domingo, 22 de abril de 2018

Domingo das Miróforas e do Nobre José de Arimatéia 09 de Abril -- Calendário Juliano.


No terceiro domingo após a Páscoa comemoramos as Miróforas, mulheres que foram ao túmulo de Cristo no domingo pela manhã, levando óleo e unguentos para cuidarem de seu corpo. 

Elas acabaram por se tornar as primeiras testemunhas e portadoras da Notícia da Gloriosa Ressurreição. A primeira a ver Cristo Ressuscitado foi Theotokos. Logo depois, Maria Madalena. As demais miróforas eram Maria e Martha de Betânia, Maria [mulher de Cleopas], Joana, Susana e Salomé.

O Nobre José de Arimatéia era membro do Sinédrio e um seguidor de Cristo em segredo. Ele e São Nicodemos ajudaram a remover o corpo do Senhor da Cruz, e o depositaram em um sepulcro que pertencia à José. Por causa disso, o Nobre de Arimatéia foi preso e depois exilado de sua terra natal. Ele passou a vida viajando para espalhar as Boas Novas, e foi na Inglaterra que repousou pacificamente no Senhor.


Evágrio Pôntico

"Você que aspira à prece pura vigie sua irascibilidade e você que ama a continência domine seu ventre; não dê pão ao seu estômago até a saciedade e racione a água; vigie durante a oração e afaste de você o rancor; que as palavras do Espírito Santo não o abandonem e bata às portas da Escritura tendo as virtudes como mãos. Então levantar-se-á para você a impassibilidade do coração e você verá na oração seu intelecto semelhante a um astro". (Evágrio Pôntico).


sexta-feira, 20 de abril de 2018

Catequese sobre a oração extratos.

Esta Catequese teve lugar em 1974, sendo dirigida à jovem comunidade dos monges recém-instalados no Monastério de Simonos-Petra (Monte Athos). O Arquimandrita Aimilianos lhes fala da oração do coração.

Primeiramente, quando nos referimos à oração, é necessário dizer que a oração não poder ser independente. Eu não posso afirmar que eu oro, se, no entanto minha oração não está em união com o seu complemento.

Existem coisas que, de fato, estão sempre juntas, e não podemos separar uma da outra. Como, por exemplo: Por que o Apóstolo Paulo ao falar da fé, não menciona as obras?(cf. Rm.4,5) Porque ao dizer “fé”, ele compreende uma fé que existe e que se manifesta por meio das obras. São Tiago ao falar das obras, (cf. Tg.2,14-26)diz que a fé não tem sentido algum sem elas, ele fala constantemente das obras, mas por quê? Porque as obras demonstram a fé. Estas duas realidades formam então um todo indissolúvel.

Desta mesma forma a oração está intimamente associada à uma outra realidade. Ela está ligada à Liturgia e mais profundamente à Santa Comunhão. Sem Liturgia e sem o Sacramento da Comunhão a existência da oração não é quase possível. Toda a oração seria então uma farsa. De igual modo, estejamos certos de que o culto que rendemos a Deus, tal como nossa comunhão, são vãos  diante de qualquer vida litúrgica marcada pela ausência de oração espiritual, (falo de uma oração interior forte, consolidada). Eles não passam de lama, lançada aos olhos de Deus, para Lhe fazer crer que O amamos; quando na realidade não temos relação alguma com Ele, e eis que um dia Ele nos dirá: “Euverdade vos digo que não vos conheço.” (Mt.25,12; cf. Lc.13,25). A vida litúrgica e a oração formam um todo. Elas constituem os dois ramos da vida espiritual; sendo uma a vida sacramental, condição primária à vida mística, e a outra, sendo a oração, que hoje analisamos, e que poderíamos dizer que é a raíz, o tronco, o ponto central da vida mística, que jorra da vida sacramental. A Santa Comunhão vem então em primeiro lugar no seio do culto. E por que razão? Por que é ela o preâmbulo indispensável?

Quando falamos da oração interior, não utilizamos a palavra proseuche, mas simplesmente o vocábuloeuche, pois a posição“pros”,“em direção à” nos indica seguidamente que a oração é um caminho direcionado à alguém, com o desígnio de nos unirmos à esta Pessoa. A oração interior(euche),é uma pausa – se podemos assim exprimir – um ato de júbilo que tem lugar em certo ponto onde Deus Se encontra. Como vedes, é-nos necessário fazer uma distinção.

Dizemos então que a oração(proseuche) supõe que nos dirijamos à uma Pessoa. Por consequência, para que haja oração, é preciso que esta Pessoa exista. E para poder dizer que oro, é preciso que a Sua presença e a Sua existência se tornem familiares em mim. Cristo, Aquele que está “no interior” de todas as coisas, Aquele que está presente presente em tudo, torna-Se presente em minha vida, por meio de minha participação litúrgica e, de forma privilegiada, de minha participação aos Santos Mistérios.

Por minha participação à vida litúrgica de nossa Igreja, eu me associo a Cristo, tornando-me membro de Seu Corpo. E à medida em que sou membro de Seu corpo - pois que torno-me efectivamente um membro vivo de Seu Corpo – é-me necessário participar às propriedades de Cristo, a fim de que se realizem em mim aperichorese e a permuta das qualidades, da mesma maneira, que em Cristo, Suas duas naturezas, divina e humana, complementam-se reciprocamente. Uma tal interpretação realiza-se pela Santa comunhão, que me faz participante às propriedades d’Aquele que é a minha Cabeça, Cristo; com Quem eu me tornei um.

Em consequência, a vida litúrgica e a Santa Comunhão estão indissoluvelmente ligadas. O que operam elas em mim? Elas tornam Deus, o Deus Vivo, presente em mim. O que resta a fazer agora? Vou me dirigir Àquele que vem em minha direção. Assim, por meio da Liturgia, Deus aproxima-Se de mim(perichorese), e por meio da oração, eu me aproximo d’Ele (proseuche), até que esta união seja total.

Esta orientação de todo o meu ser a Deus realiza-se pela via mística, continuamente e essencialmente pela oração. Aquilo que se produz em um dado momento ao interior da Igreja, em Vésperas, ou durante a celebração eucarística pela minha participação aos Santos Mistérios, prosseguir-se-á na oração. Eu não posso dizer que vou à Igreja se em contrapartida não faço antes minha oração. É então supérfluo ir à Igreja, desnecessário assistir à Liturgia e inútil comungar, quando não estou em estado de oração (contínua). E também inútil orar quando não participo a tudo o que veio a ser dito.

Todavia, a condição primordial e evidente é de assegurar à oração um lugar próprio, um lugar reservado, um espaço místico onde ela é cultivada.

Quando plantamos uma flor, preparamos a terra, tornamo-la fértil, adicionamos os adubos necessários, a fim de que desta raiz nasça uma flor. Se não a adubarmos, nem apropriarmos a terra, deixando-a arenosa, por exemplo, é em vão que plantamos esta raiz. O mesmo acontece à oração que permanecerá estéril, não ultrapassando o cimo de nossa cabeça – nem ainda podendo chegar às alturas das nuvens, atingindo os Céus – se ela não for plantada em suaterra mística, enriquecida pelo complemento espiritual; a vigília, a meditação e o jejum.

pelo Arquimandrita Aimilianos
Igumeno do  Monastério de Simonos Petra 
Santa Montanha (Athos)

terça-feira, 17 de abril de 2018

São José, o Hinógrafo 04 de abril -- Calendário Juliano.



José, o Hinógrafo, ''o doce rouxinol da Igreja'', nasceu em uma piedosa família da Sicília em 816. Seus pais, Plotino e Agatha, se moveram para o Peloponeso para se salvarem das invasões bárbaras. Quando completou quinze anos, José partiu para Tessalônica e entrou no Mosteiro de Latomos. Lá se distinguiu por sua grande piedade, seu amor pelo trabalho, sua humildade, e conquistou a boa vontade de toda a comunidade. Mais tarde, foi ordenado presbítero. 

São Gregório, o Decapolita, comemorado em 20 de novembro, visitou o mosteiro e tomou conhecimento do jovem monge, levando-o então para Constantinopla. Ali se estabeleceram próximos à Igreja dos Santos Mártires Sérgio e Baco. Tal se sucedeu durante o reinado do Imperador Leo, o Armênio [813-820], um período de intensa perseguição iconoclasta. 

São Gregório e José defenderam sem temor a veneração dos santos ícones. Pregavam nas praças das cidades e visitavam os lares dos Ortodoxos, encorajando-os contra os hereges. A Igreja de Constantinopla se encontrava em uma posição muito grave, pois não apenas o Imperador mas também o Patriarca caíram na heresia. Neste momento, o Papa Leo III prestou grande serviço à Igreja, e São José foi escolhido pelos monges como mensageiro a fim de solicitar a ajuda do Bispo de Roma. São Gregório o abençoou em sua viagem a Roma com o objetivo de relatar as atrocidades iconoclastas e os perigos à Ortodoxia. 

Durante a viagem, São José foi capturado por brigadas de árabes que trabalhavam como mercenários para os Iconoclastas. Eles o levaram para Creta e o entregaram nas mãos dos hereges, que, por sua vez, o encarceraram. Suportando corajosamente todas as tribulações, o santo encorajava os demais prisioneiros. Por suas orações, um Bispo que começava a fraquejar fortaleceu seu coração e se tornou um mártir da Fé. 

Depois de seis anos na prisão, em uma noite da Natividade de Cristo, em 820, o monge recebeu a visão de São Nicolau de Myra, que o avisou da morte do Imperador Leo, o Armênio, e do fim da perseguição. São Nicolau lhe entregou um rolo de papiro e lhe disse para comê-lo. Após comê-lo, São Nicolau lhe pediu que cantasse as palavras que tinha lido. Após isto, as portas da prisão foram abertas, e São João saiu dali e, transportado pelo ar, foi colocado em uma estrada próxima à Constantinopla e que levava até a cidade. 

Quando chegou à cidade, São José soube que São Gregório Decapolita não se encontrava mais entre os vivos. Construiu uma Igreja em homenagem ao seu pai espiritual, e um mosteiro foi fundado próximo a ela. Também construiu uma Igreja em homenagem ao Santo Apóstolo Bartolomeu, cujas relíquias lhes foram entregues por um homem virtuoso. Ao perceber que não havia cânone sobre o Santo Apóstolo, resolveu enfeitar a festa a ele dedicada com hinos. Por quarenta dias orou repleto de lágrimas, se preparando para a Festa do Santo Apóstolo. Na véspera da comemoração, São Bartolomeu apareceu a ele no altar, pressionou o Santo Evangelho no peito de José e o abençoou para que compusesse hinos para a Igreja. Após esta miraculosa aparição, São José compôs um Cânone para São Bartolomeu, e a partir daí realizou outros hinos em honra da Mãe de Deus, dos santos, de São Nicolau e outros. 

Durante o revival da heresia iconoclasta durante o Imperador Teófilo [829-842], São José mais uma vez sofreu nas mãos dos hereges. Foi exilado em Cherson por onze anos. Mas quando a veneração dos santos ícones foi restabelecida pela Santa Imperatriz Theodora, comemorada em 11 de fevereiro, São José se tornou guardião dos vasos sagrados de Hagia Sophia. Mas, pela denúncia que fez contra o irmão da Imperatriz, Bardas, que vivia em concubinato ilegal, o santo foi mais uma vez exilado e só retornou a Constantinopla com a morte de seu algoz, em 867. O Santo Patriarca Fócio, comemorado em 6 de fevereiro, restaurou-lhe em sua posição e o tornou Padre Confessor de todo o clero de Tsar'Grad. 

Tendo alcançado uma idade avançada, São João ficou doente. Recebeu em sonho o aviso da proximidade de sua morte, e se preparou para ela orando intensamente, não por si mesmo, mas pela paz da Igreja e pela Misericórdia de Deus. Tendo recebido os divinos Mistérios, abençoou a todos que se encontravam ao seu redor e adormeceu no Senhor. Os coros dos anjos, glorificados por São José em vida, levaram sua alma em triunfo para o Paraíso. A maior parte dos cânones do Menaion são trabalhos de São João, que também compôs muitos hinos no Parakletiko.



São Serafim de Sarov.



Quando o espírito mal do rancor toma a alma, então ao cumulá-la com sua amargura e desconforto, não permite que oremos com a diligência necessária; ele abala a atenção necessária à leitura de assuntos espirituais, desprovendo-a da humildade e a boa natureza no tratamento para com o próximo, sem falar que gera aversão a qualquer diálogo. Pois que a alma magoada, tornando-se insana e frenética, não pode aceitar uma sugestão calma, nem responder de maneira doce as questões que lhe são colocadas.

Corre das pessoas como que dos autores de seu embaraço, não compreendendo que a razão por tal enfermidade – está no interior dela própria. O rancor é o verme do coração.

por São Serafim de Sarov

O lugar de Maria na Igreja Ortodoxa.


No dia de 22 de setembro (09 setembro), a Igreja Ortodoxa comemora os Santos Joaquim e Ana, Antepassados do Senhor e também o III Concílio Ecumênico, reunido em 431 em Éfeso.

No Prólogo de Ocrid, escrito pelo grande Hierarca de nossos tempos, o Bispo Nicolaj Velimorovitch, temos as seguintes passagens para o Sinaxário de hoje: 

São Joaquim era da linhagem de Judá e descendente do rei David. Ana era filha de Matã, sacerdote da linhagem de Levi, assim como Aarão, o sumo-sacerdote. Matã tinha três filhas Maria, Sofia e Ana. Maria casou-se, viveu em Belém e deu à luz a Salomé. Sofia também se casou, vivendo em Belém e gerou a Isabel, mãe do São João, o Precursor. Ana, por sua vez, casou-se com Joaquim em Nazaré e, em avançada idade, deu à luz a Maria, a Santíssima Mãe de Deus. Joaquim e Ana foram casados por cinqüenta anos e, ainda assim, continuaram estéreis. Viviam piedosa e devotamente e, de tudo o que produziam gostavam um terço com si próprios, distribuíam um terço aos pobres e doavam o último terço ao Templo, nada lhes faltava. Certa ocasião, já idosos, edirigiram-seà Jerusalém para oferecer um sacrifício a Deus. Osumo-sacerdote Isacar repreende Joaquim, dizendo: “Não és digno de teres um dom aceito por tuas mãos, pois não tens filhos.” Os demais presentes no templo, que possuíam filhos, empurraram Joaquim para trás, como se fosse o mais indigno de todos. Este fato causa indescritível dor na alma dos dois anciãos (Joaquim e Ana), e elesregressam à casa em grande dor. Ambos caem, então, de joelhos diante de Deus em oração, para que Ele lhes concedesse um milagre, como outrora, concedido a Abraão e Sara, dando-lhes um filho como conforto da avançada idade. Por conseguinte, Deus envia Seu Anjo, que lhes anuncia o nascimento de “uma filha benditíssima, por Quem todas as nações da terra seriam abençoadas e por Quem viria a salvação do mundo.” Pouco tempo depois, Ana concebe e, passados nove meses, dá a luz à Santa Virgem Maria. São Joaquim vive por oitenta anos e Ana por setenta e nove, idade em que repousam no Senhor.

Este Concílio reuniu-se em Éfeso, em 431, no tempo do Imperador Teodósio, o Jovem. Contou com a participação de duzentos Santos Padres. O Concílio condenou Nestório, Patriarca de Constantinopla, por seus heréticos ensinamentos sobre a Santíssima Virgem Maria e o nascimento do Senhor. Nestório não queria designar a Santa Virgem como Theotokos (Genitora de Deus), mas como Cristotokos (Genitora de Cristo). Os Santos Padres condenam os ensinamentos de Nestório e confirmam que a Santa Virgem devesse ser chamada de Theotokos. Além do mais, o Concílio confirma as decisões dos Primeiro e Segundo Concílios Ecumênicos, especialmente o que se referia ao Credo Niceno-Constantinopolitano, ordenando que ninguém lhe retirasse nem acrescentasse nada.

O lugar de Maria na piedade da Igreja Ortodoxa tem grande importância no crescimento espiritual de todos nós. Sua Natividade, na carne, de pais estéreis em sua velhice, mas confiantes na relação com Deus, é o ato que marca o início do Reino que vem se instalar na Terra. Deus prepara, primeiramente, um humilde e fervoroso casal para acolher Aquela que viria dar a luz ao Filho de Deus na carne, é Maria Quem vem dar à luz de maneira misteriosa e miraculosamente pelo Espírito Santo.

Na realidade do Cristianismo Oriental Maria não é a Imaculada Conceição. Ela é gerada na carne, segundo uma promessa, de maneira natural à qualquer relação humana conjugal. Quem deu à luz a Deus? Maria, somente. O dogma da Imaculada Conceição da Igreja católico-romana pode fazer de Maria um(a) deus(a) – gerada sem pecado – no lugar de Seu próprio Filho. Não é em vão que em muitas de Suas representações pitorescas e estátuas Ela aparece sozinha, sem Seu Filho – contrário à Iconografia da Igreja Ortodoxa.

O fato que A marca, fazendo-A sujeito de toda veneração não é somente Sua virgindade, mas sobretudo Sua maternidade – ser a Mãe de Deus (Theotokos).

O Concílio de Éfeso, especialmente na pessoa do santo Hierarca Cirilo de Alexandria, vem justamente dar o devido lugar de Maria na Igreja, cuja terminologia inspirada pelo Espírito Santo, soube perfeitamente encontrar sua plenitude. Ao denominá-la Cristotokos (que gera a Cristo), cairíamos no erro de concebê-Lo somente enquanto homem e não como o Deus-Homem, que nos liberta e concede a salvação, pela Sua Encarnação.

Segundo as palavras do grande teólogo Georges Florovsky: a união a Cristo, razão de ser da Igreja e, em definitivo, o objetivo de todo cristão, é antes de tudo a participação ao Seu amor de oferenda pela humanidade. Aquela que de maneira única está unida ao Redentor – pelos laços do amor maternal – desempenha ai um grande papel. A Mãe de Deus torna-Se a Mãe de todos os viventes, de todo gênero humano, de todos aqueles que nascem e daqueles que renascem da água e do espírito. […] O mistério de Maria é o mistério da Igreja. Nossa Mãe a Igreja e a Mãe de Deus dão juntas a luz à uma vida nova. […] A Igreja chama a si os fiéis e os ajuda a crescer espiritualmente nos mistérios da fé, mistérios de sua própria existência e de seu destino espiritual. Na Igreja, eles aprendem a contemplar o Cristo vivo ao mesmo tempo que o coro triunfante da Igreja dos primogênitos inscritos nos Céus (Hb. 12, 23), e a adorá-los. E neste coro eclatante de glória, distinguem o rosto radiante da Santíssima Mãe do Senhor e Redentor, rosto tomado de graça e de amor, de compaixão e de misericórdia, rosto d´Aquela que é “mais venerável que os Querubins e incomparavelmente mais gloriosa que os Serafins” [...]

Aurora

Ícone de São Joaquim e Santa Ana:




Fonte: http://auroraortodoxia.blogspot.com.br/2012/09/o-lugar-de-maria-na-igreja-ortodoxa.html?m=1

segunda-feira, 16 de abril de 2018

A grande multidão marcada pelo selo de Deus.


Primeira leitura:

Do Livro do Apocalipse             7,1-17

A grande multidão marcada pelo selo de Deus.

        Eu, João, 1vi quatro anjos postos nas quatro extremidades da terra. Eles seguravam os quatro ventos da terra, para que o vento não pudesse soprar na terra nem no mar nem nas árvores. 2Vi um outro anjo, que subia do lado onde nasce o sol. Ele trazia a marca do Deus vivo e gritava, em alta voz, aos quatro anjos que tinham recebido o poder de danificar a terra e o mar, dizendo-lhes: 3“Não façais mal à terra nem ao mar nem às arvores, até que tenhamos marcado na fronte os servos do nosso Deus”. 4Ouvi então o número dos que tinham sido marcados: eram cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel: 5da tribo de Judá, doze mil; da tribo de Rubem, doze mil; da tribo de Gad, doze mil; 6da tribo de Aser, doze mil; da tribo de Neftali, doze mil; da tribo de Manassés, doze mil; 7da tribo de Simeão, doze mil; da tribo de Levi, doze mil; da tribo de Issacar, doze mil; 8da tribo de Zabulão, doze mil; da tribo de José, doze mil; da tribo de Benjamim, doze mil.

        9Depois disso, vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro; trajavam vestes brancas e traziam palmas na mão. 10Todos proclamavam com voz forte: “A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro.”

        11Todos os anjos estavam de pé, em volta do trono e dos Anciãos e dos quatro Seres vivos e prostravam-se, com o rosto por terra, diante do trono. E adoravam a Deus, dizendo: 12“Amém. O louvor, a glória e a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força pertencem ao nosso Deus para sempre. Amém.”

        13E um dos Anciãos falou comigo e perguntou: “Quem são esses vestidos com roupas brancas? De onde vieram?” 14Eu respondi: “Tu é que sabes, meu senhor.” E então ele me disse: “Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro. 15Por isso, estão diante do trono de Deus e lhe prestam culto, dia e noite, no seu templo. E aquele que está sentado no trono os abrigará na sua tenda. 16Nunca mais terão fome nem sede. Nem os molestará o sol nem algum calor ardente. 17Porque o Cordeiro, que está no meio do trono, será o seu pastor e os conduzirá às fontes da água da vida. E Deus enxugará as lágrimas de seus olhos.”


Segunda leitura:

Do Comentário à Primeira Carta de São Pedro, de São Beda Venerável, presbítero. 
(Cap.2:PL93,50-51) (Séc.VIII)

Raça escolhida, sacerdócio do Reino.

        Vós sois a raça escolhida, o sacerdócio do Reino (1Pd 2,9). Este elogio foi feito outrora por Moisés ao antigo povo de Deus. Agora com maior razão, o apóstolo Pedro o aplica aos pagãos pois acreditaram em Cristo, que como pedra angular, reuniu todos os povos na mesma salvação que fora dada a Israel.

        Chama-os de raça escolhida, por causa da fé que os distingue daqueles que, rejeitando a pedra viva, acabaram sendo eles mesmos rejeitados.

        Chama-os também sacerdócio do Reino, porque estão unidos ao corpo daquele que é o supremo rei e verdadeiro sacerdote. Como rei torna-os participantes do seu reino e, como sacerdote, purifica-os dos pecados pelo sacrifício do seu sangue. Chama-os sacerdócio do Reino para que se lembrem de esperar o reino eterno e ofereçam continuamente a Deus o sacrifício de uma conduta irrepreensível.

        São ainda chamados nação santa e povo que ele conquistou (1Pd 2,9), de acordo com o que diz o apóstolo Paulo, comentando uma passagem do Profeta: O seu justo viverá por causa de sua fidelidade, mas se esmorecer, não encontrarei mais satisfação nele. Nós não somos desertores, para a perdição. Somos homens de fé, para a salvação da alma (Hb 10,38-39). E nos Atos dos Apóstolos: O Espírito Santo vos colocou como guardas para pastorear a Igreja de Deus, que ele adquiriu com o sangue de seu próprio Filho (At 20,28).

        Portanto, o sangue de nosso Redentor fez de nós um povo que ele conquistou, como outrora o sangue do cordeiro libertou do Egito o povo de Israel.

        Eis por que, no versículo seguinte, recordando o significado místico da antiga história, Pedro ensina que ela deve ser realizada espiritualmente pelo novo povo de Deus, acrescentando: Para proclamar suas obras admiráveis (cf. 1Pd 2,9). De fato, os que foram libertados da escravidão do Egito por Moisés, entoaram ao Senhor um cântico de vitória, depois de terem atravessado o mar Vermelho e afogado o exército do Faraó. Do mesmo modo, também nós, depois de termos recebido no batismo o perdão dos pecados, devemos agradecer dignamente os benefícios celestes.

        Os egípcios que afligiam o povo de Deus, e por isso eram símbolo das trevas e tribulações, representam muito bem os pecados que nos oprimiam, mas que foram lavados pelas águas do batismo.

        A libertação dos filhos de Israel e a sua caminhada para a terra outrora prometida, têm íntima relação com o mistério da nossa redenção; por ela nos dirigimos para os esplendores da morada celeste, sob a luz e direção da graça de Cristo. Esta luz da graça foi também prefigurada por aquela nuvem e coluna de fogo que,durante toda a peregrinação pelo deserto defendeu os israelitas das trevas da noite e os conduziu através de veredas indescritíveis para a pátria prometida.