quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Evangelho segundo São Lucas 15,1-10.



Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem.

Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles».
Jesus disse-lhes então a seguinte parábola:
«Quem de vós, que possua cem ovelhas e tenha perdido uma delas, não deixa as outras noventa e nove no deserto, para ir à procura da que anda perdida, até a encontrar?

Quando a encontra, põe-na alegremente aos ombros e, ao chegar a casa, chama os amigos e vizinhos e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida’.
Eu vos digo: Assim haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se arrependa, do que por noventa e nove justos que não precisam de arrependimento.

Ou então, qual é a mulher que, possuindo dez dracmas e tendo perdido uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e procura cuidadosamente a moeda, até a encontrar?
Quando a encontra, chama as amigas e vizinhas e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a dracma perdida’.

Eu vos digo: Assim haverá alegria entre os Anjos de Deus por um só pecador que se arrependa».

Deus à procura de uma só ovelha para salvação de todas


O fato de encontrarmos um objeto que tínhamos perdido enche-nos de uma alegria nova cada vez que ocorre. E esta alegria é maior do que a que experimentávamos, antes de o perder, quando aquele objeto estava bem guardado. Mas a parábola da ovelha perdida fala mais da ternura de Deus do que da maneira como os homens habitualmente se comportam. E exprime uma verdade profunda: abandonar o que tem importância por amor do que há de mais humilde é próprio do poder divino, não da cobiça humana. Porque Deus faz existir o que não é; Ele parte à procura do que está perdido guardando o que deixou ficar para trás, e encontra o que se tinha transviado sem perder o que está à sua guarda.

É por isso que este pastor não é da Terra, mas do Céu. A parábola não é de forma alguma uma representação de obras humanas, mas esconde mistérios divinos, como é demonstrado cabalmente pelos números que menciona: «Quem de vós, que possua cem ovelhas e tenha perdido uma delas...» Como vedes, a perda de uma só ovelha magoou tanto o pastor como se o rebanho inteiro, privado da sua proteção, se tivesse metido por um caminho errado. É por isso que, deixando as outras noventa e nove, ele parte à procura de uma só, [...] a fim de, nela, as encontrar e as salvar a todas.    

«O jejum é o leme da vida humana e governa todo o navio do nosso corpo».



São Pedro Crisólogo (c. 406-450)
bispo de Ravena,  Sermão 168, 4-6.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Reflexões sobre o Jejum da Natividade do Patriarca Daniel da Romênia (Bucareste, 20 de Novembro de 2017).



1. Jejuamos não para sermos vistos ou louvados por homens, mas para nos 
aproximarmos de Deus. 

2. Jejuamos, pois amamos a Deus mais do que Seus dons materiais que podemos consumir. 

3. O Perdão é uma boa forma de começarmos o Jejum. Ninguém pode, sem o 
perdão, dar início a luta espiritual pela purificação.

4. O jejum auxilia nas orações dos fiéis que consideram sua ligação com Deus 
como o centro, a luz e o alimento de suas almas. 

5. O jejum verdadeiro não consiste de apenas abster-se de produtos de origem 
animal, mas também de abster-se da ganância material e da busca por uma 
dominação egoísta sobre os outros, e também a redução de quaisquer 
pensamentos, palavras e ações que diminuem nosso amor por Deus e pelos 
outros. 

6. Se o jejum for acompanhado de ações agradáveis a Deus, ele nos torna uma 
luz para os outros e receptáculos escolhidos da glória de Deus. 

7. Jejum não é apenas uma condição material, mas também espiritual — isto é, jejum dos olhos, da boca e do coração.

8. Jejuar é o estado espiritual de sacrifício ou oferta daqueles que livremente 
jejuam de acordo com suas possibilidades. 

9. Durante o jejum, a quantidade de alimento material diminui, mas o alimento 
espiritual aumenta. 

10. O jejum auxilia nas orações, enquanto que jejum sem oração não é um 
esforço espiritual. 

11. Jejuar mitiga as paixões egoístas, ilumina o intelecto, santifica as emoções 
e muda nossas atitudes e comportamentos para com o próximo e a natureza, 
colocando tudo na vida à luz do amor de Deus.

Patriarca Daniel da Romênia.


Entrada da Santíssima Mãe de Deus no Templo.

Hoje é o prelúdio da boa vontade de Deus / e da profecia da salvação dos homens.



04 de Dezembro de 2018 (CC) / 21 de Novembro (CE).

Jejum da Natividade

Os justos Joaquim e Ana, mesmo antes do nascimento de sua filha Maria, tinham prometido dedicar a Deus a criança que Ele lhes havia concedido.  

Quando a Santíssima Virgem Maria era ainda uma jovem menina, eles a levaram ao Templo, acompanhada por virgens com lamparinas, e a colocaram no primeiro degrau da escada. De acordo com a antiga tradição, Maria subiu os quinze degraus do Templo sozinha. No topo da escada o Sumo Sacerdote a encontrou e, cheio do Espírito Santo, conduziu-a não só até o altar, mas mesmo até o Santo dos Santos onde, de acordo com a Lei, o próprio Sumo Sacerdote só podia entrar uma vez por ano. O povo ficou assombrado com essa entrada, e os anjos de Deus maravilharam-se também. 

Os Cristãos celebram esse evento em 21 de novembro como um portento de reconciliação do homem com Deus através do poder de Cristo. 

Esta festa litúrgica é celebrada nas Igrejas do Oriente desde o século VI, quando foi inaugurada uma igreja na cidade de Jerusalém em 543. Pouco a pouco foi se transformando em comemoração local para, gradativamente, estender-se por todo Oriente e implantar-se em Constantinopla, entre os séculos VII e VIII. Contribuíram para isto alguns Patriarcas como Germano e Tarásios. Embora não seja testificada pelo Evangelho, mas apenas embasada na Tradição viva da Igreja Primitiva, é celebrada com tanta piedade como as demais festas marianas do calendário litúrgico. 

A Igreja, celebrando esta festa, não quer recordar a entrada de Maria no Templo, simplesmente como fato histórico, mas quer enaltecer, mais uma vez, as virtudes de Maria que são modelos a serem seguidos por todos nós cristãos. 

A Apresentação de Maria no Templo nos apresenta dois Evangelhos ricos em significados: no Orthros, Maria declama seu "Magnificat" e, na Liturgia, Jesus visita Marta e Maria.  

Reza a Tradição que Maria, ao ser apresentada, contava com três anos de idade; e desde então se doou a Deus de maneira plena, tornando-se disponível à sua vontade. Desde o início ela foi a "Serva do Senhor" (Lc 1:38) a Quem amou e serviu com todas as forças. 
Maria preparou-se desde pequena para "tornar-se ela própria "templo" do Altíssimo. O anjo Gabriel anunciou tal realidade dizendo: "Não temas Maria, pois encontraste graça aos olhos de Deus". E a sua resposta é um célebre poema que enaltece a humildade e destrona o orgulho. 

A humildade, a simplicidade, a singeleza e a sinceridade são características frequentes em uma criança. Maria apresentou, portanto, tais atributos, os quais não a abandonaram com o seu crescimento, mas, antes, se tornaram permanentes. 

O silêncio de Maria e suas orações frequentes acolheram a vontade de Deus com amor, pois produziram dedicação. Maria cooperou na obra da Redenção dando seu "Sim", não de maneira passiva, mas numa operosa atividade. O seu "Sim" foi mantido e acentuado em toda a vida, até mesmo no Calvário onde, também ela, ofereceu seu Filho que se oferecia por nossa Salvação. 

Escolhida para ser mãe, pôs-se a serviço e se declarou serva. O mundo está cansado de palavras, de gestos ruidosos. Maria faz. No silêncio, realiza aos poucos sua parte.  
Maria é a nova Eva que gerou pelo seu "sim" o novo Adão. A primeira Eva foi a mulher do primeiro Adão e a ele prestava seus serviços como esposa dedicada, mas, porque fraca e desobediente, pecou. A Nova Eva é mãe do Novo Adão, que por amor e profundo respeito a Ele, doou-se por inteira; e porque fiel e obediente, trouxe ao mundo o perdão e a redenção. Onde havia abundado o pecado, pelo "Sim" de Maria a Graça superabundou. 
Maria é modelo de fé adulta, esclarecida, consciente. Uma fé que enfrenta todas as dificuldades, sem duvidar da presença de Deus em sua vida.  

A Festa da Entrada da Virgem Maria no Templo acontece um pouco antes da Natividade do Senhor. É um convite a uma mais profunda e esmerada preparação para que possamos viver este tempo de graça em plenitude.  

Arcipreste D. Sokolof

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Evangelho de São Lucas 12:16-21.



16 Propôs-lhes então uma parábola, dizendo: O campo de um homem rico produzira com abundância;  17 e ele arrazoava consigo, dizendo: Que farei? Pois não tenho onde recolher os meus frutos. 18 Disse então: Farei isto: derribarei os meus celeiros e edificarei outros maiores, e ali recolherei todos os meus cereais e os meus bens; 19 e direi à minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe, regala-te. 20 Mas Deus lhe disse: Insensato, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? 21 Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus. 


“O Desprendimento das Riquezas”


Disse-lhe alguém da multidão: "Mestre, diz ao meu irmão que reparta comigo a herança". E ele respondeu: "Mas homem, quem me constituiu juiz ou repartidor entre vós?" Toda esta passagem está ordenada a como aceitar a dor para confessar ao Senhor, seja por desprezo da morte, pela esperança do prêmio ou pela ameaça de um castigo eterno que jamais deixará de ser tal. E visto que, frequentemente, acontece que a avareza é causa de tentação para a virtude, acrescenta-se também o mandamento de suprimi-la e como se deverá fazê-lo, quando diz o Senhor: Quem me constituiu juiz ou repartidor entre vós?

Aquele que havia descido por razões divinas, com toda a justiça rejeita as terrenas, e não se digna fazer-se juiz de pleitos nem repartidor de heranças terrenas, visto que ele tinha que julgar e decidir sobre os méritos dos vivos e mortos. Deves, portanto, observar não o que pedes, mas a quem pedes, e não acredites que um espírito dedicado a coisas maiores pode ser importunado por insignificâncias.

Por isso, não é sem razão que é rejeitado esse irmão que pretendia que o Dispensador dos bens celestiais se ocupasse em coisas materiais, quando precisamente não deve ser um juiz o mediador no pleito da repartição de um patrimônio, mas o amor fraterno; ainda que, na realidade, o que um homem deve buscar não é o patrimônio de dinheiro, mas o da imortalidade. Porque de forma vã reúne riquezas aquele que não sabe se poderá desfrutar delas, como aquele que, pensando em derrubar os granjeiros repletos para recolher as novas messes, preparava outros maiores para as abundantes colheitas, sem saber para quem as reunia.

Já que todas as coisas que são do mundo permanecem nele, e nos abandona tudo aquilo que entesouramos para os nossos herdeiros; e, na realidade, deixam de ser nossas todas essas coisas que não podemos levar conosco. Somente a virtude acompanha aos falecidos, somente a misericórdia nos serve de companheira, essa misericórdia que atua em nossa vida como norte e guia até as mansões celestiais, e busca conseguir para os falecidos, em troca do desprezível dinheiro, os tabernáculos eternos.

Assim o testemunham os preceitos do Senhor, quando diz: Fazei-vos amigos das riquezas injustas, para que, quando estas faltem, vos recebam nos eternos tabernáculos. Este é um preceito inteligente, cheio de sabedoria e apto para animar também aos avaros a que optem por trocar as coisas corruptíveis pelas eternas, as terrenas pelas divinas. Porém, visto que muitas vezes a entrega se entorpece pela debilidade da fé e, quando se vai repartir a herança, vem à mente a preocupação de tudo o que é necessário para a vida, o Senhor acrescenta: Não vos preocupeis de vossa vida pelo que comereis nem de vosso corpo pelo que vestireis; porque, em verdade, a alma é mais importante que o alimento e o corpo mais que as vestes.

Porque aos que creem em Deus não há melhor meio para dar-lhes confiança como esse sopro vital que é o espírito, o qual faz durar a união completa da alma e do corpo, unidade que, por outro lado, não exige nenhum trabalho nosso e que perdura, sem que falte o alimento apropriado, até chegar o dia da morte. E se a alma está vestida da roupagem do corpo e este recebe vida em virtude da energia da alma, torna-se absurdo crer que nos faltará o alimento suficiente precisamente quando recebemos o mais, que é a realidade permanente da vida.




Santo Ambrósio, bispo de Milão (séc. IV)
Tratado ao Evangelho de São Lucas in loc.

domingo, 2 de dezembro de 2018

O problema do mal: a escuridão não existe por si só.



"Nossa teologia cristã ortodoxa vê o mal não como uma essência primitiva que é co-eterna e igual a Deus, mas sim um afastamento do bem. O mal não existe em si mesmo e não foi criado por Deus. Nossa Igreja Ortodoxa rejeita o ensinamento gnóstico de que a totalidade do ser é composta de dois reinos que sempre existiram juntos: o reino da luz e o reino das trevas.

Essa escuridão não existe por si só, mas é simplesmente a ausência ou a falta de luz. O mal, de acordo com São Basílio o Grande, 'não é uma substância viva e animada, mas uma condição da alma que se opõe à virtude e que brota no preguiça por se afastar do Bem. Portanto, não contemple o mal de fora, e não imaginemos alguma natureza original da maldade, mas que cada um se reconheça como o primeiro autor do vício que está nele'.

Nada é maior do que Deus, incluindo o mal, e o mal resulta quando o livre arbítrio da criação de Deus é dirigido contra Deus e, assim, engendrando o mal.

Isto é precisamente o que aconteceu quando a estrela da manhã que levava a luz (Lúcifer), caiu da Fonte da bondade, e se tornou o Maligno, Satanás. Lúcifer, ao impor sua própria vontade, encontrou-se na escuridão. Como seu poder é baseado na falsidade, ele só pode nos influenciar convencendo as pessoas de que ele é tão poderoso quanto Deus. No entanto, seu poder é finito e a boa vontade acabará por triunfar no último dia.

Que Deus permita que o mal exista em primeiro lugar, é um mistério, pois as escrituras não explicam isso. No entanto, sabemos através das Escrituras que o amor verdadeiro deve se expressar em ação, e diante do mal e do sofrimento, um cristão é chamado à ação por amar a Deus e ao próximo. O mal torna-se então um simples problema prático, que o cristão encontra maneiras de aliviar. Como cristãos, somos encarregados de levar o amor e a bondade de Deus ao mundo por meio de nossas ações.

Santo Antônio do Egito disse: 'O diabo tem medo de nós quando oramos e fazemos sacrifícios. Ele também tem medo quando somos humildes e bons. Ele tem muito medo quando amamos muito a Jesus. Ele foge quando fazemos o Sinal da cruz.'

Com amor em Cristo,

Abade Tryphon".

sábado, 1 de dezembro de 2018

Evangelho segundo São Mateus 25,31-46.



Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quando o Filho do homem vier na sua glória com todos os seus Anjos, sentar-Se-á no seu trono glorioso.
Todas as nações se reunirão na sua presença, e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos;
e colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda.

Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai; recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo.
Porque tive fome e destes-Me de comer; tive sede e destes-Me de beber; era peregrino e Me recolhestes;
não tinha roupa e Me vestistes; estive doente e viestes visitar-Me; estava na prisão e fostes ver-Me’.

Então os justos Lhe dirão: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome e Te demos de comer, ou com sede e Te demos de beber?
Quando é que Te vimos peregrino e Te recolhemos, ou sem roupa e Te vestimos?
Quando é que Te vimos doente ou na prisão e Te fomos ver?’.

E o Rei lhes responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes’.
Dirá então aos que estiverem à sua esquerda: ‘Afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e os seus anjos.

Porque tive fome e não Me destes de comer; tive sede e não Me destes de beber;
era peregrino e não Me recolhestes; estava sem roupa e não Me vestistes; estive doente e na prisão e não Me fostes visitar’.
Então também eles Lhe hão-de perguntar: ‘Senhor, quando é que Te vimos com fome ou com sede, peregrino ou sem roupa, doente ou na prisão, e não Te prestámos assistência?’.
E Ele lhes responderá: ‘Em verdade vos digo: Quantas vezes o deixastes de fazer a um dos meus irmãos mais pequeninos, também a Mim o deixastes de fazer’.
Estes irão para o suplício eterno, e os justos para a vida eterna».

«Ao ver Maria a chorar e os judeus que a acompanhavam a chorar também, Jesus suspirou profundamente e comoveu-Se» (Jo 11,33)


Porque te chorarei, meu irmão que tanto amava e que me foste tirado [...]? Na verdade, a minha relação contigo não desapareceu, apenas se alterou completamente para mim: até agora, era inseparável do corpo, a partir de agora tornou-se inseparável dos sentimentos. Tu permaneces comigo, e permanecerás para sempre. [...] O apóstolo Paulo recorda-mo e põe uma espécie de freio à minha dor com as seguintes palavras [...]: «Irmãos, não queremos deixar-vos na ignorância a respeito dos que faleceram, para não andardes tristes como os outros, que não têm esperança» (1Tess 4,13). [...]

Mas nem todas as lágrimas são um sinal de falta de fé ou de fraqueza. Uma coisa é a dor natural, outra a tristeza que resulta da descrença. [...] A dor não é a única a manifestar-se com lágrimas; também a alegria tem as suas lágrimas, também o afeto suscita lágrimas, a palavra rega o solo com lágrimas, e a oração, segundo as palavras do profeta, banha de lágrimas o nosso leito (Sl 6,7). Quando os patriarcas eram sepultados, o seu povo também chorava muito. As lágrimas são, pois, um sinal de afeto e não incitações à dor. Chorei, confesso-o, mas também o Senhor chorou (Jo 11,35); Ele chorou uma pessoa que não era da sua família, eu choro um irmão. Ele, num só homem, chorou todos os homens; e eu chorar-te-ei, meu irmão, em todos os homens.
Foi com a nossa sensibilidade que Cristo chorou, e não com a sua, porque a divindade não tem lágrimas. [...] Ele chorou neste homem que tinha «uma tristeza de morte» (Mt 26,38), chorou naquele que foi crucificado, que foi morto, que foi sepultado; chorou neste homem [...] nascido da Virgem.



Santo Ambrósio (c. 340-397)
bispo de Milão, Sobre a morte de seu irmão, § 6

O que pedir nas orações ?



"Peça apenas arrependimento em sua oração e nada mais, não peça por luzes divinas, nem milagres, nem profecias nem dons espirituais, mas apenas peça por arrependimento. 

É o arrependimento que vai trazer-lhe a humildade, a humildade vai trazer-lhe a graça de Deus, e Deus dará por Sua graça tudo o que você precisa para a sua salvação, ou qualquer coisa que você pode precise para ajudar outra alma" 



São Paisios o Athonita.