Lendo a Sagrada Escritura, encontrarás eficaz remédio para as dores do corpo e os sentimentos da alma. A meu ver, não há outro escrito, por mais esmerado que seja no conteúdo doutrinal e mais perfeito na elegância da forma, que possa consolar mais as almas aflitas e aliviá-las de seus anseios. Eu mesmo o experimentei muitas vezes. Com efeito, quando me senti abatido pelas muitas preocupações inerentes à vida mortal, procurei sempre refúgio nos livros sagrados como em rochedo seguro e, aí encontrei o remédio oportuno para os sofrimentos da alma e o almejado consolo, sem que se frustrassem jamais as minhas esperanças e desejos.
Muitas vezes procurei compreender a origem dessa força persuasiva da Escritura. Donde lhe vem tanta capacidade de inspiração e tanta energia para convencer, não só para suscitar opiniões, mas também, para fazer crer com firmeza? Certamente, não se deve atribuir tais efeitos a evidencia dos motivos, pois a Sagrada Escritura não se preocupa em aduzi-los; tampouco, à habilidade do discurso ou ao emprego de persuasivas e oportunas palavras, pois tal recurso não é empregado.
Quem melhor que a Sagrada Escritura para nos persuadir? A sua autoridade incita-nos a nela crer. E de quem deriva tamanha autoridade? Realmente, não vimos Deus falar, escrever, ensinar. Não obstante, cremos como se tivéssemos visto; e o que lemos, conservamos, como proveniente do Espírito Santo.
Talvez a razão da nossa fé na Sagrada Escritura esteja em encontrarmos nela uma verdade sempre sólida, embora nem sempre evidente. Quanto mais válida é uma verdade, tanto maior é a sua força de persuasão. Se assim é, por que nem todos crêem no Evangelho? – Porque nem todos se sentem atraídos por Deus. Afinal, creio desnecessário prolongar tal dissertação.
Do livro do Beato Batista Spagnoli, presbítero: A Paciência.
Ofícios próprios da
liturgia das horas da Ordem dos Irmãos Descalços da Bem-Aventurada Virgem Maria
do Monte Carmelo. 2° edição. São Paulo, 2000, p. 40-42.

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