terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

O Cristianismo

No cristianismo, Deus torna-se Deus-homem e Se revela 
ao homem. Uma vez que ninguém pode conhecer a Deus, 
assim como Deus conhece a Si mesmo, quando Deus se 
revela nós temos a verdade real e não engano.
O que devemos fazer, então, é aceitar a verdade que Deus 
nos oferece.
Mas mesmo a este respeito, infelizmente, o homem
frequentemente coloca entraves no caminho. Ele passa a 
ensinar e ensina coisas que não são reveladas por Deus.
Ele então se torna um herege.
Essa motivação surge de quem deseja criar doutrinas e 
ensinamentos que não são encontrados na revelação divina 
ou que rejeitam as doutrinas e ensinamentos que são 
encontradas nela.
Por exemplo, podemos ver isso com os católicos romanos 
com sua doutrina da infalibilidade do Papa, assim como 
nos casos dos protestantes, que ensinam que a Sagrada 
Comunhão não é o verdadeiro Corpo e Sangue de Cristo, 
mas simboliza o Corpo e o Sangue de Cristo, embora o 
próprio Cristo tenha dito: "Este é o meu Corpo" e "Este é 
o meu Sangue.”.
Dissemos no inicio que a religião é natural ao homem. E 
podemos dizer que este é um fenômeno universal.
Plutarco diz: "Quando viajamos, podemos encontrar 
cidades sem muralhas, inculta, sem um rei, sem palácios, 
sem dinheiro, sem mesmo ter a necessidade de instituição 
de uma forma primitiva de moeda corrente, sem teatros 
ou estádios esportivos. Mas ninguém verá uma cidade sem 
ter ao menos um Templo Sagrado ou ter desenvolvida a 
crença em Deus.”.
É possível, porém, alguém para observar que o que 
Plutarco está dizendo não se aplicava a todos nós até 
muito recentemente, pois se você fosse há alguns anos 
para a Albânia, você não conseguiria encontrar nem igrejas 
nem a ideia da crença em Deus. E era a lei quemerminava que este estado de coisas era o que havia de 
mais correto. Contudo, tal realidade era imposta, apenas 
superficialmente era assim. Ninguém poderia saber no que 
os albaneses realmente acreditavam no seu interior, pois 
eles não podiam expressar sua fé. Tudo relacionado à
crença era ofuscado pelo medo e oprimido pela instituição 
da mais severa forma de escravidão. A Religião tinha sido 
abolida por lei.
Isso também aconteceu na China entre 1966 e 1979. Mas 
pela Misericórdia de Deus as coisas mudaram em muitos 
desses lugares. Mas apesar disso, a pregação do ateísmo 
marxista suprimiu a tendência religiosa natural das pessoas 
e nisso destrói mesmo o estado natural do homem, isto 
porque sem a menor dúvida, ferir a liberdade de religião é 
um meio de ferir a natureza do homem.

Ensinamentos Básicos da Fé Ortodoxa, adaptados 
do Catecismo do Arcebispo Metropolitano 
Sotirios (Metrópole Ortodoxa Grega de Toronto, (Canadá).

São Basílio Magno.

Quanto às riquezas, os poderes, as glórias e as delícias, enfim, todos esses luxos que a cada dia aumentam nossa insensatez, não entrarão conosco na vida eterna; ninguém jamais as levará consigo, conforme outrora disse um justo: "Nu saí do ventre de minha mãe e nu para lá voltarei." (Jó 1,21)

"Homilia sobre o desapego das coisas mundanas".

Religião:


A religião é o relacionamento e a comunicação do homem com Deus
Por sua própria natureza, o espírito do homem se volta  para Deus, sua origem e sua meta última e definitiva.
Entre o homem e Deus existe um forte vínculo místico, como podemos compreender por analogia observando o
vínculo entre a criança e seu pai ou sua mãe. Deus ama o homem constantemente, sempre e para sempre, e o homem em seu estado natural busca o amor de Deus e oferece a Ele a sua obediência.
O homem quer fazer a vontade de Deus.
Este é o estado natural das coisas. E esta é a maneira como
as coisas eram antes da desobediência e queda do homem.
Depois que a desobediência e queda, essa natural relação
entre o homem e Deus se fez enfraquecida. Desde então
um tipo especial de cultivo desta busca por vinculo se fez
necessária. E assim a religião, que é natural ao homem,
necessita deste zelo, um zelo por amor a Deus e orientado
por Ele, porque somente Deus é capaz de orientar este
cultivo corretamente, a fim de nisso trazer o homem
decaído de volta para a aquela alta posição que
anteriormente lhe era natural.
Infelizmente, o homem frequentemente cria, por suas
próprias ações, os mais variados obstáculos para a
edificação da obra de Deus.
O homem deve ter boa vontade e ser receptivo às ações e
dons de Deus. Quando o homem se coloca no caminho
com o seu ego e orgulho, ele estraga as coisas. A tendência
natural do homem para amar a Deus e aceitar Seus dons é
então suprimida e quase apagada. Ele próprio se torna o
criador de uma religião distorcida, na qual a verdade é
misturada com a mentira. E assim temos o fenômeno da
existência de tantas religiões, religiões feitas pelo homem e,
porque são feitas pelo homem, não são perfeitas.
Esta é a principal diferença entre a religião cristã e outras
religiões. As outras religiões começam a partir de homem e
tentam ir em direção a Deus.
A religião cristã começa a partir de Deus e vai em direção
ao homem. Nas outras religiões o homem tenta encontrar
a Deus.

Ensinamentos Básicos da Fé Ortodoxa, adaptados  do Catecismo do Arcebispo Metropolitano Sotirios (Metrópole Ortodoxa Grega de Toronto, (Canadá).

Outras religiões e o Cristianismo.

Quantas religiões existem no mundo? Muitas. Podemos
fornecer um número exato? Não.
Podemos, no entanto, dividir as religiões em três classes:
Estes são a monoteísta, a politeísta, e a panteísta.
A característica das religiões monoteístas é a crença em um
único Deus, e alguns exemplos deste tipo de religião são o
Judaísmo e o Islamismo.
As religiões politeístas são aquelas marcadas pela crença
em muitos deuses, e tais são a adoração das estrelas, o
culto de adoração dos animais, plantas e outros.
As religiões panteístas são o Bramanismo, Budismo, e
outras, e sua característica é a crença de que o universo é
Deus, e que o universo ainda que sendo divino, permanece
passivo e não tem uma personalidade própria.
O Cristianismo é distinto de todas as religiões acima.
Os cristãos acreditam em um Deus, pessoal.
Às vezes as pessoas fazem uma confusão, e em especial os
não cristãos, acusam os cristãos de acreditarem em três
deuses: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
É verdade que acreditamos no Pai, no Filho e no Espírito
Santo, mas estas Três Pessoas são um único Deus. Um
Deus trinitário.
Vamos explicar isso mais tarde, quando lidarmos com as
Três Pessoas da Santíssima Trindade. Neste momento,
devemos ter em mente que o nosso Deus é Um, mas em
Três Pessoas.
O Cristianismo, como já foi dito no primeiro capítulo em
deste catecismo, tem uma origem divina.
Foi revelado ao homem por Deus. Foi revelado e ensinado
ao homem por Cristo, que Sendo perfeito Deus, tornou-se
homem perfeito.
Mas o Cristianismo não foi dado ao homem desde o início,
pois Deus agiu pedagogicamente, de modo parecido como
agem os tutores de uma criança ou em uma melhor
analogia, aos atos dos professores para com os seus
alunos.
Deus então primeiro orientou os homens através do
judaísmo. Quando a plenitude dos tempos veio, então, Ele
enviou Seu Filho Unigênito, Jesus Cristo, que tornando-Se
Homem, ensinou a humanidade a Verdade Plena.
O Judaísmo, ainda que tenha sido ofertado por Deus não
era, nem é, uma religião perfeita.
Este foi mesmo a preparação pedagógica para a Vinda do
Cristo, e seus ensinamentos são úteis apenas se
complementados pelo Cristianismo.
O judaísmo é então como um esboço. Para que este se
torne uma pintura acabada, deve aceitar o Cristianismo. O
judaísmo é o amigo do noivo, mas não é O Esposo.
O Noivo é Cristo e o Cristianismo. O judaísmo é o
anoitecer, não é o Sol. O sol é O Cristo. O Cristianismo é a
luz do dia, o sol brilhante.
O cristianismo ensina a Verdade. Mas de onde vem essa
Verdade?
Ele vem da Revelação Divina, tanto oral como escrita.
A Revelação oral é a Sagrada Tradição, e a revelação escrita
é a Sagrada Escritura, e tanto a Sagrada Tradição quanto a
Sagrada Escritura são iguais em peso.
A Santa Tradição é cronologicamente mais velha do que a
Sagrada Escritura.
Por exemplo, os Profetas falaram primeiro e depois suas
palavras inspiradas eram registradas.
Com O próprio Cristo, temos que as Suas palavras foram
escritas pelos evangelistas, muitos anos depois, alguns anos
depois do Seu sacrifício na Cruz e da Sua Ressurreição. E
os Apóstolos, falaram e ensinaram o Cristianismo, mas
nem todos escreveram cartas.
Só a Sagrada Tradição pode transmitir as verdades divinas
que não estão escritas na Bíblia. E é apenas Santa Tradição
que pode interpretar corretamente as Sagradas Escrituras.
Quando a Sagrada Tradição é rejeitada e apenas as
Escrituras Sagradas são aceitas como a base da nossa fé
(como se as Sagradas Escrituras fossem uma literatura
comum), a unidade da fé é abalada.
E tal erro é o que torna possível o fenômeno das igrejas
protestantes, fenômeno iniciado ainda no século XVI
como um movimento unificado, mas que nos tempos de
hoje se subdivide em mais de vinte mil igrejas, todas
protestantes, mas uma separada da outra, e por muitas
vezes lutando umas contras as outras.
A Santa Tradição nos mantém unidos - ou seja, a autêntica
Santa Tradição.
E a arca da Sagrada Tradição é a própria Igreja. E tal
Verdade explica a admoestação de São Paulo sobre
"manter e conservar as tradições.”.
Então ensinamos inequivocamente que o Cristianismo
caracteriza como fontes da Verdade a Santa Tradição e as
Sagradas Escrituras.
Também caracterizamos as Sagradas Escrituras pela
denominação simples de “Bíblia”. E quando dizemos isso,
estamos considerando a Bíblia como a junção do Antigo
Testamento e do Novo Testamento.

O Antigo Testamento é composto por quarenta e nove
livros, que foram escritos por vários escritores inspirados
por Deus.
Todos estes livros foram escritos em aramaico. Eles foram
traduzidos para o grego e esta tradução é conhecida por
nós como a Septuaginta (Tradução dos Setenta).
O Antigo Testamento é a aliança entre Deus e os hebreus,
a aliança que contém todas as condições em que as pessoas
poderiam ser orientadas para o Cristo e à salvação.
O Novo Testamento é composto de vinte e sete livros,
todos escritos na língua grega, e é a nova aliança entre
Deus e a humanidade, aliança que foi feita com a
encarnação de Cristo e foi assinada e selada com o Seu
sacrifício na Cruz e com a Sua Ressurreição.
Em essência o Cristianismo ensina a Verdade de Cristo,
sendo Ele mesmo a Verdade e a Vida.
Quem quiser estar vivo como um cristão deve permanecer
unido a Cristo, pois Ele é a Videira e os cristãos são os
ramos. Quando está unido com Cristo, o cristão vivencia a
vida em abundância, como seiva da videira.

Ensinamentos Básicos da Fé Ortodoxa, adaptados 
do Catecismo do Arcebispo Metropolitano 
Sotirios (Metrópole Ortodoxa Grega de Toronto, (Canadá).




domingo, 11 de fevereiro de 2018

O tempo presente é um momento de arrependimento

Irmãos, o tempo presente é um momento de arrependimento. Bem-aventurado, portanto, aquele que não se abaixou nas redes inimigas. Abençoado é para mim e para quem caiu nas redes, mas ele conseguiu arrancá-los e afastar-se dele como ele está na vida presente . Ele, ainda vivendo fisicamente, conseguiu escapar da guerra e ser salvo, como o peixe afrouxou da rede.
Porque o peixe e pegou, se rasgou a rede e correu para o fundo, enquanto ainda estiver na água, é salvo. Mas se eles puxá-lo em terra, então não pode se ajudar. Nós também. 
Enquanto estivermos nesta vida, tomamos o poder e a autoridade de Deus para quebrar nossas cadeias de vontades do inimigo por nós mesmos, para descartar o fardo de nossos pecados com arrependimento e salvação ganhando o reino dos céus. Mas se este mandamento impressionante nos leva, se a alma estiver separada do corpo e o corpo entra no túmulo, não podemos mais nos ajudar - assim como com os peixes que eles tiraram da água e os fechado em um recipiente.Irmão, não diga: "Hoje eu sinto e amanhã me arrependo", porque você não tem certeza.


É o cuidado de amanhã para o Senhor.
São Efraim de Syros

«A Oração da Quaresma» de Santo Efrém, o Sírio

De todos os hinos e orações da quaresma, uma pequena oração pode ser qualificada como "A Oração da Quaresma". A Tradição atribui sua autoria a um dos maiores mestres da vida espiritual, Santo Efrén o Sírio.

"Senhor e Mestre de minha vida,
afasta de mim o espírito de preguiça,
de abatimento, de domínio, de loquacidade,
e concede a mim, teu servo, um espírito de integridade,
de humildade, de paciência e de amor.
Sim, Senhor e Rei,
concede ver meus pecados e não julgar meus irmãos"
porque és bendito pelos séculos dos séculos. Amém.


Esta oração é recitada duas vezes ao final de cada Ofício de Quaresma, de segunda a sexta-feira.
Por que esta pequena e simples oração ocupa um lugar tão importante em toda a vida litúrgica da Quaresma? Porque enumera, de um modo singular, todos os elementos positivos e negativos do arrependimento e constitui, de algum modo, uma espécie “checking list” de nosso esforço individual de Quaresma. Este esforço aponta primeiro a nossa libertação de algumas enfermidades espirituais fundamentais que dão forma à nossa vida e que tornam virtualmente impossível para nós, inclusive, iniciar o nosso retorno para Deus.
Então, negativos:
Indolência

Desalento

Vanglória

Loquacidade (palavras vãs, inúteis)

Indolência

A enfermidade básica é a indolência. É esta estranha preguiça e passividade de nosso ser que sempre nos empurra para “baixo”, em vez de nos elevar para o “alto” – que constantemente nos convence que nenhuma mudança é possível e, portanto, desejável.
É de fato um cinismo profundamente enraizado que reage a cada ato espiritual: “para que?” e faz de nossa vida um enorme desperdício espiritual. É a raiz de todo pecado porque envenena a sua energia espiritual em sua própria fonte.
Desalento
E o resultado da indolência é a pusilanimidade, o estado de desalento considerado por todos os Santos Padres como o maior perigo para a alma. O desalento é a impossibilidade do homem ver qualquer coisa como boa ou positiva; é a redução de tudo ao negativismo e pessimismo. É, verdadeiramente, um poder demoníaco em nós, porque o diabo é fundamentalmente um mentiroso. Ele mente ao homem sobre Deus e sobre o mundo; ele enche a vida com obscuridade e negação. O desalento é o suicídio da alma porque, quando o homem é possuído por ele fica absolutamente incapaz de ver a luz e desejá-la.
Vanglória
Vanglória! Por estranho que possa parecer, é precisamente a indolência e o desalento que enchem nossa vida de vanglória. Ao contaminar toda a atitude para a vida e fazê-la sem sentido e vazia, forçam-nos a buscar compensação numa atitude radicalmente equivocada para com as outras pessoas.
Se minha vida não estiver orientada para Deus, não apontará para valores eternos e, inevitavelmente, se tornará egoísta e egocêntrica, e isto significa que todos os outros seres se tornarão meios de minha autodestruição.
Se Deus não é o Senhor e Mestre de minha vida, então eu me torno senhor de mim mesmo, mestre e centro absoluto de meu mundo, e começo a avaliar tudo em termos de minhas necessidades, minhas necessidades, meus desejos e meus juízos.
A vanglória é então uma depravação fundamental em minha relação com outros seres, uma busca de sua subordinação a mim. Não é necessariamente expressada num verdadeiro impulso de dominar e mandar aos “outros”. Pode também se manifestar em indiferença, desprezo, falta de interesse, consideração e respeito.
Quando a indolência e o desalento se dirigem aos outros, aí então está verdadeiramente a vanglória; assim completamos o suicídio e a morte espiritual.
Loquacidade (palavra inútil)
Finalmente, a loquacidade. De todos os seres criados, somente o homem foi dotado com o dom da palavra. Todos os Santos Padres vêem na vã palavra o verdadeiro “selo” da Imagem Divina no homem, porque Deus mesmo se revelou como verbo (Jo 1,1). Porém, na medida em que é dom supremo, é igualmente prova de supremo perigo. Sendo a mesma expressão do homem, o meio de sua auto-realização, é por esta mesma razão o meio de sua queda e auto-destruição, de traição e de pecado. A palavra salva e a palavra mata; a palavra inspira e a palavra envenena. A palavra é o meio da verdade e a palavra é um meio da mentira demoníaca. Verdadeiramente, cria, positiva e negativamente. Quando é desviada de seu propósito e origem divina, a palavra se torna inútil e reforça:
a indolência;

o desalento;

a vanglória

E transforma a vida em um inferno, se torna mesmo poder do pecado.
Estes são então, os quatro “objetos” negativos do arrependimento. São os obstáculos a serem removidos. Porém, somente Deus pode removê-los. Portanto, é a primeira parte da Oração de Quaresma – este grito do fundo do desamparo humano. Logo, a oração se move às atitudes do arrependimento que também são quatro.
Então:
Negativos:
Indolência;

Desalento;

Vanglória;

Loquacidade (palavra inútil).

Positivos:
Castidade

Humildade

Paciência

Amor

Castidade
Castidade! Se se reduz este termo (e, freqüentemente é entendido de forma errônea) só às suas conotações sexuais, é entendido como a contraparte positiva da indolência. A indolência é, antes de tudo, dissipação, ruptura de nossa visão e energia, a incapacidade de ver o todo. Seu oposto é precisamente plenitude.
Se, usualmente nos referimos a castidade como a virtude oposta à depravação sexual, é porque o caráter destruído de nossa existência é aqui melhor manifestado que na luxúria sexual. Cristo restaura a plenitude em nós e Ele faz isto ao restaurar em nós a verdadeira escala de valores ao levar-nos de volta a Deus.
Humildade
O primeiro e maravilhoso fruto desta plenitude ou castidade é a humildade. Está sobre tudo mais a vitória da verdade em nós, a eliminação de todas as mentiras nas que usualmente vivemos. A humildade é em si mesma a verdade, e pode ver e aceitar as coisas como são e, portanto, de ver a majestade e bondade de Deus em tudo. É por isso que se nos diz que Deus dá graça ao humilde e se opõe ao orgulhoso.
Paciência
A castidade e a humildade são naturalmente seguidas pela paciência.
O homem “natural”, ou “caído” é impaciente porque, sendo cego para si mesmo é rápido para julgar e para condenar aos outros. Tendo um conhecimento fragmentado e distorcido do todo, ele mede todas as coisas por seus próprios gostos e idéias. Sendo indiferente a todos, exceto a si mesmo, ele quer que a vida seja exitosa aqui mesmo e agora. A paciência, não obstante, é realmente uma virtude divina. Deus é paciente não porque Ele é “indulgente”, mas porque Ele vê a profundidade de tudo o que existe, a realidade interior das coisas que, em nossa cegueira, não conseguimos ver.
E, quanto mais nos aproximamos de Deus, mais pacientes nos tornamos e mais refletimos este infinito respeito por todos os seres, que é a qualidade própria de Deus.
Amor
Finalmente, a coroa e fruto de todas as virtudes, de todo o crescimento e esforço é o amor – o amor que, como temos dito, só pode ser dado por Deus – este dom que é a meta de toda a preparação e prática espiritual.
Então,
Positivos:
Castidade

Humildade

Paciência

Amor

Todo isto é resumido e reunido na súplica (petição) de conclusão da Oração da Quaresma na qual pedimos “...conhecer minhas faltas e não julgar a meus irmãos”. Porque, em último caso, só há um perigo: o orgulho. O orgulho é a fonte do mal, e todo mal é orgulho.
Os escritos espirituais estão cheios de advertências contra as sutis formas de pseudo-piedade, as quais, na realidade, sob a aparência de humildade e auto-acusação, podem levar a um orgulho verdadeiramente demoníaco. Porém, quando nós “conhecemos nossos próprios erros” e “não julgamos os nossos irmãos”, quando, noutros termos, a castidade, a humildade, a paciência e o amor são um só em nós, então, e só então, o último inimigo - o orgulho – terá sido vencido.
Logo após cada petição da oração realizamos uma prostração.
A prostração não se restringe à Oração de Santo Efrén, mas é apenas uma das características distintivas da vida litúrgica da Quaresma. Aqui, no entanto, seu significado é dado a conhecer melhor.
No longo e difícil esforço da recuperação espiritual, a Igreja não separa a alma do corpo. O homem completo caiu e se afastou de Deus; o homem completo foi restaurado, ele, o homem inteiro é que deve regressar a Deus. A catástrofe do pecado acha-se precisamente na vitória da carne – o animal, o irracional, a luxúria em nós – sobre o espiritual e o divino. Porém, o corpo é glorioso, o corpo é sagrado, tão sagrado que Deus mesmo “fez-se carne” Jo 1,1.
A salvação e o arrependimento não são desprezo do corpo ou sua negação, mas a restauração da sua verdadeira função como a expressão e a vida do espírito, como o templo da alma humana que não tem preço.
O ascetismo cristão é uma luta, não contra, mas em favor do corpo. Por esta razão, o homem completo - alma e corpo – se arrependem. O corpo participa na oração da alma assim como a alma ora através e no interior do corpo.
A prostrações: signo “psicossomático” do arrependimento e da humildade, da adoração e da obediência são, desta forma, o rito de Quaresma por excelência.
Deus nos permita viver esta Quaresma de modo adequado. Que Ele nos fortaleça para que cheguemos a ter em nós a humildade, a castidade, a paciência e o amor.
Este é o convite! Em ti está a decisão de segui-lo!

Pe. Alexander Schmemann
Trad.: monges da Comunidade Monástica S. 
São João o Teólogo - São José, SC.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Santa Escolástica, Virgem.



Irmã gêmea de São Bento foi sua cofundadora da Ordem das Beneditinas. São Gregório Magno transmitiu-nos o ultimo dos colóquios que São Bento costumava ter a cada ano com ela e o fato da chuva miraculosa que Santa Escolástica obteve de Deus para impedir e adiar a partida do irmão. Três dias depois do colóquio São Bento viu uma alma da irmã voar ao céu em forma de pomba. Era o ano 547.

Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios: 7,25-40.

“A respeito das pessoas virgens, não tenho mandamento do Senhor; porém, dou o meu conselho, como homem que recebeu da misericórdia do Senhor a graça de ser digno de confiança”. 26. Julgo, pois, em razão das dificuldades presentes, ser conveniente ao homem ficar assim como é. 27. Estás casado? Não procures desligar-te. Não estás casado? Não procures mulher. 28. Mas, se queres casar-te, não pecas; assim como a jovem que se casa não peca. Todavia, padecerão a tribulação da carne; e eu quisera poupar-vos. 29. Mas eis o que vos digo irmãos: o tempo é breve. O que importa é que os que têm mulher vivam como se a não tivessem; 30. os que choram, como se não chorassem; os que se alegram, como se não se alegrassem; os que compram, como se não possuíssem; 31. os que usam deste mundo, como se dele não usassem. Porque a figura deste mundo passa. 32. Quisera ver-vos livres de toda preocupação. O solteiro cuida das coisas que são do Senhor, de como agradar ao Senhor. 33. O casado preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar à sua esposa. 34. A mesma diferença existe com a mulher solteira ou a virgem. Aquela que não é casada cuida das coisas do Senhor, para ser santa no corpo e no espírito; mas a casada cuida das coisas do mundo, procurando agradar ao marido. 35. Digo isto para vosso proveito, não para vos estender um laço, mas para vos ensinar o que melhor convém, o que vos poderá unir ao Senhor sem partilha. 36. Se alguém julga que é inconveniente para a sua filha ultrapassar a idade de casar-se e que é seu dever casá-la, faça-o como quiser: não há falta alguma em fazê-la casar-se. 37. Mas aquele que, sem nenhum constrangimento e com perfeita liberdade de escolha, tiver tomado no seu coração a decisão de guardar a sua filha virgem, procede bem. 38. Em suma, aquele que casa a sua filha faz bem; e aquele que não a casa, faz ainda melhor. 39. A mulher está ligada ao marido enquanto ele viver. Mas, se morrer o marido, ela fica livre e poderá casar-se com quem quiser, contanto que seja no Senhor. 40. Contudo, na minha opinião, ela será mais feliz se permanecer como está. E creio que também eu tenho o Espírito de Deus. 

Foi mais poderosa aquela que mais amou

Escolástica, irmã de São Bento, consagrada ao Senhor onipotente desde a infância, costumava visitar o irmão, uma vez por ano. O homem de Deus descia e vinha encontrar-se com ela numa propriedade do mosteiro, não muito longe da porta.
Certo dia veio ela como de costume, e seu venerável irmão com alguns discípulos foi ao seu encontro. Passaram o dia inteiro a louvar a Deus e em santas conversas, de tal modo que já se aproximavam as trevas da noite quando se sentaram à mesa para tomar a refeição.

Como durante as santas conversas o tempo foi passando, a santa monja rogou-lhe: “Peço-te, irmão, que não me deixes esta noite, para podermos continuar falando até de manhã sobre as alegrias da vida celeste”. Ao que ele respondeu-lhe: “Que dizes tu, irmã? De modo algum posso passar a noite fora da minha cela”.

A santa monja, ao ouvir a recusa do irmão, pôs sobre a mesa as mãos com os dedos entrelaçados e inclinou a cabeça sobre as mãos para suplicar o Senhor onipotente. Quando levantou a cabeça, rebentou uma grande tempestade, com tão fortes relâmpagos, trovões e aguaceiro, que nem o venerável Bento nem os irmãos que haviam vindo em sua companhia puderam pôr um pé fora da porta do lugar onde estavam.

Então o homem de Deus, vendo que não podia regressar ao mosteiro, começou a lamentar-se, dizendo: “Que Deus onipotente te perdoe, irmã! Que foi que fizeste?” Ela respondeu: “Eu te pedi e não quiseste me atender. Roguei ao meu Deus e ele me ouviu. Agora, pois, se puderes, vai-te embora; despede-te de mim e volta para o mosteiro”.
E Bento, que não quisera ficar ali espontaneamente, teve que ficar contra a vontade. Assim, passaram a noite toda acordados, animando-se um ao outro com santas conversas sobre a vida espiritual. Não nos admiremos que a santa monja tenha tido mais poder do que ele: se, na verdade, como diz São João, Deus é amor (1Jo 4,8), com justíssima razão, teve mais poder aquela que mais amou.

Três dias depois, estando o homem de Deus na cela, levantou os olhos para o alto e viu a alma de sua irmã liberta do corpo, em forma de pomba, penetrar no interior da morada celeste. Cheio de júbilo por tão grande glória que lhe havia sido concedida, deu graças a Deus onipotente com hinos e cânticos de louvor; enviou dois irmãos a fim de trazerem o corpo para o mosteiro, onde foi depositado no túmulo que ele mesmo preparara para si.

E assim, nem o túmulo separou aqueles que sempre tinham estado unidos em Deus.

Dos Diálogos de São Gregório Magno, papa.

Marcos Vinícius Faria de Moraes

Bibliografia:

GRAMAGLIA, pe. Irineu; DALBOSCO, fr. Pascoal. Missal Romano. 3ª Edição. São Paulo: Editoras Paulinas, 1963.

JARUSSI, p. Gerardus. Bíblia Ave Maria. 176ª Edição. São Paulo: Editora Ave Maria, 2007.


Liturgia das horas volume I. 2° edição. São Paulo, 1999, p. 1258-1259.