sexta-feira, 13 de julho de 2018

Deificação, Vocabulário Teológico.

Os Padres da Igreja repetiam este adágio: "Deus Se fez homem para que o homem se torne Deus" e: "o homem é uma criatura que recebe a ordem de tornar-se Deus."

De fato o homem é chamado a viver em Deus, a participar de Sua Glória, a estar unido a Ele, e transformar-se pela graça o que Deus é por natureza. Trata -se de uma união com Deus pelas energias divinas, união mas não fusão ou confusão. Cristo tomou nossa natureza para nos fazer comungar a Vida divina e nos tornar "participantes da natureza divina" (2 Ped. 1:4), participantes das energias e não da essência de Deus.

A deificação é o processo pelo qual o homem crê em Deus de glória em glória. Os justos serão deificados no último Dia, mas o processo deve começar desde já, amando a Deus, observando Seus mandamentos. O cristão é ajudado nisto por sua vida na Igreja e pelos sacramentos.

A "deificação" não é apenas um dom livre do Espírito Santo, mas exige a cooperação do homem, é pois necessário um processo dinâmico que implica níveis de comunhão com Deus e uma religião de experiência pessoal (Jean Meyendorff, The Byzantine Legacy in the Orthodox Church, New York, SVS Press, 1982, pg. 150).

 Deificação, Vocabulário Teológico.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

12 de Julho de 2018 (CC) / 29 de Junho (CE) Santos Apóstolos Pedro e Paulo Modo 5





A importância da festa de São Pedro e São Paulo no ciclo litúrgico bizantino é indicada pelo fato de uma quaresma especial - chamada de “quaresma dos apóstolos” - prepara os fiéis para esta solenidade. Este período de jejum começa na 2ª feira que se segue ao 1º domingo após o Pentecostes e termina no dia 28 de junho/11 de julho.
“Exaltemos Pedro e Paulo, estes dois luzeiros da Igreja pois eles brilham no firmamento da fé...” 
Assim cantamos nas vésperas da festa, na noite de 28 de junho. Nas matinas como nas vésperas os hinos parecem partilhar igualmente o louvor entre os dois apóstolos, a quem nos dirigimos um a cada vez. Entretanto o evangelho lido nas matinas trata especialmente sobre o apóstolo Pedro. Aí ouvimos nosso Senhor (Jo. 21,14-25) perguntar três vezes a Pedro: “Tu me amas?”. Na primeira vez Jesus diz: “Tu me amas mais do que estes?” Três vezes Pedro responde com uma humildade às vezes triste e às vezes chorosa:“Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo”. E três vezes Jesus lhe diz para apascentar o rebanho do Bom Pastor: “Apascenta os meus cordeiros... apascenta as minhas ovelhas...” Depois Jesus prediz a Pedro de maneira velada “o gênero de morte pelo qual Pedro devia glorificar a Deus”. 

Este evangelho tem duas coisas para nos dizer. Primeiro, coloca claramente a pergunta única, pergunta que temos e que teremos que responder: “Tu me amas?” Tudo, na vida cristã, se reduz a esta pergunta. Podemos nós responder como Pedro: “Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo?” Não seriam nossas ações um lamentável desmentido desta afirmação? Entretanto responder simplesmente que não amamos o Senhor seria desconhecer e sufocar as aspirações - por mais fracas que sejam - que o Espírito Santo põe em nossos corações e dirige para Cristo. Digamos, então, a Jesus: “Senhor, Tu sabes tudo, Tu sabes que Te amo. Não espero nada de mim; espero tudo da Graça”. 

O segundo ensinamento dado por este evangelho concerne a natureza da autoridade na Igreja. O Senhor confere aqui a Pedro uma autoridade especial. Percebemos primeiro que esta autoridade está fundamentada sobre uma primazia do amor - “tu me amas mais do estes?” - e em seguida que ela consiste em um serviço humilde e desinteressado -“apascenta minhas ovelhas...”. Entre cristãos toda preeminência que não for uma preeminência de amor e de serviço não corresponde às intenções de nosso Senhor. Toda autoridade que, na Igreja, se expressasse em termos de prestígio ou de posse material ou de domínio tornar-se-ia estranha e hostil à solicitude verdadeiramente pastoral à qual Jesus chama Pedro para participar. Sobre estas palavras do Senhor a Pedro serão julgados todos aqueles que reivindicam uma autoridade no seio da comunidade dos fiéis.

A liturgia de 29 de junho/ 12 de julho manifesta, pelos textos que nos faz ouvir, o quanto o ministério de Pedro e o de Paulo são todos dois necessários e complementares. O evangelho (Mt.16,13-19) contém a confissão de Pedro em Cesaréia de Filipos: “Tu és o Cristo, Filho de Deus vivo...” e a resposta de Jesus: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei minha Igreja, e as Portas do Inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”. Este texto levantou muitas controvérsias. Mas permanece certo que Jesus quis reconhecer e sancionar pela concessão de um poder espiritual eminente, o ato de Fé que Pedro acabava de formular.

A epístola (2Co.11,21-12;9) enumera os títulos de Paulo, chamado diretamente ao apostolado por Cristo, foi considerado como igual ou mesmo superior em autoridade aos ministros do Evangelho já regularmente instituídos e reconhecidos: “Eles são ministros de Cristo?...Eu, mais do que eles...” Paulo fundamenta esta afirmação de um lado pelos sofrimentos que enfrentou, de outro pelas graças e revelações que lhe foram concedidas. Um estudo atento das relações dele com os Onze pode ensinar-nos muito sobre a questão da autoridade na Igreja. Paulo nunca levantou-se contra o elemento institucional representado pelo apostolado “histórico” dos Onze. Ele recebeu a imposição de mãos daqueles que já eram reconhecidos como possuindo o Espírito Santo. Ele submeteu à aprovação da Igreja reunida em Jerusalém seus próprios métodos de apostolado. Mas jamais admitiu nem que sua vocação extraordinária fosse inferior à vocação normal dos outros apóstolos, nem que seu conhecimento de Cristo, todo espiritual e recebido pela graça, fosse menor que o conhecimento que tinham de Jesus os seus primeiros discípulos; nem que ele devesse sacrificar suas próprias convicções face ao mais autorizado dos apóstolos: “quando Cefas veio a Antioquia, resisti-lhe em face, porque ele estava errado”. Quanto mais a Igreja for dominada pelo Espírito Santo, mais ela ultrapassará toda tensão entre autoridade regularmente adquirida e a liberdade espiritual. Uma síntese deve estabelecer-se entre a tradição e a inspiração. Pedro e Paulo não podem ser separados; e é por isso que a Igreja os comemora no mesmo dia. Digamos com ela:
“Rejubila, ó Apóstolo Pedro, tu, o grande amigo do Mestre, Cristo nosso Deus. Rejubila bem amado Paulo, pregador da fé e doutor do universo. Por isso, intercedei junto a Cristo nosso Deus pela salvação de nossas almas”.
A Igreja quer associar todos os outros apóstolos à homenagem que ela presta a Pedro e Paulo. Assim, no dia 30 de junho, ela dedica à comemoração coletiva dos Doze. Como diz o Kondakion do dia: “... comemorando hoje a sua memória, nós glorificamos Aquele que os glorificou”.

Tropário Dos Apóstolos Modo 4
Príncipes dos divinos Apóstolos e doutores do Universo, 
intercedeis junto do Mestre Universal 
para que ao mundo Ele dê a Paz 
e que conceda às nossas almas a graça da salvação. 
Kondákion Dos Apóstolos Modo 2 
Os infalíveis pregadores da palavra de Deus,
os Corifeus dos teus Apóstolos, Senhor,
encontraram junto de ti o lugar do seu repouso,
no usufruto dos Teus bens,
pois Tu acolheste os seus sofrimentos e suas mortes
melhor que outra oferenda das primícias da terra,
Tu, O único que pode ler o coração dos homens.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Santa Mirófora Joana 27 de junho -- Calendário Juliano



Joana, a Mirófora, mulher de Cusa, intendente do Rei Herodes, foi um das mulheres que seguiam e serviam o Senhor Jesus Cristo durante Sua missão pública. Ela é mencionada no Evangelho do Bem Aventurado São Lucas.

Junto com outras miróforas, Santa Joana foi ao sepulcro para ungir o Santo Corpo do Senhor com mirra após Sua morte sobre a Cruz, e ouviu dos anjos a proclamação de Sua Toda Gloriosa Ressurreição. 

De acordo com a Santa Tradição, ela recuperou a cabeça de São João Batista. Santa Joana também é celebrada no Domingo das Miróforas.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

«Creio na ressurreição da carne» (Credo)



Aqueles que estão enganados dizem que não há ressurreição da carne, que é impossível que esta, após ter sido destruída e reduzida a pó, reencontre a sua integridade. Segundo eles, a salvação da carne não seria apenas impossível, mas nociva; pois acusam a carne, denunciam os seus defeitos, tornam-na responsável pelo pecado, e afirmam que, se ela ressuscitar, também os seus defeitos ressuscitarão [...]. Aliás, o Salvador declarou «Quando ressuscitarem de entre os mortos não se casarão, mas serão como anjos nos céus». Ora os anjos, dizem eles, não têm carne, não comem nem se unem. Portanto, não haverá ressurreição da carne. [...]

Como são cegos os olhos do intelecto! Porque não viram na terra os cegos verem e os coxos caminharem (Mt 11,5) graças à palavra do Salvador [...], para nos fazer crer que, na ressurreição, a carne ressuscitará completa. Se nesta terra Ele curou as enfermidades da carne e devolveu ao corpo a sua integridade, quanto mais o fará no momento da ressurreição, para que a carne ressuscite sem defeito, integralmente [...]. Parece-me que essas pessoas ignoram a ação divina no seu conjunto, tanto na origem da criação como no fabrico do homem; e ignoram a razão por que foram feitas as coisas terrenas.

O Verbo disse: «Façamos o homem à nossa imagem e semelhança» (Gn 1,26). [...] É evidente que o homem, moldado à imagem de Deus, era de carne. Que absurdo é considerar desprezível e sem mérito a carne moldada por Deus segundo a sua imagem! É também evidente que a carne é preciosa aos olhos de Deus porque é obra sua. E, porque nela se encontra o princípio do seu projeto para o resto da criação, é o que há de mais precioso aos olhos do Criador.

+ S. Justino, o Mártir, "Tratado sobre a ressurreição", 2.4.7-9

sábado, 7 de julho de 2018

S. João de Kronstadt.

Ícones nas igrejas e casas são necessários porque nos lembram da imortalidade dos santos; de que "eles vivem para Ele" (Lc. 20:38), de que em Deus eles nos vêem, ouvem e ajudam.

+ S. João de Kronstadt

terça-feira, 3 de julho de 2018


Bem aventurado Hieromártir Metódio, Bispo de Patara
20 de junho -- Calendário Juliano 

Metódio, Bispo de Patara -- cidade da Lícia, na Ásia Menor -- se distinguiu por sua genuína humildade monástica. Ele instruía seu rebanho com calma mas defendia com firmeza a pureza da Ortodoxia e com energia combatia as heresias, especialmente aquelas dos origenistas. 

Deixou atrás de si um rico legado: obras em defesa do cristianismo contra o paganismo, explicações dos dogmas ortodoxos contra os erros dos origenistas, discursos morais, explanações das Sagradas Escrituras. 

São Metódio foi preso por pagãos, e confessou diante dele a sua fé em Cristo. Foi sentenciado à morte pela decapitação no ano 312.

domingo, 1 de julho de 2018

Anthony Bloom,



Na Igreja Ortodoxa, temos orações da manhã e da tarde que são, no conjunto, mais longas do que as habitualmente usadas no Ocidente. Para ler essas orações, levaríamos cerca de meia hora pela manhã e meia hora pela tarde. Alguém que tentasse aprendê-las de cor, poderia valer-se delas em outros momentos. Mas, não basta apenas aprender de cor as orações. Uma oração só tem sentido se for vivida. Se elas são "vividas", se vida e orações se entrelaçam totalmente, as orações tornam-se uma espécie de refinado madrigal que oferecemos a Deus, por momentos, quando lhe dedicamos tempo. Se na oração da manhã fizermos uma afirmação, devemos ao longo do dia viver de acordo com ela. 

+ Anthony Bloom, "Escola de Oração". (Edições Paulinas, 1986, p. 59.)