| Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Assim como o Pai Me amou, também Eu vos amei. Permanecei no meu amor. | ||
| Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como Eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor. | ||
| Disse-vos estas coisas, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa. | ||
| É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei. | ||
| Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos. | ||
| Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando. | ||
| Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi a meu Pai. | ||
| Não fostes vós que Me escolhestes; fui Eu que vos escolhi e destinei, para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça. E assim, tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá. | ||
O que vos mando é que vos ameis uns aos outros».
São Matias, testemunha da ressurreição, escolhido por Deus
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sábado, 18 de maio de 2019
Evangelho segundo São João 15,9-17.
domingo, 21 de abril de 2019
GRANDES SEGUNDA, TERCA E QUARTA-FEIRAS SANTAS.
Esses três dias, que a Igreja chama de grandes e santos, têm, dentro do desenrolar da semana , uma finalidade bem definida. Eles situam as celebrações dentro da perspectiva do Fim, eles nos relembram o sentido escatológico da Páscoa. Muito frequentemente a semana santa é considerada como uma “linda tradição,” um “costume,” uma data importante do calendário. É o acontecimento anual esperado e amado, a Festa “observada” desde a infância, durante a qual a gente se encanta com a beleza dos ofícios, com o fausto dos ritos, e na qual a gente se ocupa de preparar a ceia pascal, que não é de menor importância. . . Depois, uma vez que tudo isto tenha acabado, nós retomamos a vida normal. Mas, teremos mesmo consciência de que “a vida normal” não é mais possível depois que o mundo rejeitou seu Salvador, depois que “Jesus ficou triste e abatido.. .,” que sua alma “ficou infinitamente triste até a morte. . .” e que ele morreu na cruz? Foram mesmo homens “normais” que gritaram: “Crucifica-o!” Homens normais que cuspiram nele e o pregaram na cruz. . . Se eles o odiaram e o mataram, é precisamente porque ele veio sacudir e desestabilizar sua vida normal. Foi mesmo um mundo perfeitamente “normal” que preferiu as trevas e a morte, em lugar da vida e da luz. . . pela morte de Jesus o mundo “normal,” a vida “normal” foram irrevogavelmente condenados. Ou, mais exatamente, o mundo e a vida revelaram sua natureza verdadeira e anormal, sua incapacidade de acolher a luz, o terrível poder que o mal exerce sobre eles. “É agora o julgamento deste mundo” (João 12:31). A Páscoa de Jesus significa o fim para “este mundo” e, desde então, ele está “no seu fim.” Este fim pode se estender por centenas de séculos, mas isto não altera em nada a natureza dos tempos em que vivemos, que é “o último tempo.” “O rosto deste mundo passa” (ICor. 7:31).
Páscoa significa “passagem”; para os judeus a festa da Páscoa era a comemoração anual de toda sua história, enquanto salvação, e da salvação enquanto passagem da escravidão no Egito à liberdade, do exílio à Terra prometida. A Páscoa era também a pré-fíguração da derradeira passagem, que conduz ao Reino de Deus. Ele, o Cristo, é o cumprimento da Páscoa. Ele completou a derradeira passagem, a da morte para a vida, deste “mundo velho” ao mundo novo, ao tempo novo do Reino. Ele tornou possível para nós esta passagem. Vivendo “neste mundo,” nós podemos já “não ser deste mundo”; quer dizer, estarmos livres da escravidão da morte e do pecado, participantes do “mundo que há de vir.” Mas, é necessário para tanto cumprirmos nossa própria passagem, condenar o velho Adão em nós mesmos, revestir o Cristo na morte batismal e ter nossa verdadeira vida oculta em Deus com o Cristo, no “mundo que há de vir.”..
A Páscoa não é, pois, mais uma comemoração, bonita e solene, de um acontecimento passado. É o próprio acontecimento manifestado, dado a nós, acontecimento sempre eficiente, que revela que o nosso mundo, nosso tempo e nossa vida estão no seu fim, e que anuncia o começo da vida nova. O papel dos três primeiros dias da semana santa é, precisamente, o de nos colocar diante do sentido último da Páscoa, de nos preparar para compreendê-la em toda sua amplidão.
Esta orientação escatológica, quer dizer, última, decisiva e final, é bem sublinhada pelo tropário comum a esses três dias:
“Eis que aparece o Esposo no meio da noite!
Feliz o cervo que Ele encontrar acordado,
infeliz o que Ele encontrar indolente.
Vigia, pois, ó minh'alma:
não te deixes vencer pelo sono!
À morte tu serias entregue,
para fora do Reino banida.
Mas, acorda e clama:
Santo, Santo, Santo és Tu, ó Deus!
pelas orações da Mãe de Deus, tem piedade de nós!”
Meia-noite é o instante em que o dia velho termina para dar lugar a um novo dia. Esta hora é assim para o cristão o símbolo do tempo em que vive. Por um lado, a Igreja está ainda neste mundo, com-partilhando de suas fraquezas e tragédias. Por outro, seu ser verdadeiro não é deste mundo, pois ela é a Esposa de Cristo e sua missão é de anunciar e revelar a chegada do Reino e do novo Dia. Sua vida é um velar perpétuo e uma espera, uma vigília orientada para a aurora desse novo Dia. . . mas nós sabemos o quanto nosso apego ao "velho dia,” ao mundo, com suas paixões e pecados, permanece ainda bastante tenaz. Nós sabemos o quanto ainda pertencemos profundamente a “este mundo.” Nós vimos a luz, nós conhecemos o Cristo, nós ouvimos falar da paz e da alegria da vida nova nele, e, entretanto, o mundo nos mantém ainda em escravidão. Esta fraqueza, esta constante traição ao Cristo e esta incapacidade de dedicar a totalidade do nosso amor ao único objeto de amor verdadeiro, são magnificamente expressadas no exapostilário desses três dias:
“Eu contemplo tua câmara nupcial,
ó Salvador meu!
Ela está toda enfeitada,
e eu não tenho as vestes para nela entrar.
Torna luminosa a roupagem da minha alma,
ó Tu que dás a luz,
e salva-me!”
O mesmo tema é ainda mais desenvolvido nas leituras do Evangelho destes dias. Primeiro, é o texto inteiro dos quatro evangelhos (até João 13:31), lido nas Horas (Prima, Tércia, Sexta, Nona), que mostra que a cruz é o apogeu de toda a vida de Jesus e de seu mistério, a chave para verdadeiramente o compreender. Tudo, no Evangelho, conduz a esta última “hora de Jesus” e tudo deve ser visto sob sua luz. Em seguida, cada ofício possui seu próprio pericópio de evangelho:
Na Segunda-Feira:
Nas matinas: Mateus 21:18-43 — a parábola da figueira estéril, símbolo do mundo criado para dar frutos espirituais e relutante em sua resposta a Deus.
Na liturgia dos Pré-santifícados: Mateus, 24:3-35 — o grande discurso escatológico de Jesus, os sinais e o anúncio do Fim. “O céu e a terra passarão, mas minhas palavras não passarão.”
Estes pericópios do evangelho são explicados e comentados na hinografia desses dias: os estiquérios (stykeroi), as triodes (cânones curtos de três odes cantados nas matinas) ao longo dos quais ecoa esta exortação: o fim e o julgamento estão próximos, preparemo-nos!
“Indo, Senhor, para Tua Paixão voluntária,
no caminho Tu dizias aos Teus apóstolos:
Eis que subimos a Jerusalém
e que o Filho do Homem será entregue,
segundo o que d'Ele está escrito.
“Vamos, pois, nós também, acompanhemo-lo,
o espírito purificado;
sejamos crucificados com ele
e morramos Nele para as volúpias da vida
a fim de vivermos com ele e de escutá-lo dizer:
“Eu não subo mais a Jerusalém terrestre para sofrer,
mas subo para meu Pai e vosso Pai,
para meu Deus e vosso Deus,
e eu vos farei subir comigo para a Jerusalém do alto,
no Reino dos Céus.”
Arquimantrita Placide (Deseille)
domingo, 7 de abril de 2019
Metropolita Amfilohije (Radovic).
A oração, para os Pais do Deserto, tal como a vida em geral, são inconcebíveis sem o jejum. Eles conhecem pela experiência pessoal aquilo que tanto a medicina moderna como a psicologia evidenciam: a unidade de corpo e alma em todas as suas manifestações, quer dizer, a unicidade dos seres humanos. A alma vivifica, ou mata o corpo, o corpo age na alma, quer positiva quer negativamente. O homem por completo, a qualquer momento, está a participar, quer num estado particular ou em algum ato, do mal ou do bem. Portanto, não há desenvolvimento real sem o desenvolvimento da vida interior do homem, da mesma forma como não pode haver verdadeira vida espiritual sem a participação ativa do corpo. Jejuemos, irmãos, espiritualmente, jejuemos e fisicamente, convida a Igreja Ortodoxa seus fieis a cada ano durante a Grande Quaresma, indicando assim que o jejum nao significa apenas abstinencia de gordura nos alimentos, mas a abstinência de mas obras, maus desejos e pensamentos: o jejum corporal é essencial, tal como um meio auxiliar para uma luta mais eficaz contra as paixões, particularmente contra a paixao do pensamento orgulhoso, raiz de todo mal. O corpo, que participa juntamente com a alma no pecado, deve, juntamente com ela, participar tambem na virtude, no jejum do pecado, a fim de juntamente com a alma participar no receber dos dons de Deus, recebendo assim a Gloria de Deus.
pelo Metropolita Amfilohije (Radovic)
traducao de monja Rebeca (Pereira)
sábado, 30 de março de 2019
HOMILIA NO DOMINGO DA CRUZ.
SANTA E GRANDE QUARESMA (Mc. 8: 34-9:1)
pelo Metropolita Anthony Bloom de Sourouzh
Em Nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém
No Evangelho de hoje, o Senhor nos diz que se quisermos ser seguidores de Seus discípulos, devemos tomar nossas cruzes e segui-Lo. E quando pensamos na Cruz do Senhor, pensamos em Sua gradual e dolorosa subida na Cruz, pensamos no caminho da Cruz, no caminho de Sua morte. Em verdade, o Senhor nos chama, se queremos ser-Lhe fiéis, se quisermos ser Seus discípulos, a preparar a caminhada inteira com Ele – quer dizer, todo o caminho.
No entanto, por outro lado, devemos nos lembrar que Ele não nos chama a seguir uma senda que Ele próprio não tenha trilhado. Ele é o Bom Pastor, que anda a frente de Seu rebanho, deixando claro que tudo está claro, que os perigos foram removidos, que podemos andar seguros em Seus passos. Sua chamada a tomarmos nossas cruzes e seguirmo-Lhe é um chamado, ao mesmo tempo, a aceitar a sermos verdadeiros discípulos e também a fazermos isto na certeza de que Ele nunca pedirá de nós aquilo que Ele próprio não pode suportar. Podemos segui-Lo com segurança, mas também com um sentido de paz em nosso coração e nossa mente.
E ainda, o que se segue não está desprovido de tragédia, porque para ser discípulo de Cristo, devemos, tal como a leitura da Epístola em nosso Batismo nos indica, morrer com Ele a fim de ressuscitarmos com Ele. Morrer significa renunciar, num ato de lealdade, de amizade, de solidariedade com Ele, de respeito e veneração por Ele, de reconhecimento do custo de Seu amor por nós, renunciar a tudo que causa a Sua morte. Devemos refletir em tudo que está no interior de nós que nos afasta de Deus, indignos de nós próprios, indignos de Seu amor.
E quando descobrimos, o que quer que seja, decidimos rejeitar para fora de nossas vidas. Podem ser coisas que parecem fáceis, ou pequenas, pode ser coisas que são pesadas e difíceis a rejeitar. Mas devemos imaginar que coisas que parecem ser pequenas nos separam de Deus daquelas coisas que parecem ser grandes para nós. Existe uma história na vida de um asceta a quem duas pessoas vieram; uma cometeu um pecado grave e a outra reconheceu somente uma multidão de pequenos pecados. E para lhe fazer entender que ambos os problemas podem ser destrutivos para a vida delas, disse a primeira para se dirigir a um campo e encontrar o maior pedregulho que pudesse encontrar e trazê-lo, e à outra que colhesse seixos por toda parte. A primeira facilmente encontrou um pedregulho e o trouxe; a outra também encontrou facilmente uma enorme quantidade de seixos. E quando voltaram, ele lhes disse, e agora vão e coloquem de volta exatamente onde encontraram. O primeiro que tinha trazido o grande pedregulho encontrou com facilidade o lugar, pois que estava profundamente impresso na terra. O outro, depois de horas e horas, retornou com todos os seixos, porque tinham sido colhidos por acaso, sendo assim impossível encontrar o local. Assim se passa com nossos pecados: não existe nada que seja pequeno, e não existe nada que seja grande, se – e este ‘se’ é importante – se não encontrarmos lugar para colocá-lo de lado, para rejeitá-lo.
Então, vamos refletir nisto. Nas semanas de preparação à Quaresma, fomos confrontados em seguidas parábolas, em seguidas leituras com imagens de pecado; a cegueira de Bartimeu, o orgulho do Fariseu, a rejeitar seu pai – nosso Deus! – por parte do filho pródigo; confrontamo-nos com a leitura do julgamento no qual fica tão claro que não seremos julgados pela fé em que professamos, mas antes se somos humanos durante nossas vidas, mesmo que simples humanos, perceptivos, cruelmente sensíveis aos sofrimentos de outras pessoas, e o que quer que tenhamos feitos a elas, nossos próximos, tudo que pode ser feito, se amamos o nosso próximo de tal forma como quiséramos ser amados. Então fomos confrontados com os dias finais deste período de preparação, quando semana à semana, o crepúsculo e a escuridão revelados dentro de nós mesmos pelas leituras que se realizaram. Tivéssemos a honestidade de responder à mensagem de Deus?
Em seguida franqueamos em um novo período de tempo, na própria Quaresma, no próprio Jejum; período que é chamado ‘a primavera’ – porque isto significa a palavra ‘quaresma’, um tempo de renovação e de novidade, um tempo em que Deus pode fazer novas as coisas passadas se permitirmos que Ele o faça. Confrontamo-nos com o Domingo da Ortodoxia, o Triunfo da Ortodoxia quando a Igreja proclama que Deus Se tornou homem, que o homem é tão grande, tão vasto, e tão precioso para o Deus que deu Sua própria vida por ele, um Deus de amor sacrificial, um Deus que foi preparado a viver e a morrer por nós porque nos valoriza muito.
E então, o Domingo seguinte, aquele de São Gregório Palamas – a proclamação do fato de que somos verdadeiramente chamados participantes da divina natureza de acordo com a promessa e a palavra de São Pedro em sua Epístola: que Deus quer dar-Se a nós, que a graça divina é o Próprio Deus derramando-Se sobre nós e nos dando uma possibilidade, uma chance, se somos ao menos capazes de responder a isto, em fazer d´Ele o nosso Rei, entroná-Lo como Juíz e Regente de nossa mente, como Aquele que dirige nosso coração, Aquele cuja vontade é a nossa vontade, Aquele que pode purificar-nos mesmo até em nossos corpos de todos os pecados espirituais e carnais.
E agora, veremos um após o outro que a graça de Deus aceita, heroicamente recebida, pode fazer nas pessoas: na pessoa de São João o Clímaco, na pessoa de Santa Maria do Egito, na pessoa de cada pecador lembrado nestes dias, e quem pelo poder, e a graça, e o amor de Deus, mas também, por sua resposta heroica, de todo-coração e sincera provou ser capaz de receber o que Deus estava dando.
E então, virá a Grande Semana Santa; e da luz que irradiou como uma promessa, fraca ou demasiadamente nos Santos, veremos a luz que cega do amor Divino encarnado, daquilo que significa Deus ao dizer que Ele nos ama. E ainda, isto é julgamento, porque se os homens, mulheres, crianças frágeis como nós podem responder como os Santos fizeram, o que diremos a Deus se não respondermos de acordo com Seu próprio amor crucificado e sacrificial?
E então, da escuridão do pecado revelado em nós, à luz da Divina Graça que irradiou através dos Santos e nos Santos, alcançaremos a luz pura, perfeita, revelada em Deus e em cada estágio nos é dito por Deus: vás responder a isto? Não é o horror das trevas suficiente para te fazer tremer? Não é esta visão do que se deve ser feito suficiente para te inspirar? Minha Própria vida e morte por ti não são suficientes para te porem em movimento? É-nos dado uma chance depois da outra para respondermos: vamos fazer isto! Apressemo-nos em fazê-lo! Existe uma passagem no Grande Cânone na qual se diz, Que a mão de Moisés coberta com lepra te convença que Deus pode purificar tua própria vida tomada pela lepra... Sim – se a lepra pode ser limpa pela ação de Deus, toda lepra que nos mancha, destrói-nos na alma, no corpo, que mina a pureza de nosso coração, a escuridão de nossa alma, torna a nossa vontade infiel à nossa própria vocação e ao chamado de Deus, tudo pode ser curado.
E então podemos ingressar nestes dias com esperança, porque um suspiro do Publicano foi suficiente para fazê-lo filho do Reino, restaurando-o em sua plenitude. Tragamos ao menos um suspiro do fundo de nosso coração – e a salvação é nossa.... Glória a Deus, Glória a Deus em todas as coisas.... Amém.
terça-feira, 26 de março de 2019
São Tarásio
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| São Tarásio. |
São Tarásio nasceu no ano 730. Recebeu uma ótima educação cristã e literária; tinha como pai, o prefeito de Constantinopla. Tarásio era de carácter zeloso, de tal forma que foi nomeado pelo imperador para um alto cargo imperial.
Enfrentou, em Deus, todas as tentações próprias da sociedade, cheia de luxo. No século VIII, foi a heresia iconoclasta promovida pelo imperador Leão que, não a compreendendo, aponta o culto às imagens como uma prática de idolatria.
Ao assumir o patriarcado, São Tarásio, em comunhão com o Papa, combateu e conseguiu condenar esta heresia num Concílio. Cuidadoso com suas ovelhas, tinha um grande espírito de serviço, a ponto de dizer, ao ser questionado pelo seu especial cuidado para com os pobres: "Minha única ambição é imitar Nosso Senhor Jesus Cristo, que viveu para servir e não para ser servido".
domingo, 24 de março de 2019
Segundo Domingo da Grande Quaresma Comemoração de São Gregório Palamas 11 de março -- Calendário Juliano.
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| São Gregório Palamas. |
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Originalmente, o segundo domingo da quaresma era dedicado a São Policarpo de Esmirna. Mas após a glorificação de São Gregório Palamas, em 1368, uma segunda comemoração foi acrescentada ao calendário nesta data, que marca um "Segundo Triunfo da Ortodoxia". Essa comemoração possui um significado histórico e outro espiritual [místico e teológico].
Gregório nasceu em 1296 em Constantinopla, filho de um proeminente nobre e dignitário da corte do Imperador Andronico II Paleólogos [1282-1328]. Com a morte precoce de seu pai, o próprio Imperador tomou para si a tarefa de educar o órfão. Possuindo enorme habilidade e inteligência, Gregório dominou todas as disciplinas filosóficas da alta educação medieval.
O Imperador tinha a esperança de que ele se dedicasse aos assuntos do governo, mas, aos vinte anos, Gregório abandonou o mundo e rumou para o Monte Athos, tornando-se noviço no mosteiro de Vatopedi sob a filiação do Ancião São Nicodemo. Ali foi tonsurado e dedicou-se à ascese. Um ano depois, o Bem Aventurado Apóstolo São João o Teólogo apareceu a ele em uma visão, e lhe prometeu proteção espiritual. A mãe de Gregório, bem como suas irmãs, também abraçaram o monasticismo.
Após a entrada de São Nicodemo no Reino dos Céus, Gregório passou oito anos de batalha espiritual sob a filiação do Ancião Nicéforo, e, após a sua morte, transferiu-se para a Lavra de Santo Atanásio, onde fez parte do coro da Igreja. Depois de três anos isolou-se em um pequeno skete de Glossia, lutando por um grau ainda mais elevado de perfeição espiritual.
O líder de seu mosteiro lhe ensinou o método da oração e atividade mental incessante, que havia sido cultivado por monges desde o quarto século, remontando a ascetas como Evágrio Pontico e São Macário do Egito. Bem mais tarde, no século XI, São Simeão o Novo Teólogo providenciou instruções detalhadas sobre a oração mental, logo seguida pelos ascetas da Sagrada Montanha Athos, chamado doravante de ''O Jardim da Panagia [''toda santa'' ou ''virgem'']''. A experiência da oração do coração requer solidão e quietude, em uma prática chamada de "Hesicasmo" [do grego 'hesíquia', que significa silêncio]. Durante sua estada em Glossia, Gregório se tornou inteiramente imbuído do espírito do Hesicasmo, adotando-o como parte essencial de sua vida.
Em 1326, por causa da ameaça de invasão turca, ele e sua comunidade se mudaram para Tessalônica, onde Gregório foi ordenado como sacerdote. São Gregório combinava seus deveres sacerdotais com uma vida de eremita. Passava cinco dias por semana em silêncio e oração, e apenas no sábado via o seu rebanho, começava a celebração dos ofícios divinos e pregava sermões.
Para aqueles que se faziam presentes na Igreja, seus ensinamentos sempre evocavam ternura e lágrimas. De vez em quando visitava encontros teológicos junto a jovens educados das cidades, e após um destes estudos realizado em Constantinopla, encontrou um lugar adequado para a solidão, bem próximo de Tessalônica, na região de Bereia. Logo se juntou a uma pequena comunidade de monges solitários e a guiou por cerca de cinco anos.
Nos anos 1330, acontecimentos importantes transformaram Gregório em um dos mais significativos apologetas da Ortodoxia, e deram-lhe grande renome como defensor e mestre do hesicasmo. No início desta década, o erudito monge Barlaão chegou a Tsar'grad vindo da Calábria, na Itália. Ele era autor de tratados de lógica e astronomia e um orador muito habilidoso, recebendo em vista disto uma cadeira universitária na cidade imperial.
Ali, começou a expor as obras de São Dionísio o Areopagita, cuja teologia 'apofática' era fundamental tanto para a Igreja Ortodoxa quanto para os cismáticos ocidentais. Logo Barlaão visitou o monte Athos, e lá veio a conhecer a vida espiritual dos hesicastas. Afirmando que era impossível conhecer a essência divina, declarou o método da oração mental um erro herético. Rumando dali para Tessalônica, e depois para Constantinopla, Barlaão entrou em disputas com vários monges e tentou demonstrar a natureza material e criada da Luz do Monte Tabor [ ou seja, da Transfiguração], que os hesicastas afirmam contemplar. Em suas disputas, Barlaão ridicularizava os ensinamentos dos monges sobre os métodos de oração e sobre a Luz Incriada vista pelos hesicastas.
A pedido dos monges athonitas, São Gregório replicou o irmão com admoestações verbais em primeiro lugar. Vendo a inutilidade dos seus esforços, colocou seus argumentos por escrito, e produziu as "Tríadas em defesa dos Santos Hesicastas", em 1338. Por volta de 1340, os ascetas da Sagrada Montanha, com a assistência do santo, compilaram uma resposta geral aos ataques de Barlaão, o chamado "Tomo Hagiorita".
No Concílio Ecumênico convocado em Constantinopla em 1341, realizado em Hagia Sophia, São Gregório debateu com Barlaão, se focando sobre a natureza da Luz do Monte Tabor. Em 27 de maio o Concílio aceitou sua posição, a saber, de que Deus, inapreensível em Sua Essência, revela-se por meio de Suas Energias, que são dirigidas diretamente ao mundo e aptas a serem percebidas, como a Luz do Monte Tabor, mas que não são nem materiais nem criadas. Os ensinamentos de Barlaão foram condenados como heréticos, e ele mesmo foi anatematizado e voltou à Calábria.
Mas as disputas entre hesicastas e barlaamitas estavam longe de acabar. Um discípulo de Barlaão, o monge búlgaro Akyndinos, escreveu uma série de tratados chamados "aquele que inflige danos", que sustentavam a opinião herética e possuía a simpatia do Patriarca João XIV Kalekos [1341-1347] e do Imperador Andronico III Paleólogos [1328-1341]. Desse modo, o Patriarca trancafiou São Gregório por quatro anos.
Em 1347, quando João XIV foi substituído no trono episcopal por Isidoro [1347-49], São Gregório não apenas foi libertado como tornou-se Arcebispo de Tessalônica. Em 1351, um novo concílio realizado em Blachernae solenemente reafirmou a Ortodoxia de seus ensinamentos.
Mas o povo de Tessalônica não aceitou imediatamente São Gregório, e ele teve de viajar para diversos lugares. Numa dessas viagens, seu navio foi capturado por turcos. Mas mesmo no cativeiro, São Gregório pregou para os cristãos que também eram prisioneiros, e até mesmo para seus captores muçulmanos, que ficavam atônitos pela sabedoria de suas palavras, e com os quais fez amizade após algumas conversas teológicas, que se concluíram com as palavras do grande santo, ''não estamos longe de nos entender''.
Alguns muçulmanos, despreparados para o que ouviam, agrediram o santo, e só não o mataram por causa do grande resgate que esperavam obter por ele. Um ano depois, São Gregório pôde retornar à Tessalônica.
Nos três anos anteriores à sua morte, São Gregório realizou diversos milagres, curando muitas pessoas. Na véspera de seu repouso, obteve uma visão de São João Crisóstomo. Com as palavras "Às alturas! Às alturas", adentrou o Reino dos Céus em 14 de novembro de 1359. Em 1368 sua santidade foi reconhecida formalmente pelo Concílio de Constantinopla, realizado sob o Patriarca Filoteu [1354-55, 1364-1376].
A exposição teológica da diferença entre essência e energias divinas, bem como do método hesicasta para a obtenção da theosis, como do próprio significado místico do termo, estão entre as maiores contribuições doutrinárias legadas à Igreja de Cristo, e protegeu-a contra o racionalismo e erros metodológicos e teológicos advindos da filosofia escolástica, muito reputada então pela síntese realizada por Tomás de Aquino. São Gregório Palamas foi também grande devoto da Toda Santa e Pura Mãe de Deus, que lhe garantiu proteção e assistência em toda sua vida, por meio inclusive de aparição direta ao santo.
O grande tema espiritual da comemoração do Domingo de São Gregório Palamas é o esforço ascético conjugado à fé, grande sinergia que possibilita ao homem à realização do ensinamento dos Santos Padres, de que "Deus se tornou homem para que o homem se fizesse deus''. Há a lembrança dos jejuns e outras práticas como formas de receber e vivificar a luz interior, integrando-a em todo o ser do cristão a fim de obter a salvação.
O Evangelho de hoje também carrega mensagens e lições de grande importância para nossa jornada rumo à salvação. O Bem Aventurado Evangelista São Marcos nos conta sobre o paralítico que foi descido por quatro homens até o Senhor a partir do teto da casa em que ele ensinava, já que a multidão ao redor não permitia que se aproximassem de outra forma. Diante de tamanha fé e esforço, Cristo não apenas restaurou a saúde do paralítico mas também perdoou-lhe os pecados, o que é muito mais importante.
Assim como os amigos do paralítico o ajudaram, como Corpo de Cristo, também devemos nos auxiliar mutuamente. A passagem aponta que não foi só a fé do próprio doente que o salvou. Foi quando Jesus contemplou a ''fé deles'', que perdoou os pecados do doente e o curou. Os quatro amigos representam também a oração, o jejum, a caridade e a obediência, que nos apóiam na busca por Cristo e em nossa cura.
sábado, 23 de março de 2019
Hoje em dia, o principal ingrediente que falta...
Hoje em dia, o principal ingrediente que falta [à harmonia entre as pessoas] é uma coisa que poderíamos chamar de desenvolvimento emocional da alma. Não é uma coisa exatamente espiritual, mas que frequentemente impede o desenvolvimento espiritual. A pessoa pode até achar que quer se dedicar à vida ascética e ao combate espiritual quando, na verdade, encontra-se num estado em que mal consegue expressar amizade e amor humano normais; se alguém diz: 'Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?' (I João 4:20).
Em algumas pessoas esse defeito manifesta-se de maneira extrema. Mas, enquanto tendência, é algo que está presente em todos nós, já que todos fomos criados e aculturados em uma atmosfera espiritual e emocional deteriorada.
Assim sendo, é comum que tenhamos de refrear nossos impulsos e combates supostamente espirituais para que saibamos se estamos realmente preparados, em termos humanos e emocionais, para esses combates. Às vezes, acontece de um pai espiritual negar a seu filho que leia livros espirituais para lhe dar, em vez disso, um romance de Dostoyevsky ou Dickens, ou ainda lhe encorajar para que se familiarize com determinados tipos de música clássica. Não que haja um propósito puramente estético nessas orientações - pois é perfeitamente possível que alguém seja especialista nessas coisas e seja emocionalmente desenvolvido sem, no entanto, um pingo de interesse nas coisas espirituais, o que também é indício de desequilíbrio - mas há, sim, o propósito de refinar e moldar a alma, tornando-a mais apta e receptiva a entender os textos genuinamente espirituais.
+ Bem-aventurado Padre Serafim (Rose) de Platina,_____ in: "His Life and Works", Saint Herman Press, Platina, EUA, 2003.
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