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quarta-feira, 27 de março de 2024

Uma só morte redentora, uma só ressurreição dos mortos

   A economia da salvação de Deus nosso Salvador consiste em levantar o homem da sua queda e fazê-lo voltar à intimidade divina, libertando-o da alienação a que o levara a desobediência. A vinda de Cristo segundo a carne, o exemplo da sua vida evangélica, a paixão, a cruz, a sepultura e a ressurreição não tiveram outro fim senão salvar o homem, para que ele, imitando a Cristo, recuperasse a primitiva adopção filial.


   Portanto, para atingir a vida perfeita, é necessário seguir a Cristo, não apenas nos exemplos de mansidão, humildade e paciência que nos deu durante a sua vida, mas também na sua própria morte, como diz São Paulo, o imitador de Cristo: Assemelhando-me a Ele na sua morte, para ver se posso chegar à ressurreição dos mortos.


   Mas como poderemos assemelhar-nos a Cristo na sua morte? Sepultando-nos com Ele pelo Baptismo. Em que consiste esta sepultura e qual é o fruto desta imitação? Antes de mais, trata-se de cortar com a vida passada. Mas ninguém pode conseguir isto, se não renascer de novo, segundo a palavra do Senhor, porque o renascimento, como o nome indica, é o começo de uma vida nova. Por isso, antes de começar esta vida nova, é necessário pôr fim à antiga. Assim como no estádio, aqueles que chegam ao fim da primeira parte da corrida costumam ter uma pequena pausa e descanso antes de iniciar o regresso, do mesmo modo era necessário que nesta mudança de vida interviesse a morte, pondo fim ao passado para começar novo caminho.


   E como podemos imitar a Cristo na sua descida à região dos mortos? Imitando pelo Baptismo a sepultura de Cristo. Porque o corpo dos baptizados fica de certo modo sepultado na água. Por isso o Baptismo simboliza a deposição das obras da carne, segundo as palavras do Apóstolo: Fostes circuncidados com uma circuncisão que não é feita pela mão dos homens, tendo-vos despojado do corpo mortal pela circuncisão de Cristo, sepultados com Ele no Batismo.


   Ora o Baptismo purifica a alma das manchas que nela se acumularam por causa das tendências carnais, segundo o que está escrito: Lavai-me e ficarei mais branco do que a neve. Por isso reconhecemos um só Baptismo salvador, já que é uma só a morte que resgata o mundo e uma só a ressurreição dos mortos, das quais é figura o Batismo.






                                           Do Livro de São Basílio Magno, bispo, sobre o Espírito Santo

                                                    (Cap. 15, 35: PG 32, 127-130) (Sec. IV)

quinta-feira, 25 de junho de 2020

«João não era a luz, mas veio para dar testemunho» (Jo 1,8)



O facto de o nascimento de João ser comemorado quando os dias começam a diminuir e o do Senhor quando os dias começam a aumentar tem um significado simbólico. Com efeito, o próprio João revelou o segredo desta diferença. As multidões tomavam-no pelo Messias em razão das suas virtudes eminentes, e alguns consideravam que o Senhor não era o Messias, mas um profeta, devido à fragilidade da sua condição corporal. E João declarou: «Convém que Ele cresça e que eu diminua» (Jo 3,30). E o Senhor cresceu verdadeiramente, porque, quando foi olhado como profeta, deu a conhecer aos crentes do mundo inteiro que era o Messias. João diminuiu, porque aquele que as pessoas julgavam ser o Messias lhes apareceu, não como Messias, mas como anunciador do Messias.

É normal, pois, que a luz dos dias comece a diminuir a partir do nascimento de João, dado que a sua reputação de divindade havia de desaparecer, assim como o seu batismo. E também é normal que a luz dos dias recomece a aumentar a partir do nascimento do Senhor, pois Ele veio à Terra trazer aos pagãos as luzes de um conhecimento que, até então, só os judeus possuíam em parte, e difundir por todo o mundo o fogo do seu amor.



São Beda o Venerável (c. 673-735), monge beneditino.
Homilia II, 20; CCL 122, 328-330

sábado, 15 de fevereiro de 2020

S. João Clímaco, "Escada do Céu", VII, I.


Procura sempre andar com um semblante triste, mas modesto, a fim de que não pareça ostentação de santidade. E trabalha sempre por estar atento e cuidadoso da guarda do teu coração; porque os demônios não temem menos a verdadeira tristeza, do que o ladrão teme o cão.

+ S. João Clímaco, "Escada do Céu", VII, I.

Escuta.



“Escuta. O nome do Filho de Deus é grande, imenso e sustenta o mundo inteiro. Se toda a criação é sustentada pelo Filho de Deus, o que pensar então daqueles que foram chamados por ele, que levam o nome do Filho de Deus e andam conforme os seus mandamentos? Estás vendo, portanto, os que ele sustenta? São os que levam o seu nome de todo o coração. Por isso, ele se constituiu alicerce deles e, para ele é uma alegria sustentá-los pois eles não se envergonham de levar o nome dele.”

-Pastor de Hermas, Terceiro Livro, Cap.14