo guardião, que os acompanha em todo tempo. Sorriem durante o sono, por vezes também, e outras vezes choram, porque veem muitas coisas. Por vezes, veem seus Anjos guardiões e brincam com eles – os Anjos respondem a estas brincadeiras e eles riem. Em outras ocasiões veem algum tipo de tentação e choram.

Q: Por que tentações sobrevêm aos bebês?

A: Isto lhes ajuda a buscar por suas mães. Se não houvesse este medo, não teriam necessidade de buscar conforto em serem cuidados por suas mães. Deus permite tudo para que se torne em bem.

Q: Eles se lembram daquilo que viram enquanto bebês depois de crescidos?

A: Não, eles esquecem. Se uma pequena criança se lembrasse do número de vezes que viu seu Anjo guardião, talvez cairia por orgulho. É por isso, que ao crescerem, eles esquecem. Deus é sábio em Suas obras.

Q: Eles veem estas coisas depois do Batismo?

A: Claro.

Q: Ancião, é certo que uma criança venere as relíquias?

A: Porque não? E podem ser abençoadas com as relíquias. Vi hoje uma criança; era como um pequeno anjo. Perguntei-o: ‘Onde estão tuas asas?’ Ele não sabia o que dizer! Em meu eremitério, quando chega a primavera e as árvores estão mostrando seus brotos, coloco doces naquelas próximas ao portão na grade e digo aos pequenos meninos que vem: ‘Vão lá, meninos! Peguem os doces dos galhos, porque vai chover e vão derreter todos’. Alguns dentre eles, os mais inteligentes, sabem que eu os coloquei lá e riem. Outros acreditam realmente que tenham crescido lá e outros ainda se põem a pensar. As pequenas crianças precisam de um pouco de sol.

Q: Colocas muitos doces, Ancião?

A: Bem, é claro. O que posso fazer? Não dou doces para os crescidos. Somente os dou delicadezas turcas. Quando as pessoas trazem bons doces, eu os guardos para as crianças da Escola (Athoniada). ‘Vê, na noite passada plantei doces e chocolates e hoje eles já cresceram! Vês isto? O tempo estava bom, o solo bem mexido. Vê que jardim de flores farei para ti. Nunca terás necessidade de comprar doces e chocolates para as crianças. Por que não temos nossa produção própria?’ (Ancião Paíssios plantou doces e chocolates na terra fresca e remexida, colocando brotos de flores no topo para parecer que estavam florescendo).

Q: Ancião, alguns peregrinos veem os chocolates que plantaste no jardim em virtude do papel ficar para fora da terra. Não sabem o que fazer com isso. ‘Alguma criança deve os ter posto lá’, dizem.

A: Por que não disseste que foi uma grande criança que os colocou lá?

Q: Ancião, por que Deus dá as pessoas um Anjo guardião, quando Ele próprio pode nos proteger?

A: É Deus olhando por nós com cuidado. Os Anjos guardiões é a providência de Deus. E estamos em dívida com Ele por isso. Os Anjos particularmente protegem as crianças pequenas. E não acreditaria como!

Q: Por que tantas crianças sofrem de doenças?

A: Deus sabe o que é melhor para cada um de nós e nos provê o necessário. Ele não dá as pessoas nada que não seja para beneficiá-las. Ele vê que é melhor para nós termos alguns defeitos, uma falta de habilidade no lugar de nos guardar destes.

pelo Ancião Paísios da Santa Montanha do Athos

domingo, 6 de maio de 2018

A Mãe de Deus e a Tradição


 
       Mais uma vez enfrentamos a impossibilidade de separar o dogma e vida da Igreja, Escritura e a Tradição. O dogma cristológico nos obriga a reconhecer a maternidade divina da Virgem. A evidência bíblica nos ensina que a glória da Mãe de Deus não reside apenas na sua maternidade corporal, no fato de ela ter dado à luz e alimentado o Verbo Encarnado. Na verdade, a Tradição da Igreja  - a santa memória daqueles que "ouvem e guardam" as palavras da revelação - dá à Igreja a garantia com a qual ela exalta a Mãe de Deus, atribuindo-lhe uma glória ilimitada.


        À parte da Tradição da Igreja, a teologia permanecerá em silêncio sobre assunto e não conseguiria justificar essa surpreendente glorificação. É por isso que as comunidades cristãs que rejeitam qualquer idéia de Tradição também são estranhas à veneração da Mãe de Deus.

        A estreita conexão entre a Tradição e tudo o que diz respeito à Mãe de Deus não é simplesmente devido ao fato de que eventos da sua vida terrena - como sua Natividade, sua Apresentação no Templo e sua Assunção - são celebrados pela Igreja sem serem mencionados na Bíblia. Se o Evangelho é silencioso sobre esses fatos, e se sua elaboração poética se deve a livros apócrifos de data tardia, ainda assim o tema fundamental que significam pertence ao mistério de nossa fé e não deve ser afastado da consciência da Igreja. Na verdade, a noção de Tradição é mais rica do que pensamos habitualmente. A Tradição não consiste apenas em uma transmissão oral de fatos capazes de complementar a narrativa bíblica. É o complemento da Bíblia e, acima de tudo, é o cumprimento do Antigo Testamento no Novo, visto que a Igreja se faz consciente. É a Tradição que confere compreensão do significado da verdade revelada (Lucas 24). A Tradição nos diz não só o que devemos ouvir, mas ainda mais importante, como devemos manter o que ouvimos. Neste sentido geral, a Tradição implica uma operação incessante do Espírito Santo, que pôde ter seu derramamento pleno e seus frutos apenas na Igreja, depois do Dia de Pentecostes. É somente na Igreja que nos encontramos capazes de traçar as conexões internas entre os textos sagrados que fazem do Antigo Testamento e do Novo Testamento um único corpo vivo da Verdade, onde Cristo está presente em cada palavra. É somente na Igreja que a semente semeada pela palavra não permanece estéril, mas produz fruto; e esta fruição da Verdade, bem como o poder de produzir frutos, é chamada de Tradição. A devoção ilimitada da Igreja à Mãe de Deus, que, vista externamente, parece contrariar os dados bíblicos, desenvolveu-se na Tradição da Igreja. É o fruto mais precioso da Tradição.

      Mas não é apenas o fruto da Tradição; é também o embrião e o tronco da Tradição. Com efeito, podemos encontrar uma relação definitiva entre a pessoa da Mãe de Deus e o que chamamos de Tradição da Igreja. Tentaremos, ao estabelecer essa relação, vislumbrar a glória da Mãe de Deus sob o véu do silêncio das Escrituras. Um exame dos textos, em sua conexão interna, nos guiará neste sentido.

Fonte: https://skemmata.blogspot.com.br/search/label/Theotokos?m=1

A Theotokos


       A Igreja Ortodoxa não fez da Mariologia um tema dogmático independente: permanece integral a todo o ensinamento cristão, como um leitmotiv antropológico. Com base na cristologia, o dogma da Mãe de Deus tem um forte ênfase pneumatológico; e através da dupla economia do Filho e do Espírito Santo, está inextricavelmente ligado à realidade eclesiológica.
        Na verdade, se nos limitássemos a dados dogmáticos no sentido estrito da palavra e só tratássemos de dogmas afirmados pelos Concílios, não encontraríamos nada exceto o termo Theotokos, pelo qual a Igreja confirmou solenemente a maternidade divina da Santíssima Virgem. [1]
     A ênfase dogmática do termo Theotokos, afirmado contra os nestorianos, é acima de tudo cristológico: o que é defendido contra os adversários da maternidade divina é a unidade hipostática do Filho de Deus se tornar o Filho do Homem. É a cristologia que é diretamente confrontada aqui; mas, ao mesmo tempo, indiretamente, há uma confirmação dogmática da devoção da Igreja a ela que deu à luz a Deus, de acordo com a carne. Dizem que todos aqueles que se erguem contra o título Theotokos - todos os que se recusam a admitir que Maria tem essa qualidade que a piedade atribui a ela - não são verdadeiramente cristãos, pois se opõem à verdadeira doutrina da Encarnação do Verbo. Isso deve demonstrar a conexão estreita entre dogma e devoção, que são inseparáveis na consciência da Igreja.
        No entanto, conhecemos casos de cristãos que, embora reconheçam a maternidade divina da Virgem por razões puramente cristológicas, abstêm-se de toda devoção especial à Mãe de Deus pelas mesmas razões, desejando não conhecer nenhum outro mediador entre Deus e o homem além do Deus-Homem, Jesus Cristo. Esta constatação é suficiente para demonstrar que o dogma cristológico da Theotokos tomado in abstracto, fora do vínculo vivo com a devoção que a Igreja consagrou à Mãe de Deus, não seria suficiente para justificar o lugar único - além de todo ser criado - reservado à Rainha dos Céus, a que a liturgia Ortodoxa atribui "a glória que é apropriada a Deus" (he Theoprepes doxa). Por conseguinte, é impossível separar as bases dogmáticas, em sentido estrito, das bases de devoção, numa exposição teológica da doutrina sobre a Mãe de Deus. Aqui, o dogma deve lançar luz sobre a devoção, colocando-a em contato com as verdades fundamentais de nossa fé; desde que a devoção deve enriquecer o dogma com a experiência viva da Igreja.
        Estamos todos na mesma posição em relação aos dados das escrituras. Se desejássemos considerar a evidência das escrituras à parte da devoção da Igreja à Mãe de Deus, seríamos obrigados a limitar-nos às poucas passagens do Novo Testamento relativas a Maria, a Mãe de Jesus, e a uma única referência direta no Antigo Testamento: a profecia do nascimento do Messias de uma Virgem, em Isaías. Mas se olharmos a Bíblia através dos olhos da devoção da Igreja, ou - para usar um termo mais exato - na Tradição da Igreja, então os livros sagrados do Antigo e do Novo Testamento nos fornecerão inúmeros textos utilizados pela Igreja para glorificar a Mãe de Deus.
        Algumas passagens nos evangelhos, se vistas externamente, de um ponto de vista fora da Tradição da Igreja, parecem contradizer de forma flagrante essa glorificação extrema e veneração ilimitada. Tomemos dois exemplos: Cristo, ao dar testemunho de São João Batista, chama-o de o maior dos que nasceram das mulheres (Mateus 11:11; Lucas 7:28). É, portanto, para ele, e não para Maria, que a posição mais elevada entre os seres humanos deveria pertencer. De fato, na prática da Igreja, encontramos João Batista com a Mãe de Deus ao lado do Senhor nos ícones da deisis. Mas a Igreja nunca exaltou São João, o Precursor, acima dos Serafins, nem colocou seu ícone em pé de igualdade com o ícone de Cristo, em um dos lados da entrada do santuário, como é o caso do ícone da Mãe de Deus.
        Outra passagem no evangelho nos mostra que Cristo se opõe publicamente à glorificação de sua Mãe. Ele responde a exclamação da mulher na multidão que clama: "Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos em que mamaste", dizendo: "Antes bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a guardam" (Lucas 11 : 27-28). Mas é precisamente esta passagem em São Lucas, que parece depreciar o fato da maternidade divina em comparação com a qualidade daqueles que recebem e mantêm a revelação divina, que é o texto do evangelho lido solenemente nas festas da Mãe de Deus, como se sob sua aparente forma negativa escondesse um ato de louvor ainda maior.

[1] O termo "Sempre-Virgem" (aeiparthenos), encontrado nos atos conciliares do Quinto Concílio em diante, nunca foi particularmente explícito pelos concílios que o empregaram.

Fonte: https://skemmata.blogspot.com.br/search/label/Theotokos?m=1

Santo Inocêncio do Alasca.

"Qualquer um, quem quer que possa ser ele, deseja e procura prosperidade e felicidade. Desejar o que é bom para si mesmo... é inerente à natureza do homem, e por isso não é pecado ou um vício. Mas nós precisamos saber que aqui na Terra não existe nem existirá verdadeira e perfeita prosperidade sem Deus ou fora de Deus".

por Santo Inocêncio do Alasca.